ONE HIT WONDER

A expressão que dá título a esse post é usada para se referir àqueles artistas (incluindo as bandas) que lograram êxito em apenas uma música. Nesse time tem muita gente.Discutirei aqui o sucesso e não a qualidade. Quase sempre as músicas que tocam exaustivamente nas rádios são as que menos têm qualidade no disco. Quem se lembra de Sérgio Sampaio? Ou melhor, alguém conhece esse cara? Um grande compositor da década de 70 que emplacou o hit “Eu Quero Botar O Meu Bloco Na Rua”. Foi esquecido. Em 1998, o compositor Sérgio Natureza reuniu uma turma boa e prestou homenagem ao Sérgio Sampaio com o disco “Balaio do Sampaio”(ouça aqui esse disco) que hoje em dia é artigo raro. Outro clássico representante desse time é o Eagles. Dono de um dos maiores hits da música mundial, o “Hotel Califórnia”, nunca mais repetiu a façanha,nem sequer chegou perto. Diz uma lenda que o grupo teria feito pacto com o demônio. O cramulhão elevou a música a mega hit e impediu o sucesso das demais. Sai pra lá coisa ruim! Minnie Riperton tem uma história ainda mais triste. Dona de uma belíssima voz (soprano) emplacou um hit mundial, “Loving You”. Morreria um tempo depois, com apenas 31 anos, sem conseguir repetir o mesmo sucesso. História parecida aconteceu com o hispano-americano Ritchie Valens que ganhou a fama com “La Bamba” e morreu num acidente aéreo aos 18 anos. Lembra-se daqueles cedês (os mais antigos lembrem-se do elepê e do cassete) Great Hits? Eles vinham sempre recheados com vários “one hit wonders”. Alguns exemplos:

Paul Young: Every Time You Go Awey

PHD: I Won’t Let You Down

Jim Dimon (ex-PHD): I Should Have No Batter

Tim Moore: Yes

Cutting Crew: I’ve Been In Love Before

Foreigner: I Want to Know What Love Is

The Callings: Wherever You Will Go

Los Del Rios: Macarena

E tem também os brasileiros

João Só: Menina da Ladeira

Brylho: Noite do Prazer

Hanói Hanói: Totalmente Demais

Carlos Gomes (Compositor Clássico): O Guarani

Hildon: Na Rua Na Chuva Na Fazenda

Fausto Fawcett: Kátia Flávia

O Wikipédia coloca o A-Ha como “one hit Wonder” e cita como único sucesso “Take On Me”. Um erro grosseiro. O A-Ha tem vários sucessos: Hunting High And Low, Touchy, You Are The One, Early Morning e tantos outros que não lembro.

Se você lembra de mais algum “one hit wonder” ou discorda de algum que citei, é só escrever aqui nos comentários.

VIDA DE GADO

A cidadania é um direito pouquíssimo reivindicado pelo povo brasileiro por pura falta de informação (e formação). Não só os direitos são desconhecidos, o mesmo ocorre com os deveres. Basta uma volta pela cidade para ver exemplos gritantes da falta de educação das pessoas. Jogar lixo pela janela do carro ou do ônibus, estacionar em local proibido, etc. etc. A historinha que narro a seguir é fictícia. Criei para usar em minhas aulas de cidadania (os tais temas transversais).

Certo dia, um político chamado Pedro Vaz discursava em uma favela em cima de um caminhão. No meio da sua explanação ele falou:

-O povo gosta de ser tratado como animal!!!!

Sem entender nada, os seus assessores o chamaram de lado e falaram:

-Seu Pedro, o senhor tá doido? Nós vamos ser linchados aqui.

Em volta do palanque improvisado, as pessoas começaram a se exaltar e a gritar palavras de ordem:

-Tira essa cara daí!!

-Animal é você, seu @#&¨%$#@*&*%$#

Foi então que o Pedro Vaz resolveu se explicar:

-Pessoal, calma!!. Deixe-me pelo menos explicar! Quando falo que o povo gosta de ser tratado como animal, também estou me incluindo nesse grupo. Prestem atenção ao seguinte exemplo: Estão vendo aquela parada de ônibus ali? – Todos desviaram o olhar para a avenida e alguns perguntaram:

-Estamos vendo sim, e daí?

