A INVENÇÃO DA CULTURA JOVEM

Republicação em homenagem a J. D Salinger, falecido hoje aos 91 anos.

Quando falamos em cultura jovem lembramo-nos, de cara, das inúmeras tribos que existem pelo planeta afora. Sim, tudo isso faz parte da cultura jovem, mas reduzi-la a movimentos urbanos (efêmeros) de rebeldia, chega a ser um desrespeito. Até o inicio da década de cinquenta o “pensar” e o “agir” , dos jovens, eram vistos como coisas pequenas e sem importância. Um dos marcos que ajudaram a mudar essa forma errônea de tratar o comportamento jovem foi, sem dúvida, o livro “O Apanhador No Campo de Centeio”, do escritor americano J.D Salinger. Escrito no final da década de 40, essa obra trata a adolescência como uma fase importante da vida, que merece atenção e respeito. Holden Caulfield, o personagem central da narrativa, virou um ícone e o livro do Salinger é, até hoje, obrigatório nas escolas americanas.

Eu li o Apanhador exatamente na minha adolescência. Cheguei a esse livro, não por razões literárias, mas porque está ligado a uma tragédia. Em 1980, no dia 08 de dezembro para ser mais preciso, Mark Chapman assassinou John Lennon, sentou-se na calçada do edifício Dakota e foi ler o “Apanhador No Campo de Centeio”. Curioso, fui conferir a obra.

A década de 60 (século XX) marcou, definitivamente, a explosão da cultura jovem. Os protestos, a rebeldia, a contracultura e o exagero. Na tevê esse processo foi mais lento. Veja o exemplo dos seriados. Até o início da década de 70, o que se via eram produções que abordavam viagens ao espaço (tema em voga, na época), viagens no tempo, mágica, fantasia. Pouco se falava dos problemas enfrentados pela juventude. Até que em 1972, a CBS produziu a série “The Waltons”, um drama que abordava o cotidiano de uma família americana, do estado da Virgínia, na época da grande depressão. Por que é um marco? Bom, primeiro, porque tratava de assuntos reais, os dramas de uma família. Segundo, porque davam grande ênfase aos problemas da juventude: religião, sexualidade, questões políticas. Earl Hamner, Jr, o criador da série, inovou e entrou para a história da tevê.

A importância da cultura jovem, hoje em dia, é medida através de cifras. Mas, da mesma forma que os pioneiros que citei acima, fizeram história, podemos passar por cima dessa triste realidade e fazer a diferença. Segue abaixo a abertura original da série "The Waltons".

30 ANOS DO MUSICAL FAMA E UM INOPORTUNO REMAKE

Um clássico do cinema pop da década de 80, “Fama” (Fame), de Alan Parker, completa trinta anos com status de cult. Concebido sem grandes pretensões, o filme inovou na linguagem e acabou arrebatando dois Oscars: melhor trilha sonora e melhor canção original. Gravado quase que totalmente na lendária “New York High School of Performing Arts” - escola onde Madona estudou dança - o filme mostra a trajetória dos estudantes de artes do início ao fim do curso. Esse foi o grande lance dessa produção.

A história é dividida em sessões que correspondem as audições dos alunos (freshman, sophomore, junior e senior years ). O público acompanha passo a passo as angústias, alegrias, o sucesso e o fracasso de diversos alunos. A trilha sonora, assinada por Michael Gore, tem como grandes destaques a cantora Irene Cara que fez uma releitura memorável da canção "Out Here on My Own" , de Nika Costa, e Paul McCrane que emplacou o super hit "Is It Okay If I Call You Mine?.

Assim como outros filmes de sucesso, Fama ganhou um remake (confira aqui o trailer). Entretanto, o novo filme optou por uma versão pasteurizada totalmente direcionada para um público teen e visivelmente priorizando o aspecto mercadológico. O remake assinado pelo coreógrafo Kevin Tancharoen, é protagonizado por Megan Mullally, Kelsey Grammer, Charles Dutton, Bebe Neuwirth e Debbie Allen . Da trilha sonora original, restaram apenas as canções “Fame” e "Out Here on My Own" que tiveram duas versões que não merecem crédito.

