O CBGB DE PERNAMBUCO

DA ESQUERDA: WELINGTON, ROBERTO,
ED (AINDA COM CABELO), ELIAS E VETO
Recentemente, lendo um dos jornais aqui do Recife, me deparei com uma matéria que relembrava a importância do lendário espaço undergound novaiorquino, CBGB, que foi o berço do punk rock dos Estados Unidos. Por lá passaram nomes como: TELEVISION,RAMONES, STROKES,BLONDIE,VELVET UNDERGROUND, RATOS DE PORÃO, CHICO SCIENCE e outros tantos. Lembrei-me do ESPAÇO CULTURAL ARTEVIVA. Sob a batuta da agitadora cultural (e louca de carteirinha) LOURDES ROSSITER, esse oásis (em meio ao vendaval de músicas baianas da época) da boa música comandou o underground pernambucano da fase pré-CHICO SCIENCE.
Tive a sorte de tocar e trabalhar nesse templo sagrado. Fui testemunha ocular desse período fértil de bandas e paupérrimo de espaços para tocar. Pelo palco do ARTEVIVA passaram os principais (senão todos) nomes do "alto clero" do rock pernambucano "oitentista": EXOCET,SPARTA, ÁRIA,KRUOR, A BANDA(mistura perfeita de rock e mpb), ORLA ORBE, ORION, CRISTAL,CROMEL, CÓDIGO CIVIL,MUNDO LIVRE S/A(eles são de 1984!!) MENDIGOS DA CORTE, etc.,etc. Certamente eu não vou poder citar todos os nomes, até porque não lembro, mas sei que mais de 80 bandas passaram pela academia de ginástica improvisada como casa de shows da av. Conselheiro Aguiar 2210, em Boa Viagem. A minha banda, ARTE FINAL, tocou no dia 27 de maio de 1988 (Show Palavra de Protesto), como mostra o cartaz acima. Tudo era complicado nessa época. Tínhamos que perambular pelas rádios e jornais implorando divulgação. Os cartazes (em tamanho ofício e estilo fanzine) eram todos xerocados. Mesmo assim o prazer de tocar era algo indescritível.
Esse show foi inesquecível, tenho gravado na íntegra. Na semana seguinte tocou uma banda de nome estranho, URB ET ORB, que fazia cover's do Ira e da Legião Urbana, no vocal um certo CHICO, que mais tarde adotaria o emblemático sobrenome de SCIENCE. Ainda no ano de 1988, por ser assíduo freqüentador do local, fui convidado, junto com o baixista da minha banda ELIAS LELEKO, para fazer parte da equipe de produção do ARTEVIVA. Eu e ELIAS, substituímos as filhas de LOURDES. Estava formado o "power trio". Nossa primeira produção foi a exposição DE CARA COM O ROCK!, que fez uma radiografia do rock e do pop pernambucano da década de 60 até a década de 80. Nomes como: THE SILVER JET'S (que tinha como integrantes, acredite, REGINALDO ROSSI e FERNANDO FILIZOLA) CARMEN ARTONI, JANDIRA VALENÇA, MOZART,AVE SANGRIA, pioneiros do rock local, brilharam e foram apresentados a, então, nova geração. Trabalhei com LOURDES durante um ano.
Bons tempos! Esse histórico inclui o ARTEVIVA no seleto grupo das "lendas do undergound pernambucano" assim como o POLYTIAMA, O TEATRO DO PARQUE, O BECO DO BARATO, A SOPARIA DO PINA , O SÍTIO DA TRINDADE, O TEATRO BONSUCESSO, a RUA 7 DE SETEMBRO, a RUA DA MOEDA. Salve LOURDES ROSSITER !!!