-Naquela parada de ônibus ninguém faz fila. As pessoas vão se amontoando. Quando o ônibus chega é um “Deus nos acuda”! Entretanto, nos terminais integrados existe fila. A diferença é que lá o poder público colocou nas paradas, guias de boi. Isso mesmo, aquele corredor de ferro é usado nas fazendas e nos matadouros. Serve para guiar irracionais. Não se justifica que seres humanos que sabem que precisam organizar uma simples fila tenham que ser tratados dessa forma. Mas se não for desse jeito, vira bagunça. O povo gosta, sim ,de ser tratado como animal! Nos bancos, supermercados, é a mesma coisa. A única diferença é que lá, a guia de boi é mais chique. Tem um ferrinho cromado, uma fitinha azul, mas o princípio é o mesmo!

Com essa explicação, Pedro Vaz conseguiu terminar o seu discurso e sair são e salvo do local.

Êeeeeh! Oh! Oh! Vida de gado Povo marcado Êh! Povo feliz!”

OS DISCOS RAROS E OS SEBOS VIRTUAIS

Outro dia, quando caminhava no centro da cidade a caminho do trabalho, passei em frente a um sebo de discos que eu sempre freqüentava. Pensei: “por que eu não venho mais aqui?”. Eu sempre fui um rato de sebo, desde garoto. Andava com uma lista de discos que, na minha subjetiva avaliação, eram raros. Lembro-me de uma vez em que meu pai, pequeno fabricante de bolsas, mandou-me ao centro para receber um dinheiro. Quando passei em frente a uma loja de eletrônicos vi um monte de caixas de discos (vinil) no chão. Era o acervo da Rádio Globo que estava à venda porque essa emissora havia sido convertida em rádio CBN (que não toca músicas). Comprei, nesse dia, mais de 80 discos, foi inesquecível. Tenho muitos deles até hoje. Da minha lista de raridades (que sempre trazia na carteira) encontrei cinco nesse dia:Tavito -Maria Fumaça (Banda Black Rio), Frutificar (A Cor do Som), Asa Branca (Quinteto Violado), Remember-me (Trepidantes) (esse só conhece quem é do Recife).

Hoje em dia tenho todos esses discos em CD. Consegui baixá-los na internet nos sebos virtuais. Justamente por isso deixei de freqüentar os velhos sebos do centro. A facilidade de se conseguir as tais raridades é uma das melhores coisas da internet. Sei, alguns colecionadores preferem o vinil. Existe uma relação de idolatria com esse objeto. Nunca fui assim. O meu intuito sempre foi a música independentemente do formato. Eu tenho um amigo, colecionador de LPs, que me falou com os olhos brilhando:

-Você sabe como eles gravam a música no LP? Claro que não sabe. Os sulcos têm formato de “V”, os arranjos são gravados nas paredes laterais do “V” e a voz no vértice do sulco. Só sabe esses detalhes quem coleciona, porra! Rsss

Hoje em dia eu tenho todas as músicas que quero ouvir, não ando mais com a lista de raridades, tenho todos os discos no formato CD. Alguns convertidos de LPs, é certo, mas tenho todos. Termino esse post lembrando que classificar um disco como “raro” é algo muitíssimo subjetivo. Sei que para muitos ,vários desses discos não representam nada (a frase no início dessa página, que fala sobre a diferença das pessoas, explica esse fato). Isso, aliás, sempre foi um trunfo para mim. Disco que ninguém quer tem um preço baratinho. Seguem abaixo as capas de uma de minhas listas de raridades:

1- Disco raríssimo que tem, segundo Luiz Gonzaga, a melhor versão de "Asa Branca". 2- Clássico disco do Tavito do hit "Rua Ramalhete" 3 - O melhor disco do Walter Franco na minha opinião 4 - Muitos consideram descartável, mas esse disco é maravilhoso. New Romantic Brazil
5- Gang 90 com Júlio Barroso, clássico do rock nacional 6- Disco maravilhoso, ícone dos festivais da Globo 7 - Progressivo brasileiro da melhor qualidade 8 - Faziam parte dessa banda: Lobão, Ritchie e Lulu Santos. Disco raríssimo
9 - Um dos melhores discos brasileiros de Montreux. Pepeu Gomes dá um show na guitarra 10 - Clássico absoluto. Samba, funk e jazz num liquidificador 11,12 - Dois dos melhores discos do rock Brasil. Sem comentários!
13- New Romantic Brasil da melhor qualidade. 14 - Um dos grandes discos da mpb. Jorge reinventou a música 15 - Só conhece quem é de Recife. Banda cult da década de 70 16 - Disco maravilhoso do Picassos. Raridade do rock Brasil
17 - Lendário disco ao vivo do Del Shanon, dificílimo de ser encontrado (estou à procura) 18,19 - Dois grandes discos da Cor. Alquimia de sons 20 - O lendário disco do Marcos Suzano e Lenine. Obra prima!

MAURITZSTADT, VILA MAURICÉIA, CIDADE DE MAURÍCIO.

Quando eu era garoto, lá pela década de 70, um dos meus programas preferidos era ir ao centro do Recife. Nessa época ,meu pai e seus irmãos tinham uma fábrica de bolsas na rua de Santa Rita, centro velho da cidade, um lugar cheio de história. O prédio ,onde funcionava o fabrico ,era perto do tradicional Mercado de São José. Meu pai tinha (tem até hoje) muitos amigos por lá. Em um dos boxes, onde ele sempre parava ,tinha uma placa com a inscrição “MAURITZSTADT”. Não lembro o nome do dono, mas certa vez lhe perguntei:

-O que significa isso? E o velho me respondeu orgulhoso:

-Esse era o nome do Recife na época dos holandeses.

Anos depois, na escola, descobri detalhes desse período glorioso da história de Pernambuco e o porquê dessa epígrafe. Quando “Johann Moritz of Nassau-Siegen” aportou no Recife, em 1637 a serviço da “Companhia das Índias Ocidentais”, em sete anos, habilidosamente, passou de invasor a benfeitor. Ele recusou-se a apenas explorar a colônia. De formação humanística, tinha gosto pelas artes e pela cultura de um modo geral. Construiu um jardim botânico, um observatório astronômico e um zoológico. Na sua comitiva trouxe dois importantes representantes da arte flamenca: o paisagista Franz Post e o pintor Albert Eckhout, além de engenheiros, arquitetos, médicos e até um lutiê. Outros nomes importantes da comitiva de Maurício: Willem Piso (médico e cientista), Cornelis Golijath (cartógrafo), Georg Marggraf, astrônomo que divide com Willem Piso a autoria da “Historia Naturalis Brasiliae”, a primeira obra científica sobre a natureza brasileira.

Maurício de Nassau também soube lidar com as diferenças de culto. Calvinista de formação, permitiu que os nativos ,que haviam se convertido ao catolicismo ,e os portugueses continuassem com suas práticas religiosas. O mesmo tratamento foi dado aos judeus, muito perseguidos pelos lusitanos. Nassau era um obstinado: queria transformar o Recife numa cidade moderna seguindo os moldes da Europa. Todo o traçado urbano dos bairros de São José e Santo Antônio remonta dessa época. Era o que ele denominava “Projeto da Cidade Maurícia – a Mauritzstadt”.

O projeto de Maurício de Nassau foi interrompido porque ele entrou em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais que estava cobrando empréstimos feitos aos senhores de engenho. Nassau não concordava com a forma de cobrança (deveria ser parcelada e estavam cobrando de uma só vez). Ele entregou seu posto e voltou para a Europa em 1644. Maurício de Nassau morreu no dia 20 de dezembro de 1679 na cidade de Kleve. No Recife ele virou lenda, fez até um boi voar. Mas isso é história para um outro post!