Abaixo, a clássica cena em que Irene Cara faz uma estupenda releitura (voz e piano) de "Out Here on My Own". Deleite-se:

DIALOGANDO COM A CANÇÃO

Epitáfio (Sérgio Brito)

Devia ter amado mais

Ter chorado mais

Ter visto o sol nascer

*Devia mesmo. Amei pouco, quase nada. Já o choro, sempre correu solto comigo, mas sempre chorei escondido. Vi o sol nascer inúmeras vezes. Cada vez foi diferente da outra. A aurora é um fenômeno que se renova todo dia.

Devia ter arriscado mais

E até errado mais

Ter feito o que eu queria fazer...

*Arrisquei pouco, essa é uma das minhas frustrações. Deixei o tempo passar achando que em algum momento as coisas aconteceriam como na tv. Errei pouco porque arrisquei pouco. Pequei por omissão, devia mesmo ter feito o que eu queria fazer

Queria ter aceitado

As pessoas como elas são

Cada um sabe alegria

E a dor que traz no coração...

*Aí eu acertei a vida inteira. Nunca alimentei a ilusão de querer mudar alguém. Alegria e dor são sentimentos particulares. Alguns sorriem de situações que nos outros causam lágrimas. As pessoas, felizmente, são diferentes.

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar...

*Ficar ao sabor do acaso combina com a minha aura de incrédulo. Não é fácil, mas é um caminho. Acredito que as coisas acontecem independentemente da fé ou da ausência dela.

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Ter visto o sol se pôr

*Quem me conhece agora, acha que trabalhei muito. Que nada. Até os vinte e oito anos eu vivi de luz. Alimentava-me dos acordes do meu violão, que encobriam os gritos do meu pai e curavam minha tristeza.

Devia ter me importado menos

Com problemas pequenos

Ter morrido de amor...

*Nunca me importei com as chatices do dia-a-dia. Tem gente que se irrita e perde o dia apenas porque o arroz grudou na sandália ou porque o creme dental estava sem tampa. Nunca fui assim! Morrer de amor? Isso não é pra mim (nem pra ninguém).

Queria ter aceitado

A vida como ela é

A cada um cabe alegrias

E a tristeza que vier...

*Aceitar a vida como é, soa como comodismo pra mim. Esse erro eu cometi. Briguei pouco (quase nada) pelos meus sonhos. Isso faz você envelhecer duas vezes mais que os outros.

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar..

Devia ter complicado menos

Trabalhado menos

Ter visto o sol se pôr...

BREVE COMENTÁRIO SOBRE O BIG BROTHER BRASIL

O Big Brother Brasil chega à décima edição tendo como ponto central o conflito. A produção escalou participantes polêmicos e excluiu a inclusão na casa através do sorteio. Isso impedia a escolha do perfil, já que qualquer um poderia sorteado. Para ocupar essas duas vagas, a produção do BBB resgatou antigos participantes que tiveram a chance de voltar à casa numa prova em que dependiam dos novatos para confirmarem o regresso.

O que se verificou, depois de duas semanas de programa, é que a produção do BBB 10 resolveu explorar a face negra dos indivíduos. Em uma das provas os participantes tiveram que pichar a foto dos concorrentes para eliminá-los. O resultado, claro, foi o conflito. Muitos se sentiram ofendidos por terem seus rostos pichados e revidaram. Após a realização da prova continuaram os comentários e os ânimos foram acirrados.

No domingo passado, o BBB começou a sortear automóveis para os telespectadores que ligaram para o programa. Até aí tudo bem. Entretanto, um detalhe do sorteio revelou o verdadeiro intuito da produção: para ganhar o carro, o sorteado teria que delatar um dos BBB's entregando seu voto do paredão. Assim foi feito. Dicesar, que votou na “amiga” Tessália, teve o voto revelado em público. Obviamente a delação rendeu mais um conflito.

A grande diferença, entre essa edição e as anteriores, é que a produção do programa está criando situações que induzem os participantes ao conflito. Por quê? Muito simples: os melhores índices de audiência foram registrados justamente quando aconteceram barracos. Como o que move o programa é a audiência, essa fraqueza humana continuará sendo explorada em cadeia nacional.

