FLAGRANTE: TORCEDORES DO SANTA SURFANDO EM ÔNIBUS





As imagens acima foram clicadas, por mim,  hoje a tarde, no bairro da Torre. Dois garotos, aparentando uns 16 anos, se arriscaram dançando em cima de um coletivo expresso que se dirigia para o estádio do Arruda. Durante a “brincadeira” os dois quase foram atingidos por um galho de árvore (última foto). Absurdo!

MÃES DA PRAÇA DE MAIO COMPLETAM 34 ANOS


Há exatos 34 anos, um grupo de catorze donas de casa resolveu sair as ruas para protestar contra o desaparecimentos dos seus filhos durante a ditadura militar argentina. Imagine a situação: muitos dos que protestaram contra a violenta ditadura argentina foram classificados como subversivos e como punição, perderam a guarda dos seus filhos. Muitas dessas crianças, por terem sido levadas ainda muito pequenas, sequer sabem que foram adotados por força de um ato arbitrário dos ditadores.

O foco dos protestos, iniciados no dia 30 de abril de 1977, era a Praça de Maio, coração de Buenos Aires. Por isso o grupo ficou conhecido como “As Mães da Praça de Maio”. O movimento, rapidamente ganhou força e se tornou uma referência internacional na luta pelos direitos humanos. O filme “La Historia Oficial”, que retrata esse episódio negro da história recente da Argentina, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1986. Confira, abaixo, o trailer e reverenci as Mães de Praça de Maio:

ARQUEOLOGIA YOUTUBEANA VOL. 02 - GANG 90 NO CASSINO DO CHACRINHA



Sobre a Gang 90
Banda de pop-rock new wave liderada pelo compositor e ensaísta Júlio Barroso, despontou em 1981 no festival MPB-Shell, da TV Globo. Misturando referências tropicalistas, modernista-antropofágicas e de discoteca, o grupo ficou conhecido primeiramente com a música "Perdidos na Selva", lançada em compacto pelo selo Hot, em 1981. Dois anos depois, com formação um pouco diferente, veio o LP "Essa Tal de Gang 90 & Absurdettes", com o "hit" "Nosso Louco Amor", tema de novela global.

Logo depois o grupo se desfez, os integrantes seguiram suas próprias carreiras ou foram para outras bandas. Em 1985 ainda saiu o disco "Rosas & Tigres", com uma formação completamente diferente da original. Sua formação era Júlio Barroso, Alice Pink Punk, Mae East, Lonita Renaux, Luíza Maria, Wander Taffo, Guilherme Arantes, Lee Marcucci, Gigante Brasil, Herman Torres, Otávio Fialho, Luiz Paulo Simas, Taciana Barros, Beto Firmino, Gilvan Gomes, Paulo Le Petit e Curt.  (Clique Music) 

SERIA O COMEÇO DO FIM DO ACESSO LIVRE NA INTERNET?

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Circula, hoje, pela rede, a notícia de que em apenas um mês após iniciar a cobrança do acesso ao seu conteúdo digital, o New York Times atingiu a marca de 100 mil assinantes. A maioria dos jornais pelo mundo afora adota a política das mensagens curtas afim de atrair leitores assinantes para o conteúdo completo da página. Os sites disponibilizam pequenos resumos e quando os leitores tentam expandir o post, vem a indefectível mensagem: “Conteúdo restrito a assinantes”.

Essa parece ser uma tendência em quase todas as vertentes da rede. A Google tentou sair na frente criando uma interface para aglutinar páginas, o “Google Wave”. Uma espécie de caderno pessoal onde o internauta junta todas as páginas que frequenta e suas redes sociais. Eu fui um dos milhares que se inscreveu para testar a novidade. Ganhei um convite, criei uma “wave” (Wave Post Séries – foto acima) temática sobre seriados de tevê, mas a ideia da Google não pegou. Entre outras coisas, a ferramenta tem defeitos grosseiros como não poder desfazer um erro e deixa o pc muito lento. O Google Wave ainda está ativo apesar de seu cancelamento já ter sido anunciado.

Ao que parece, a ideia de uma interface única está voltando a ganhar força. O grande problema (para os internautas) é que a composição dessas páginas se dará através do conteúdo pago. Você cria seu espaço e assina um site de downloads, os jornais que lê, os blogs que visita, os sites de streamings, as redes sociais e etc. Imagine ter que assinar até os sites de busca? O fato é que, aos poucos, o território livre da internet começa a ser loteado.

ARQUEOLOGIA YOUTUBEANA VOL. 01 - O ELEFANTE - ROBERTINHO DE RECIFE



Inaugurando mais uma coluna no blog, reservei um espaço para postar os resultados das minhas “garimpagens” pelo Youtube. Para começar, um resgate da década de 80: Robertinho de Recife e Emilinha cantando “O Elefante”, um grande hit da época, no programa dos Trapalhões. Confira.

EXERCÍCIO DE ANALOGIA: A UFPE E O FEUDALISMO


Faço parte de uma confraria  chamada “Templários”, de vez em quando nos reunimos no Mercado da Boa Vista para trocarmos ideias sobre cinema, música (antiga, claro), seriados de tevê, futebol e educação. Todos do grupo são ex-alunos do curso de Geografia da gloriosa UFPE. Sempre que o assunto “mestrado” vem à tona, todos são taxativos: “existe uma panelinha”.

