QUANTUM OF SOLACE - GOD SAVE THE BOND


Sempre fui fã do James Bond, aprendi com meu pai. Vi vários filmes do 007 nas inúmeras reprises, das madrugadas, na tevê. No cinema vi todos com o Roger Moore, o segundo melhor a encarnar o famoso agente britânico (dizem). Outro dia, de tanto ouvir meus alunos falarem, fui ver o “Quantum of Solace”, segundo filme do novo James Bond, Daniel Craig. O cara é tudo, menos James Bond. Várias cenas me lembraram o “Duro de Matar”. O charme do personagem se dilui completamente nas intermináveis cenas de ação. É preciso ter muito fôlego e paciência para acompanhar. Você percebe que o James Bond mudou para pior quando “M”, personagem da Judi Dench, suplica: “por favor, faça um esforço para não matar ninguém”. Mas ele sempre mata, mata friamente.
O que escrevo aqui, falei com alguns amigos que, de imediato, chamaram-me de velho. Alardearam que James Bond está adequado aos tempos atuais, à “linguagem do cinema atual”. Sou analfabeto nesse assunto, mas argumentei que seria estranhíssimo ver o Ben-Hur dilacerando cabeças e sorrindo depois de cravar uma espada no peito de um infeliz qualquer. O mítico personagem perderia o brilho. “Quantum of Solace” é um espetáculo visual, não é cinema. Transformaram James Bond num matador de aluguel sem charme nem carisma. Não sou radical, assisto a todo tipo de filmes. Mesmo assim, vendo esse “novo” James Bond, senti-me como se estivesse vendo um filme com o Carlitos falando ou Super-Homem atirando em bandidos. Gostei não!

DIFÍCIL É SER DIFERENTE

Outro dia, minha filha mais nova me falou: “minhas amigas ouviram meu Mp4 e não gostaram de nenhuma música”. Perguntei o porquê e ela falou: “elas ouvem brega, swingueira (o que será isso?) pagode. Fiquei felicíssimo! Nem tudo está perdido. Já escrevi aqui que me acostumei aos guetos e o amigo Grijó, do Ipsis Litteris, corrigiu-me dizendo que os pequenos grupos, que gostam de coisas de que a maioria não gosta, não são guetos, mas focos de resistência. Seja como for, a realidade é essa. As pessoas vão sempre estranhar que você não goste daquele cantor que aparece no Faustão, ou daquele sensacional intérprete que ganhou o concurso do Raul Gil. Você vai ser sempre o diferente. Claro, não falei essas coisas para minha filha mas ela vai descobrir com o tempo. Dei como exemplo a música, mas esse modelo aplica-se a todos os segmentos da cultura. Agora, uma coisa é certa: para ser diferente é preciso ter personalidade forte e muito, muuuuuuuuuuuito saco para aguentar a chateação dos outros!

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NÃO, NÃO FOI UM SONHO, O IRON MAIDEN VEIO MESMO AO RECIFE

No início da década de oitenta Recife estava longe do circuito dos grandes shows de rock. Que eu me lembre, tivemos por aqui apenas o showzaço do Rick Weikman acontecido em 1981. Eu e meus amigos ficávamos a pensar: “quando o Iron Maiden virá ao Recife?” Bom, depois de quase trinta anos o grande dia chegou. Acordei ansioso quase não acreditando que a minha banda de have preferida, com sua formação clássica (Bruce Dickinson no vocal), tocaria logo ali, do lado da minha casa. O Iron Maiden é uma lenda viva do rock dito pesado. Tem uma legião de fãs pelo mundo afora. Nas ruas em torno do jóquei clube, local do show aqui no Recife, dezenas de ônibus de todo o Nordeste. Muita gente acampou em frente ao local. A turma de preto invadiu a cidade.

O show? Sensacional! Antes teve um "shouzinho" de abertura com a filha de Steve Harris, o baixista do Iron. Apresentação chinfrim, mas ela é a filha do “home”, aí a turma dá essa colher de chá. Mas quando o Iron subiu ao palco, agradeci por estar ali! Que show! Com o palco ainda escuro eles tocaram um trecho de Transylvania. Mas a abertura, de fato, aconteceu de forma apoteótica com Aces High, literalmente uma explosão. A banda continua com o mesmo gás. O grande destaque, claro, foi a garganta potente de Bruce Dickinson. Quem conhece a história dessa banda sabe que a saída de Paul Dianno e a entrada de Bruce Dickinson foi um divisor d’água. E o Dave Murry? Dentre as três guitarras do Iron, a dele se sobressai. É o eixo central de todos os solos. Meu amigo Mané, que assistiu ao show do meu lado, por várias vezes me alertou sobre o virtuosismo desse cara. Foram duas horas de puro êxtase. Que venham outros dinossauros! Segue um vídeo com a abertura do show gravado do meio da galera, dá para sentir o real clima do show.