BAADER-MEINHOF E O SONHO DA LUTA ARMADA

A primeira vez que ouvi falar do grupo guerrilheiro “Baader-Meinhof” foi em 1985, ouvindo Baader-Meinhof Blues, da Legião Urbana. Duas frases dessa canção ficaram marcadas em minha mente: “A violência é tão fascinante” e o sensacional trocadilho “Não estatize meus sentimentos, pra seu governo, o meu estado é independente”. Dias depois, pesquisando, seria apresentado à sensacional história da “Facção Exército Vermelho”, o RAF (Rote Armee Fraktion).

Acostumado com o estereótipo de que os alemães são sempre os bandidos, custei a acreditar que um grupo paramilitar alemão pudesse lutar contra a ideologia nazi. Como a maioria das organizações, que partiram para a luta armada, o RAF teve suas raízes nos movimentos estudantis. No início da década de 60 (século XX), grupos de estudantes, simpatizantes da extrema esquerda, começaram a se organizar para protestar contra a pobreza nos países do Terceiro Mundo e contra o que eles chamavam de “rejeição do passado”, a grande relutância da sociedade alemã em aceitar o passado nazista, tão contestado no mundo ocidental. Além do mais, segundo os estudantes, a política praticada naquela época, na Alemanha Ocidental, tinha muitas semelhanças com o passado nazista.

O primeiro grande conflito registrado entre os estudantes de esquerda e a polícia, ocorreu no dia 02 de junho de 1967. Durante um frustrado protesto contra a visita de um xá do Irã ao Ópera de Berlim, houve um grande tumulto e o estudante Benno Ohnesorg foi morto por um policial. Esse trágico incidente, para muitos, marcou definitivamente o início do RAF.

Um ano depois do incidente no Ópera de Berlim, a estudante Gudrun Ensslin e seu namorado, o também estudante Andreas Baader, deram início à luta armada. As primeiras ações aconteceram em Frankfurt onde, ajudados por Horst Söhnlein e Thorwald Proll, detonaram bombas incendiárias que provocaram apenas danos materiais. Esses primeiros atos terroristas renderam ao grupo uma condenação de três anos em 1968. Os quatro foram libertados por meio de um recurso mas, em 1969, o Tribunal Federal ordenou que o grupo regressasse à prisão. Apenas Horst Söhnlein acatou a decisão.

Agora na clandestinidade, Baader e Ensslin conseguem a adesão do advogado Horst Mahler e do jornalista Ulrike Meinhof . Na primeira ação do novo grupo, Andreas Baader foi preso. No dia 14 de maio de 1970, o RAF conseguiu libertar Baader do instituto onde ele estava detido. Na ação, dois funcionários foram feridos à bala. A partir desse momento, a imprensa passou a se referir ao RAF como “Grupo Terrorista Baader-Meinhof”, numa referência direta aos dois guerrilheiros.

Cronologia da extinção do RAF

*1970: o RAF recebe treinamento militar na Jordânia orientado pela Frente Popular para a Libertação da Palestina.

*1971: Jan-Carl Raspe, Marianne Herzog e Ali Jansen passam a integrar o RAF

*1972: Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Ulrike Meinhof, Holger Meins, Jan-Carl Raspe e Igmard Möller são presos e iniciam uma greve de fome.

*1974: Holger Meins não resiste e morre.

*1975: Começa o julgamento do RAF, conhecido como “Julgamento de Stammheim”.

*1976: Ulrike Meinhof foi encontrada morta em sua cela, enforcada com uma toalha. Supostamente, teria se enforcado. Essa versão é contestada até hoje.

*1977: Andreas Baader, Gudrun Ensslin, Jan-Carl Raspe e Igmard Möller são considerados culpados por crimes de terrorismo.

*18 de Outubro de 1977: Andreas Baader, Gudrun Ensslin e Jan-Carl Raspe foram encontrados mortos, com ferimentos à bala. Igmard Möller, também ferida, sobreviveu. As autoridades declararam que se tratou de um suicídio coletivo. Versão, obviamente, contestada até hoje.

*1994: Igmard Möller é libertada e vive no anonimato até os dias de hoje.

Declarações de Igmard Möller revelaram que as mortes na prisão foram todas articuladas pelas autoridades alemães como represália aos ataques terroristas do RAF. O sonho de mudar o mundo através da luta armada, mais uma vez, não teve êxito. A violência, enfim, parece não ser tão fascinate.