SOFRI, MAS ME DIVERTI

Quem me conhece ou quem lê os textos que escrevo nos meus dois blogs, já deve ter notado que sou um saudosista de marca maior. Para celebrar esse meu lado, digamos, romântico, fui ver um show que prometia resgatar a tão injustiçada cultura pop oitentista. O Estação Retrô 80, criado pelo cantor Leo Jaime, me decepcionou um pouco. Sei, você que detesta as musicas da década da zebrinha deve estar pensando: “não poderia ser de outra forma”. Mas não estou falando de qualidade musical, não é isso. Falo do respeito ao público.
Colocaram uma banda chamada “Dick e os Vigaristas” (que fez um bom show no Abril Pro Rock 2007) tocando covers dos anos 80. Os caras sequer ensaiaram. Ou melhor, ensaiaram na hora do show que por esse motivo atrasou uma hora e meia. O guitarrista não acertava um mísero solo. Um espetáculo sofrível. Mas todo mundo aplaudiu e achou o máximo. Acho que a escassez desse tipo de espetáculo e a saudade dos anos oitenta desviaram a atenção do público. Depois veio o Silvinho Blau Blau (one hit Singer) com muita disposição, mas a banda era ainda “Os Vigaristas”. O show começou de verdade quando Leo Jaime subiu ao palco.
Uma banda muito boa com destaque para o excelente guitarrista (que não sei o nome) e para o “Mingau”, grande baixista. Leo, ostentando um inacreditável bucho, mandou bem. Depois veio o Kid Vinil que também mandou muito bem. Cantou os hits do “Magazine” e fez um cover da Plebe Rude, cantou “Até Quando”. Em seguida Veio o Ritchie que cantou quatro músicas e salvou a noite. Foi aí que percebi que estou ficando velho. Ele lembrou que o último show que havia feito em Recife foi em 1986. Eu estava lá. O tempo passa, lá se vão 22 anos. Já eram duas horas da madrugada e o cansaço me fez ir embora. deixei de ver o show da Blitz. Um amigo me falou que a overdose de anos 80 varou a madrugada. Sofri mas me diverti!
Adendo: Depois da repercussão (negativa) que o meu post provocou junto a banda "Dick e os Vigaristas" e aos fãs, eu me preocupei com o que seria publicado nos comentários. Achei que seria xingado, etc. Ativei a moderação do blog. Hoje, quando cheguei do trabalho, fui ver os comentários e tive a grata surpresa de ler o pedido de desculpas do Ricardo. Muito nobre sua atitude. Estou falando sério. Que bom que somos pessoas civilizadas. Aproveito e quero também registrar de público o meu pedido de desculpas ao pessoal do “Dick e os Vigaristas”.
Não sou jornalista, não tenho habilidade com as palavras e no afã de descarregar minha indignação por ter esperado numa fila por mais de uma hora, acabei usando as palavras erradas e atingindo inconseqüentemente o brio do pessoal do "Dick". Sei exatamente o que vocês sentiram porque já tive banda e já toquei na noite. Desse episódio lamentável tirei muitas lições. A principal dada pelo amigo Ricardo, que mesmo contrariado e discordando de tudo que escrevi, teve a nobreza de se desculpar. Quanto aos comentários de indignação pelo que escrevi, como o do amigo Antonio Augusto, não vou mais responder e procurarei do alto da minha humildade tirar lições! Ed Cavalcante.

QUANTO CUSTA UM GENOCIDA?

No dia 21 de julho os serviços de inteligência sérvios anunciaram a prisão de Radovan Karadzic. Conhecido como “o carniceiro de Srebrenica”, Radovan vivia em Belgrado ,com um nome falso ,onde mantinha uma clínica de medicina alternativa. Não vou perder tempo falando de uma notícia que todos as agências estão divulgando por aí, não é esse o meu propósito . O que me chamou atenção na prisão desse individuo foi o motivo (não divulgado) da sua captura. Nos últimos dez anos, a Sérvia tenta ingressar na União Européia sem sucesso. A mácula da década de 90 ,provocada por genocídios e perseguições aos mulçumanos do Leste Europeu, colocou os sérvios no fim da fila.
O primeiro passo em busca do respeito internacional foi dado em 2001. A sérvia entregou ao tribunal de Haia o ex-presidente Slobodan Milosevic. Com esse ato o país não ganhou apenas elogios. Os Estados Unidos enviaram para a Sérvia uma “ajuda” de 50 milhões de dólares. Milosevic acabaria morrendo em Haia em 2006. Com a prisão de Karadzic, a Sérvia aumentou o respeito perante a União Européia e a opinião pública.
A Casa Branca, mais uma vez, se pronunciou e deitou elogios: "Felicitamos o governo da Sérvia e agradecemos aos que conduziram essa operação por seu profissionalismo e por sua coragem. O momento da prisão, apenas alguns dias após o aniversário do massacre de mais de 7 mil bósnios em Srebrenica, é particularmente apropriado, e não pode haver mais bela homenagem às vítimas das atrocidades do que levar seus autores à Justiça". A declaração do ministro das relações exteriores da França resume o tema central desse post: "Aí está um acontecimento que aproxima, evidentemente, a Sérvia da União Européia".
Minha indignação é porque fica claro que tanto Milosevic quanto Karadzic foram presos não por razões humanitárias. O fato de terem eles dizimado mais de 10 mil pessoas soa como um fato secundário. O mais importante é a questão econômica. A Sérvia necessita ingressar na União Européia. Certamente, nos próximos anos, veremos a prisão de Ratko Mladic, mais um carniceiro sérvio que está foragido e será usado como moeda de troca. É a força do vil metal!