MÓRBIDO MARKETING (ENSAIO SOBRE A TRISTEZA)

Outro dia, assistindo ao filme “Capítulo 27”, que conta a história do assassinato de John Lennon sob a ótica do seu algoz, Mark Chapman, acabei percebendo uma coisa: algumas pessoas e alguns lugares entraram para história alavancados pelo mórbido marketing de um crime. No caso do assassinato do Lennon, um lugar e duas obras foram “beneficiados”. O lugar, claro, o soturno edifício Dakota, onde tudo aconteceu. O prédio (construído no século XIX) também foi cenário do filme “O Bebê de Rosemary” e sempre atraiu a atenção das pessoas por conta dessa aura mórbida. A obra: O livro do J. D. Salinger, “o Apanhador No Campo de Centeio”, que Chapman trazia consigo no dia do crime e que ficou folheando após consumar o ato. Durante suas viagens psíquicas ele imaginava ser o "Holden Caulfield", personagem principal do livro. A outra obra é a música dos Beatles, “Helter Stelker”, que Mark Chapman gostava justamente por estar ligada a outro crime: Em 1969, a atriz “Sharon Tate” (A Dança dos Vampiros), esposa de Roman Polanski, foi morta pelo lunático “Charles Manson” e por seus seguidores, que alegaram ter se inspirado na canção para cometer o crime.
A cidade de “La Higuera”, na Bolívia, é mundialmente conhecida porque foi palco de uma morte ilustre: no dia 09 de outubro de 1967, Ernesto Guevara de La Serna, o “Che Guevara” , foi morto pelo exército boliviano. A cidade vive do turismo e das lembranças dessa ilustre tragédia. História parecida aconteceu em “Angicos”, uma fazenda do sertão de Sergipe. Nesse local o cangaceiro “Lampião” foi morto junto com seu bando. O lugar é conhecido no nordeste inteiro como “a última parada de Lampião”. A clássica (e mórbida) imagem das cabeças expostas na escadaria da fazenda (que você confere clicando aqui) correu o mundo, foi publicada no New York Times.
O lugar mais famoso e visitado da cidade de “Dallas” (EUA) é a avenida “Dealey Plaza”. O local ficou mundialmente conhecido no dia 22 de novembro de 1963 quando, diante de uma multidão e das câmeras de TV, o presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy, foi assassinado. Turistas que visitam a cidade fazem questão de tirar uma foto no local. Na avenida, existe uma demarcação no asfalto indicando o local exato da tragédia.
Termino esse post lembrando-me de Hiroshima e Nagazaki. Essas duas cidades entraram para a história com o mórbido marketing de aproximadamente 200 mil mortos. No espaço de três dias, duas bombas atômicas, “Little Boy” e “Fat Man”, produziram uma carnificina que trasformou essas duas cidades em símbolos eternos da estupidez humana. Melhor seria o anonimato.

"O CAMPO DOS BALÕES GIGANTES" (MY STRAWBERRY FIELDS)

Tive uma infância paupérrima em recursos materiais, mas riquíssima em aventuras e histórias pra contar. Lembrei-me, outro dia, do “Campo do Jiquiá”, um local arborizado espremido entre a linha férrea e o bairro onde eu cresci, a Mangueira. Eu e meus amigos brincávamos nesse local. Costumávamos ir ao campo, (que chamávamos de “marinha”, pois o local abrigava um quartel dessa arma) para pegar frutas e passarinhos. Nessa época, entrar na “marinha” era uma aventura e tanto. O local era vigiado por guardas navais que perseguiam os garotos invasores. Quem fosse preso ficava detido prestando serviços no posto: varrendo, limpando banheiro, essas coisas. Eu morria de medo, mas nunca fui pego. Entre os locais que “visitávamos” estava uma velha torre coberta pelo mato rasteiro. Os mais velhos diziam que era “a torre onde soltavam balões gigantes”. Essa lírica definição referia-se aos dirigíveis, costumeiramente chamados de “Zeppelin”, uma referência ao seu inventor. Não tínhamos noção ,na época, mas a Torre da Marinha era o antigo campo de atracação de Dirigíveis, o “Campo do Jiquiá”. A torre existe até hoje: é a única no mundo preservada em sua estrutura original. Nem na Alemanha existe uma relíquia dessas. Ela foi conservada não por consciência histórica das autoridades, mas por estar fincada numa área que sempre foi militar. O governo, aliás, cometeu um equívoco imperdoável. Construiu, ao lado da torre, uma estação de tratamento de esgoto. Algumas entidades protestaram e existe agora uma possibilidade desse patrimônio ser recuperado. O local foi transformado em área de preservação ambiental e o governo do estado promete restaurar essa importante relíquia. Eu ainda moro no bairro da Mangueira e sempre vejo a torre da janela do metrô. O sonho de ver ali construído um parque temático ainda povoa o meu imaginário. Confira abaixo algumas imagens do local e da passagem do Graf Zeppelin pelo Recife:

O RECIFE VISTO DO ZEPPELIN - 1936

O ZEPPELIN SOBREVOA O
CENTRO DO RECIFE - 1936
IMAGEM ANTOLÓGICA: O ZEPPELIN
SOBREVOANDO A CÚPULA DO PRÉDIO
DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO
O RECIFE DA DÉCADA DE 30 VISITADO POR UM GIGANTE VOADOR O ZEPPELIN CHEGANDO AO CAMPO DO JIQUIÁ - 1936 O ZEPPELIN ATRACADO NO CAMPO DO JIQUIÁ - 1936 A MENINADA DO BAIRRO DA
MANGUEIRA FAZENDO FESTA
COM A VISITA DO GRAF ZEPPELIN QUE
APARECE AO FUNDO - 1936 O ZEPPELIN NO CAMPO DO JIQUIÁ VISTO DO BAIRRO DA MANGUEIRA
TORRE DO ZEPPELIN
CAMPO DO JIQUIÁ - 2008

Atualizado em 16/03/2012

Depois de anos de espera, finalmente, a Prefeitura do Recife anunciou a criação de um parque temático no Campo do Jiquiá. O parque, segundo informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, abrigará um planetário e um museu de ciências. Abaixo, um vídeo do JC eito durante a apresentação do projeto realizada no dia 16 de março de 2012.

INSTITUTO RICARDO BRENNAND, UM LUGAR MÁGICO

Eu sou perdidamente apaixonado pelo Recife. Amo essa cidade, mas um lugar em particular me enche de orgulho: O Instituto Ricardo Brennand. Toda vez que vou a esse lugar mágico, tenho uma surpresa diferente. Tem sempre uma imagem ou uma informação que passou despercebida na última visita. Quando você vier ao Recife, não deixe de conhecer esse lugar. Seguem abaixo algumas fotos e informações sobre esse espaço cultural riquíssimo.

ARMARIA: o núcleo de Armaria originou a Coleção Ricardo Brennand, considerada hoje, uma das maiores coleções do mundo, com cerca de 3.000 peças, fabricadas na Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Espanha, Suécia, Turquia, Índia e Japão. As armas são classificadas como de caça, guerra, proteção pessoal e exibição, defensivas e ofensivas, armaduras para cavaleiros e cavalos, com destaque para as armaduras completas com escudos, elmos, manoplas e cotas de malha, usadas pelos cavaleiros em batalhas, torneiros e justas, entre os séculos XIV e XVII.

ARTES DECORATIVAS: arte européia está representada nas coleções de Artes Decorativas, por objetos de adorno em geral e compreende inúmeras peças como castiçais, candelabros, jarros, mosaicos, vitrais e cofres miniatura. Destaque para um par de candelabros franceses black-a-moor em figura feminina, século XIX, da Fundição Barbedienne, feitas por Guillemin, em bronze dourado.

TAPEÇARIA: a coleção de tapeçarias francesas século XVIII, da manufatura Gobelin, é destaque na coleção do IRB, junto com peças das manufaturas de Flandres e Aubusson. Estas peças apresentam cenas ligadas à cavalaria, como batalhas ou consagração do cavaleiro, e também cenas religiosas, como em uma delas a presença bíblica de Salomão.

ESCULTURAS: a coleção de esculturas, reúne um conjunto de objetos de vulto, relevos e estatuária, com destaque para as peças italianas, especialmente, do atelier Romanelli de Firenze, onde a arte neoclássica se perpetuou em réplicas das principais obras do barroco italiano, como as de Gianbolonha, Bernini e outros artistas do cinquencentos.