Para melhor compreensão da saga do Baader-Meinhof, recomendo o ótimo filme do Uli Edel, “Der Baader Meinhof Komplex” , que retrata com fidelidade essa intrigante história.

POR ONDE ANDAM AS CHACRETES?

Outro dia, navegando pela web, dei de cara com uma foto do Chacrinha ladeado por suas famosas Chacretes. Confesso, fui tomado por uma nostalgia que me remeteu ao passado. Sempre fui fascinado pelo universo anárquico do Velho Guerreiro e, por tabela, pela beleza das Chacretes. O sucesso dessas dançarinas de palco era tão grande que o termo “chacrete” tornou-se uma forma genérica para designar toda e qualquer dançarina de palco. Bastava aparecer uma bela mulher dançando num programa de tevê, alguém sempre falava: “olha lá uma Chacrete”.
Elas eram mais do que dançarinas, eram verdadeiros ícones da sensualidade numa época em que esse assunto ainda era um tabu na tevê. Chacrinha sabia disso e usava e abusava da beleza das meninas. Quando algum cantor romântico se apresentava ele sempre dava um jeito de jogar uma Chacrete em cima do cidadão. A plateia (e o cantor) adorava.
Ao longo de quase três décadas de programa, muitas histórias envolvendo as Chacretes, e algumas celebridades, circularam nos bastidores e são lembradas até hoje. Recentemente, por ocasião do lançamento do documentário “Alô, alô, Terezinha!” de Nelson Hoineff, a ex-Chacrete, “Vera Furacão” revelou que teve um caso com o empresário “Silvio Santos”: “Nós tivemos um lance em 1971. Como dizem agora, ‘ficávamos’. Na época, ele era um simples apresentador da TV Globo e não estava casado. Namoramos, mas não me apaixonei. Ele era louco por loura e brigamos, porque descobri que ele saía com mais duas Chacretes ao mesmo tempo, Soninha e Sandra Mattera. Ele era muito namorador”. Para aumentar mais ainda a polêmica, Vera declarou que rompeu com Silvio porque ele não era bom de cama.
Dentre todas as Chacretes, a mais polêmica, sem dúvida, foi Rita de Cássia Coutinho, 55 anos, mais conhecida como “Rita Cadilac”. Ela, na verdade, continua a polemizar. Depois que deixou o ofício de Chacrete, enveredou pelo mundo da música, fez shows em presídios e, mais recentemente, filmes pornôs. Quem viveu a época das pornochanchadas deve lembrar que ainda quando Chacrete, ela fez vários filmes desse gênero. Rita Cadilac é uma espécie de diva no universo trash brasileiro.
O ambiente de glamour e sensualidade em que viviam as Chacretes contrasta com o esquecimento com que a maioria delas tem que conviver nos dias de hoje. Elas raramente são lembradas, muitas desempenham funções subalternas e não aceitam mais aparecer em público. Confira abaixo, como estão algumas das mais famosas Chacretes hoje em dia:


Clique aqui e acesse as comunidades no Orkut de mais de 60 Chacretes.
Clique aqui e acesse o blog As Chacretes, um memorial dedicado as dançarinas do Chacrinha.

ELVIS PRESLEY – 75 ANOS

Eu nunca considerei Elvis o rei do rock. Esse, para mim, é um título mercadológico. Entretanto, seria tolo se negasse a importância que esse mitológico artista tem para a história do rock mundial. Apesar da pose de mauricinho, no início da carreira, Elvis transgrediu mais do que imagina a vã filosofia dos críticos. Afrontou a reacionária, tradicional e racista sociedade sulista estadunidense da década de 50 (século XX).

Na verdade, ele traiu essa sociedade. Elvis começou sua carreira ostentando o símbolo do “bom moço”. Na sua primeira gravação – a lendária historinha do disco de acetato da Sun Rcords - fez uma homenagem a sua mãe e depois, já famoso, largou tudo e se alistou no exército. Seu rebolado e sua presença de palco excessivamente (para a época) sensuais, desmontariam a égide de bom moço.