HERÓIS EFÊMEROS

Reedição
De que são feitos os heróis e ídolos? Perguntei-me outro dia quando, ao passar por baixo do pontilhão do metrô (faço isso cotidianamente), me deparei com um dos meus ídolos de infância, "Loro", invencível na arte de soltar pipa!Uma lenda na década de 70 mas que jazia ali ,aos meus pés, bêbado e dormindo ao relento. Quando cheguei em casa puxei pela memória e fiz uma lista com os meus ídolos de infância. Acabei descobrindo que eles eram, quase todos, efêmeros. Encabeçando a lista, o já citado "Loro". Quando a pipa dele cruzava os céus todos tremiam (verdade!), ele era o "cão", cortava todas, nunca era cortado, virou lenda. Mas ,na vida real, foi vencido pela bebida e pela falta de oportunidades. Na lista também entrou o "Gilson", meu primo, uma espécie de "professor Pardal": entendia de tudo.
Construía miniaturas, brinquedos,entendia de eletrônica... chegou ao cúmulo de construir um gramofone que tocava de verdade! Dizer que ele foi vencido pela vida seria preconceito contra a profissão de vigilante ,que ele exerce atualmente, mas o seu talento poderia ter lhe proporcionado uma vida muito melhor do que a que leva agora.Ele era genial! Eu poderia ainda falar do "Flávio" o melhor jogador de basquete que já conheci (e tive o desprazer de ser adversário) e que hoje perambula por aí como um simples mortal, ou de outros tantos em que me espelhei, e certamente chegaria à mesma conclusão: mesmo sendo feitos de carne e osso, eles eram tão fictícios quanto os heróis da TV. O fato é que eles cumpriram um papel importante na minha vida: fizeram-me sonhar... isso,por si só, já é um ato heróico!

JULGANDO OS DISCOS PELAS CAPAS

SECOS E MOLHADOS (1973): PRA QUEM NÃO LEMBRA, ESSA É A BANDA QUE TEVE SEU VISUAL COPIADO PELO KISS. CAPA OUSADA E ORIGINALÍSSIMA. VOCÊ FAZ A LEITURA QUE QUISER DESSA IMAGEM. PRA MIM ELES QUERIAM SERVIR A MÚSICA COMO NUM BANQUETE. SECOS E MOLHADOS (1974): MARAVILHOSA CAPA. COLOCO-A ENTRE AS DEZ MELHORES DE TODOS OS TEMPOS. SIMPLES, ARTÍSTICA, GÓTICA (MODA HOJE EM DIA), DIFERENTE, MARCANTE, ETC.,ETC.,ETC...
AVE SANGRIA (1974): ESSA É UMA DAS MAIS BELAS CAPAS DE DISCOS NA MINHA OPINIÃO. CLÁSSICO ABSOLUTO DO UNDERGROUND PERNAMBUCANO. ESSA ILUSTRAÇÃO SURREAL MOSTRA UMA IEMANJÁ NO SEMI-ÁRIDO. METADE MULHER, METADE CARCARÁ. ELEMENTOS DA CULTURA NORDESTINA COM TOM PSICODÉLICO. WAR - U2 (1983): UMA CAPA SIMPLES MAS COM UMA IMAGEM MUITO FORTE. GUERRA, TEMA MUITÍSSIMO EM VOGA NA DÉCADA DE 80 NA EUROPA. O LESTE EUROPEU ESTAVA FERVILHANDO E AS BANDAS COM LETRAS DE CUNHO POLÍTICO GANHARAM O ESTRELATO. A FOTO DESSE GAROTO ESTAMPOU MUITA CAMISETA. TÁBUA DE ESMERALDA - JORGE BEN (ELE ASSINAVA ASSIM NA ÉPOCA - 1974): O ALQUIMISTA DE SONS NOS BRINDOU COM ESSE QUE É CONSIDERADO POR MUITOS UM DOS DEZ MELHORES DISCOS DA MPB. A CAPA NÃO FICA ATRÁS, MOSTRA UMA SÉRIE DE IMAGENS DE ANJOS, DEUSES, SÍMBOLOS ALQUÍMICOS LEMBRANDO UM VITRAL.
DUBLE FANTASY - JOHN LENNON (1980): ESSA CAPA FOI REPETIDA (EM CORES) NO ÁLBUM PÓSTUMO (COM RESTOS DE GRAVAÇÕES) "MILK AND HONEY". EU GOSTO MAIS DA VERSÃO PRETO E BRANCO. ESSA IMAGEM DE LENNON E YOKO SE BEIJANDO COMO UM CASAL NORMAL É MAIS INUSITADA DO QUE OS DOIS NUS EM TWO VIRGINS. SIMPLES E ETERNO. ESSA NÃO É APENAS A MELHOR CAPA, É TAMBÉM O MELHOR DISCO DO CARA.
CASA DE ROCK - CASA DAS MÁQUINAS (1976): MAIS UMA IMAGEM PSICODÉLICA DO ROCK BRASIL, QUE NESSA ÉPOCA ESTAVA NO PERÍODO DE ENTRESSAFRA. GRANDE DISCO. ESSA IMAGEM É EMBLEMÁTICA, REPRESENTA A RESISTÊNCIA DO ROCK NACIONAL.
CORES, NOMES -CAETANO VELOSO (1982): BELÍSSIMA CAPA DO MANO CAETANO. ESSE ÓTIMO DISCO DA FASE PÓS-TROPICALISTA TRAZ AINDA ALGUNS TRAÇOS DA ESTÉTICA DO MOVIMENTO. O COLORIDO, A IDÉIA DE LIBERDADE E A IRREVERÊNCIA.
CABEÇA DINOSSAURO - TITÃS (1986): O QUE DIZER DE UMA CAPA ASSINADA POR LEONARDO DA VINCI? (RSSSS). POIS É, O CABEÇA TEVE A HONRA DE ESTAMPAR NA SUA CAPA UM ESBOÇO DO GRANDE MESTRE RENASCENTISTA, "A EXPRESSÃO DE UM HOMEM URRANDO". O DISCO É UM DOS MELHORES DO ROCK BRASILEIRO E ESSA CAPA TEM TUDO A VER COM O DISCURSO DO ÁLBUM.
ABBEY ROAD - BEATLES (1969): A CAPA DE DISCO MAIS FAMOSA E MAIS IMITADA DE TODOS OS TEMPOS. NADA MAIS PRECISA SER DITO.
MAGIA TROPICAL - A COR DO SOM (1982): ESSE FOI O DISCO EM QUE O ARMANDINHO FOI (BRILHANTEMENTE) SUBSTITUÍDO PELO ARGENTINO VICTOR BIGLIONE. SE EU FOSSE CLASSIFICAR ESSA IMAGEM A CHAMARIA DE NEO-TROPICALISTA. COR E SOM EM HARMONIA.