MOBILIÁRIO: Mobiliário é destaque também na coleção do IRB, especialmente peças em estilo gótico, em carvalho e nogueira, de procedência inglesa e francesa. São móveis de descanso e guarda como arcas, aparadores, cupboard ou guarda-comida, estantes, trono e cadeiras em couro lavrado e preso por pregaria grossa de latão. O mobiliário francês está representado por uma linda escrivaninha de quarto, Bonheur-du-jour, estilo Biedermeier, século XIX. Destaque para um Arcaz mineiro de igreja, em cedro, século XVIII.

ARTES VISUAIS: a coleção de artes visuais, reunida segundo a técnica de pintura em suas diferentes composições, artes gráficas, incluindo-se gravuras e mapas, de autoria de pintores brasileiros e estrangeiros. Faz parte da coleção IRB, um conjunto de Brasiliana predominando a iconografia pernambucana de Bauch, cromolitigrafias de Schillapriz e Crals, desenhos de viajantes europeus como Rugendas e Debret que documentaram a paisagem do Rio de Janeiro. Encontramos ainda obras de artistas da escola francesa do século XIX, chamada Orientalista, pelos temas orientais retratando em cenas de dançarinas e alcovas e dela fazem parte pintores como Edouard Richiter (1844-1913), Delphin Enjolras (1857-1945) Gastón Guédy, Willianm Bouguereau (1825-1905).

Fonte: Instituto Ricardo Brennand

REINVENTANDO VELHOS SERVIÇOS – O “MODELO CHAFARIZ”

Quem conhece a história da cidade do Recife, sabe que a ocupação desse território de várzea se deu de forma desordenada e através de muitos aterros. A cidade sempre apresentou graves problemas urbanos por conta desse passado sem planejamento. Nas décadas de 60 e 70 (século XX) ocorreram muitas enchentes. A de 1975 teve proporções devastadoras. O rescaldo dessa tragédia foram as epidemias de doenças ligadas à falta de saneamento básico. Dados dessa época mostram que, de cada dez residências, apenas três tinham água encanada.

Quase todo bairro da periferia tinha um chafariz (um estabelecimento que vendia água, diferente do chafariz de praça). A distribuição de água era feita em carroças puxadas a cavalo. Essa é uma realidade de apenas trinta anos atrás. O carroceiro ia de porta em porta e vendia a água em latas (de manteiga ou de tinta adaptadas como recipientes) de 20 litros, com um suporte de madeira que servia de alça (foto acima). A mão suja do trato com o cavalo da carroça entrava em contato com a água. Essa conjugação de fatores ajudava a disseminar doenças pela periferia.

Água encanada era um luxo. Por conta disso, de tempos em tempos, a secretaria de saúde realizava vacinação em massa. Quase todo morador da periferia (e de muitos bairros nobres do Recife) ostentava uma marca de vacina no braço. Os agentes da SUCAM (Superintendência de Campanhas de Saúde Pública) eram vistos pelas crianças como terroristas. Chegavam aos bairros sempre depois das 22h (a filariose ataca nesse período noturno) para fazer exames. Eram chamados de “fura dedo”. No final da década de 70 o governo de Pernambuco, enfim, popularizou o acesso à água tratada. A malha de distribuição de água foi ampliada. Os chafarizes foram abolidos. Entretanto, 25 anos depois do quadro acima descrito, o “Modelo Chafariz” voltou a ser utilizado na Cidade do Recife. A água tratada não é de boa qualidade, o gosto é horrível.

Os pernambucanos, sobretudo do grande Recife, passaram a consumir água mineral. A partir da década de 90 Recife passou a ser a cidade, no Brasil, que mais consome água mineral engarrafada. E o tal “Modelo Chafariz”? Bem, a carroça foi substituída pela bicicleta e pela moto. A lata de 20 litros foi substituída pelo garrafão de plástico (também de 20 litros) e o chafariz deu lugar às grandes fontes distribuidoras. É a renovação de um velho serviço. Água para quem tem sede!