Não chegou a ser um bad boy - esse papel ele deixou para o transloucado Jerry Lee Lewis, também sulista – mas sofreu críticas e foi perseguido pelas carolas. Quem quiser saber de onde veio esse rebolado e essa aura de rebeldia, corra para o mapa dos Estados Unidos e localize a pequena cidade de Tupelo, nordeste do estado do Mississipi. Foi ali que nasceu Elvis Aron Presley, em 1935. Para os desavisados, o Mississipi é o coração da música negra estadunidense. É dessa origem negra que vem a rebeldia e a mise-en-scène dele.

Elvis Presley é o número um em vários critérios: é recordista em hit's na parada estadunidense, é o artista morto que mais vende no mundo inteiro e o mais cultuado. Ninguém tem mais covers do que ele. O estranho é que os imitadores eternizaram a imagem do Elvis decadente, acima do peso e usando roupas extravagantes. A pior fase do “Rei do Rock”, o momento em que ele vivia problemas de saúde e pessoais, virou um estereótipo copiado nos quatro cantos do planeta até os dias de hoje.

Se vivo, Elvis Presley completaria amanhã, dia 08, 75 anos. Difícil imaginá-lo com essa idade. Abaixo, um vídeo da melhor fase dele na minha opinião:

BORIS CASOY, RUBENS RICUPERO E AS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

No dia 31 de dezembro de 2009, o Jornal da Band, no seu encerramento, mostrou um grupo de garis desejando feliz ano novo para o povo brasileiro. Sem saber que o áudio ainda estava aberto, o âncora Boris Casoy fez o seguinte comentário: Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros, o mais baixo da escala do trabalho”. Essa infeliz declaração, carregada de preconceito, circulou pelos principais sites e redes sociais da internet.

A repercussão foi tanta, que o jornalista viu-se obrigado a pedir desculpas no ar. Mas o seu “pedido de desculpas” foi motivo para mais críticas. Quando todos esperavam por uma retratação pública, Boris Casoy veio com essa: Ontem, durante o programa, eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Eu peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores”. Mais uma vez a repercussão foi negativa, mas, o jornalista manteve-se firme e, em entrevista à Folha de São Paulo, lamentou apenas o fato do áudio ter vazado, não a infeliz declaração.

O episódio protagonizado por Boris Casoy, foi muito parecido com o caso conhecido como “Escândalo da Parabólica”, em que o áudio e as imagens de uma conversa informal entre o Ministro Rubens Ricupero e o jornalista Carlos Monforte (cunhado do Ricupero) foram captados por antenas parabólicas e vazaram. Um militante do PT gravou em Brasília e distribuiu para as tevês. Na conversa, o Ministro revelou várias manobras do governo Itamar Franco para manipular a opinião pública e beneficiar a candidatura de Fernando Henrique Cardoso. Desse episódio, ficou marcada uma frase dele: "Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".

O interessante é que na cobertura do “Escândalo da Parabólica” o então âncora do TJ Brasil (SBT), Boris Casoy, ironizou o fato: “Satanás está à solta nas tevês brasileiras”. Uma década e meia depois, o jornalista incorreria no mesmo erro. Os desafetos de Boris Casoy, que sempre acentuaram a sua inclinação nitidamente direitista, aproveitaram para relembrar antigas acusações feitas a ele. Segundo o escritor Altamiro Borges (A Ditadura da Mídia - Editora Anita Garibaldi), em 1968 a Revista “O Cruzeiro” acusou Boris Casoy (na época estudante do curso de jornalismo da Mackenzie) de ser militante do “CCC”, o Comando de Caça aos Comunistas. Boris Casoy também carrega a mácula de ter sido secretário de imprensa no governo biônico de Abreu Sodré (SP) e assessor de imprensa do Ministério da Agricultura no governo Médici, uma das fases mais negras da ditadura militar do Brasil.

Depois do episódio dos garis, o conhecido bordão do Boris Casoy ecoou pelos quatro cantos (virtuais) da rede: “Isso é uma vergonha!”. As voltas que o mundo dá!

O Escândalo da Parabólica

ENCICLOPÉDIA URBANA: AS TRIBOS

Quem vive em cidade grande está acostumado a se deparar com grupos de jovens que compartilham, entre outras coisas, de uma ideologia (às vezes questionável, é certo), um modo de vestir e agir. São as chamadas tribos urbanas, um fenômeno social alimentado, na maioria das vezes, pelas injustiças da sociedade capitalista.