A TEORIA DO GRITO PRIMAL NAS ESCOLAS

A música "Mother", do John Lennon, sempre foi uma das minhas preferidas, ouvi muito na adolescência. Quando descobri essa canção, lá pela década de 80, uma coisa me intrigava muito: Lennon encerrava a música aos berros, "Mama don't go, daddy come home", até a voz se acabar! Em 1985, lendo a revista Bizz, uma matéria esclareceu o mistério. John era adepto da "Teoria do Grito Primal", de Athur Janov, que prega o GRITO como forma de libertação. Os "Teras For Fears" embarcaram nessa também e emplacaram o hit "Shout", que tinha como refrão: "Berre, berre, bote tudo pra fora!" Outro dia, caminhando pelo pátio de uma das três escolas onde leciono, observei que a maioria dos alunos, mesmo que de forma involuntária, é adepta da teoria de Janov. Eles gritam muito, o tempo todo, não só nos corredores, na sala de aula também! "Sai da frente!", "me dá uma caneta!", "professor tô sem livro", enfim, tudo é motivo para um "bom" berro. O meu alento é acreditar que a teoria de Janov esteja certa e que esses meninos se libertem, ou que, pelo menos, descubram outras formas de extravasar... Meditação seria legal! rsss

NOMES ENGRAÇADOS, DIFERENTES, PROPELENTES...