Existe um ponto que é comum a quase todas as tribos sociais: a liberdade. Na maioria dos discursos é possível encontrar uma palavra de ordem que brada contra qualquer tipo de controle social. Contraditoriamente, a maioria desses grupos impõe aos seus signatários um rígido controle: a música ouvida e os modos de vestir, falar e pensar, são absolutamente padronizados. Quem destoa, é expulso. Conheça, abaixo, as principais tribos urbanas de todos os tempos:

Skinheads: é uma subcultura nascida na Inglaterra entre os jovens brancos de classe média e classe média alta, a partir da década de 80. Originalmente, os skinheads não estavam ligados a movimentos xenófobos. A mudança ocorreu quando os cabeças raspadas juntaram-se a grupos neonazistas. A estética skinhead apresenta um estilo característico de se vestir: usam coturnos, suspensórios e camisetas. Praticam musculação, o que caracteriza um excessivo culto à virilidade.

Clubber: termo surgido na década de 90 usado para designar os frequentadores de danceterias especializadas em Techno, um estilo de música eletrônica. Os clubbers, em geral, vestem-se de maneira extravagante exagerando nas cores e no brilho.

Grunge: foi um movimento musical independente nascido na cidade de Seattle, Estados Unidos, no início da década de 90. Alguns sites classificam esse “movimento” como algo inventado pela mídia interessada em promover a cena musical de Seattle. Seja como for, a onda grunge correu o mundo e mais uma tribo urbana ganhou vida. A estética grunge exaltava a melancolia e a depressão. O maior ícone do movimento grunge foi o vocalista da banda Nirvana, Kurt Cobain, que se matou em 1994.

Nerd: é uma forma pejorativa de se designar uma pessoa extremamente intelectualizada. No Brasil os nerds também são chamados de CDF, abreviação da expressão “cu de ferro”, usada para designar pessoas que passam longas horas sentadas estudando. Hoje em dia, o termo nerd perdeu quase que totalmente o seu caráter pejorativo, já que as pessoas que se enquadram nesse estilo se assumem como tal.

Metaleiro: termo usado para designar os fãs do estilo musical heavy metal entre as décadas de 70 e 80. Também conhecidos por “headbangers”, hoje em dia os metaleiros são vistos como uma tribo decadente e ultrapassada. Foram os metaleiros que criaram a saudação em forma de corneto muito usada até hoje nos shows de rock pesado.

Indie: O termo nascido da abreviação de “independent” refere-se à indústria pop que se estruturou paralela às grandes empresas do ramo. Toda e qualquer atividade, do mundo das artes e do entretenimento, que se sustenta de forma independente é chamada de indie.

Hippie: movimento surgido em 1965 na cidade de São Francisco que pregava, entre outras coisas, uma sociedade alternativa. O movimento ganhou força com o surgimento dos beatniks, um grupo, de escritores e artistas, que exaltava e copiava a estética hippie. No Brasil, o movimento hippie sofreu distorções e era constantemente associado à vagabundagem.

Gótico (versão pop): nascida no início da década de 80, a cultura gótica está intimamente ligada a um estilo musical da mesma década. Influenciado pelo niilismo e pelo hedonismo, o movimento exalta temas normalmente evitados pela sociedade: tristeza, morbidez, depressão e outros. Os góticos vestem-se sempre de preto, usam maquiagem e cabelos extravagantes.

Emo: nascido da abreviação de “emotional”, o termo surgiu na capital dos Estados Unidos, Washington, para designar bandas de rock que faziam uma música carregada de lirismo. No início da década de 90 a estética emo já havia se difundido pelos Estados Unidos e pela Europa. A partir de então surgiram muitas outras tribos derivadas dessa estética. O emo é facilmente identificado pelo cabelo – geralmente uma franja caída sobre os olhos – e pelo comportamento excessivamente emotivo.

Punk: o movimento punk surgiu nos subúrbios de Londres em meados da década de 70. Filhos de operários começaram a se reunir para criticar e protestar contra o que eles chamavam de “decadência social inglesa”. Várias bandas de rock surgiram nessa época fazendo uma música de poucos acordes e letras de protesto. O movimento cresceu sob a articulação do produtor Malcolm McLaren.