No meu cotidiano lido com um monte de nomes estranhos e engraçados. Dou aulas em três escolas e pelos meus quase trinta diários de classe figuram nomes conhecidos: Silvester Stalone, Ísis de Oliveira, Marília Gabriela, dezenas de Romários, John Lennon, só pra citar os mais conhecidos. Existem também os nomes, digamos, diferentes: Abdnego, Sonja, Edicreide (assim mesmo, com “r”), Alta, Visuazilândia (juro que não estou inventando!), Naara Maate, Amaro Kenedy (rssss), Edmitria, Rutênia, entre outros. Sou fissurado nessa coisa dos nomes. Na minha opinião as pessoas deveriam ser registradas com nomes provisórios, quando atingissem a maioridade, escolheriam o nome que quisessem. Pra finalizar esse post, deixo uma historinha interessante sobre o hábito italiano de usar nomes unissex: antes de se unificar e se tornar uma nação, a Península Itálica era uma imensa “colcha de retalhos”. Dividida em vários reinos e principados, com um número imenso de dialetos e idiomas. Os conflitos eram comuns entre eles. Em época de guerra, o responsável pelo alistamento militar ia às vilas e recrutava os meninos pelas certidões de nascimento. Os pais de muitos meninos, temendo que no futuro eles fossem convocados para a guerra, os registravam com nomes femininos: Daniele, Andrea (ou Andreas), Alcione, Gianni, Nicole. O tempo passou e esse costume se perpetuou por lá. Se você acha estranho chamar um homem de Alcione, lembre-se do político (ex-senador) Íris Rezende. Apesar de “Íris” ser um nome absolutamente feminino, nos acostumamos a associá-lo ao senador sem achar estranho.

ASSIM FALA A MPB

" MATANDO A SEDE NA SALIVA" (FREJAT/CAZUZA) "QUE SÓ EU QUE PODIA/ DENTRO DA TUA ORELHA FRIA/ DIZER SEGREDOS DE LIQUIDIFICADOR" (CAZUZA/REINALDO ARIAS/EZEQUIEL NEVES) "HÁ SOLDADOS ARMADOS/ AMADOS OU NÃO/ QUASE TODOS PERDIDOS/ DE ARMAS NA MÃO" (GERALDO VANDRÉ) "SE AS CORES SE MISTURAM PELOS CAMPOS/ É QUE FLORES DIFERENTES VIVEM JUNTAS" (ROBERTO/ERASMO) " DESDE O COMEÇO EU NÃO DISSE, SEU MOÇO!/ ELE DISSE QUE CHEGAVA LÁ/ OLHA AÍ, OLHA AÍ, OLHA AÍ/ É O MEU GURI" (CHICO BUARQUE) "SERÁ QUE NUNCA FAREMOS SENÃO CONFIRMAR/ A INCOMPETÊNCIA DA AMÉRICA CATÓLICA/ QUE SEMPRE PRECISARÁ DE RIDÍCULOS TIRANOS"/ (CAETANO VELOSO) "QUE SONHA COM A VOLTA DO IRMÃO DO HENFIL/ COM TANTA GENTE QUE PARTIU/ NUM RABO DE FOGUETE"/ (JOÃO BOSCO/ALDIR BLANC)
"Mas 'dotô', uma esmola, que é dada a um homem são, ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão. (Luiz Gonzaga)
"AI, AI MEU DEUS/ O QUE FOI QUE ACONTECEU/ COM A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA/ QUANDO A GENTE FALA MAL/ A TURMA TODA CAI DE PAU/ DIZENDO QUE ESSE PAPO É BESTEIRA"/ (RITA LEE/PAULO COELHO) "QUE PAÍS É ESSE" (RENATO RUSSO)

PROTAGONISTAS DISFARÇADOS DE COADJUVANTES

Todo mundo no Brasil afora conhece o clássico “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. Sempre que essa música é citada apenas o nome do velho Luiz é lembrado. Humberto Teixeira, co-autor da obra é sempre esquecido. Além de “Asa Branca”, Humberto compôs: “Assum Preto”, “Baião”, “Juazeiro”, “No Meu Pé de Serra” “Paraíba (Mulé Macho)”, “Que Nem Jiló”, “Respeita Januário”, só pra citar as mais conhecidas.

Outro protagonista disfarçado de coadjuvante foi o George Harrison. Sou fã incondicional desse cara. Era, de longe, o beatle mais equilibrado. Sempre viveu à sombra da marca “Lennon McCartney”. Muito injusto.Ele era, no mínimo, do mesmo nível da famosa dupla. Escreveu clássicos como: “Somenthing”, “Here Comes The Sun”, “While my Guitar Gently Weeps”, e “Taxman”. Na época dos compactos de vinil apenas uma vez Harrison teve música incluída no lado “A”: Somenthing/ComeTtogether. Pouco, pra um artista tão importante.

No cinema, o exemplo mais marcante de um protagonista que sempre aparece como coadjuvante é o mestre Morgan Freeman. Com quase 50 filmes no currículo e personagens marcantes, ele várias vezes foi indicado ao Oscar como ator coadjuvante. Foi assim em “Street Smart” (1987) e em “Menina de Ouro” (2004). Nesse último ele sagrou-se vencedor, ganhando também o Globo de Ouro. Sei que há muito mais, essa lista de injustiças é grande, mas esses exemplos já dão a medida do que falo. O status e o reconhecimento nem sempre são proporcionais ao talento.