Vários outros amigos de diferentes formações, também oriundos da Federal de Pernambuco, têm a mesma opinião. Os cursos de mestrado, de maneira geral, funcionam como feudos, sociedades fechadas onde só entra quem atende a determinados critérios. O primeiro é o da idade. Obviamente isso não é declarado abertamente, mas quase todos os departamentos usam o  PET (Programa de Educação Tutorial) como trampolim para o mestrado. Como existe uma idade limite para ingressar nesse programa, essa porta de entrada para o mestrado segrega os alunos fora de faixa.

Quem não participa do PET, normalmente, acaba adotando comportamentos que jogam a dignidade no lixo. Cansei de ver amigos meus rastejando aos pés de professores, praticando uma espécie de “vassalagem acadêmica” para terem um orientador ou uma carta de apresentação. Muitos se transformaram de tal maneira que, sequer, voltaram a frequentar os mesmos grupos de amigos. Triste!

Nos cursos de especialização, que são pagos e geram renda para os departamentos, esse tipo de problema quase não existe. Se você tem o dinheiro da mensalidade, estuda tranquilamente. Há muito tempo se discute o problema do nepotismo nas universidades publicas do Brasil. É muito comum a presença de parentes, amigos de professores e de funcionários ligados ao departamento nos cursos de mestrado e doutorado. Eles são aprovados nas “seleções” com extrema facilidade.

Enquanto isso, quem não tem um pistolão ou qualquer vínculo com o “senhor feudal” que comanda o departamento pena com o projeto debaixo do braço. O que fazer? Ora, se a universidade é pública, o ingresso nos cursos de pós-graduação tem que ser feito por meio de uma concorrência imparcial, aberta e sem julgamentos subjetivos. Sei que a análise dos pré-projetos é subjetiva, mas ela não precisa ser nominal. Assim como nas concorrências públicas, eles podem ser analisados, identificados por um número, por uma banca imparcial. Alguma coisa tem que ser feita para resgatar os cursos de pós-graduação das mãos dos senhores feudais.

É absolutamente surreal observar que pessoas oriundas das classes mais baixas pagam mensalidades altas em universidades particulares enquanto a elite abarrota as universidades públicas. Dirão os otimistas: “Mas os pobres estão entrando nas universidades públicas”. Sim, estão. Os cursos de licenciatura estão abarrotados de pobres porque ninguém mais quer ser professor. E mesmo nesses cursos o inalienável direito de concorrer em condições de igualdade com os "outros" na seleção de mestrado e doutorado é um sonho a ser alcançado. Lutemos!

AS TELENOVELAS "FORDISTAS"

Nos últimos meses vários nomes importantes da teledramaturgia brasileira têm soltado farpas na rede contra o atual modo de produção das telenovelas, sobretudo da Globo. Lauro César Muniz (Salvador da Pátria, Roda de Fogo, O Casarão, Escalada), 73 anos, afirmou em entrevista recente que a telenovela se “industrializou” e, por isso, perdeu em qualidade. Segundo Lauro, as novelas da Globo adotaram o sistema “fordista” de produção em série, abdicando, quase que totalmente, das tramas mais complexas.

As telenovelas atuais também são diretamente influenciadas pelos índices de audiência. Dependendo da reação do público, personagens são mortos, ressuscitam, trocam repentinamente de personalidade, tudo para agradar o grande público. Essa maleabilidade da trama, obviamente, influencia negativamente na qualidade do produto final.

Outra grande crítica refere-se a centralização quase que hegemônica das tramas no eixo Rio-São Paulo. Quem assisite as produções da Globo fora do Brasil deve imaginar que só existem duas cidade grandes no país. A Rede Globo ambientaliza, quase sempre, suas produçoes entre Rio de Janeiro e São Paulo. Quando alguma novela ou minissérie é rodada no Nordeste, só se mostra o meio rural, o sertão, quase sempre num formato bem caricato. As grandes cidades como Recife, Fortaleza, Salvador são completamente ignoradas.

As novelas de época, uma das marcas registradas da teledramaturgia da Rede Globo, foram praticamente banidas da grade por conta dos baixos índices de audiência. Clássicos como “O Casarão”, “Terrasdo Sem Fim”, “A Sucessora” e “A Moreninha” nãos teriam a menor chance na atual conjuntura. Talvez sinalizando que pretende mudar o rumo dessa história, a Rede Globo anunciou para o segundo semestre desse ano o remake de um grande sucesso da década de setenta, “O Astro”, de Janete Clair. A novidade é que a versão atual terá apenas 80 capítulos, 106 a menos do que o original.

Abaixo, relembre a cena final de um clássico da teledramaturgia brasileira, “O Casarão”.

Você é


Você é


A música que ouve

Os livros que lê

Os filmes que assiste

O alimento que ingere

A riqueza que produz

As verdades que diz

Os medos que ignora

As luzes que acende (dentro e fora de si)

As pessoas que ajuda

Os erros que comete e percebe

As coisas que planeja

O amor que cultiva

A chama que alimenta

Os sonhos que realiza

Seja.

80 ANOS DO MESTRE CHICO ANYSIO: MEUS DEZ PERSONAGENS PREFERIDOS

Sei que essa história de fazer listas sempre gera polêmica. A lista abaixo, do alto da sua subjetividade, leva em consideração apenas o meu gosto particular. Chico criou, ao longo de mais de sessenta anos de carreira, cerca de 150 personagens. Listar apenas dez constituiu-se numa tarefa dificílima. Deixei de fora personagens que eu curto muito como Meinha, Washington, Popó, Haroldo, só pra citar alguns. Depois de queimar alguns neurônios, elegi os dez que listo a seguir:



Professor Raimundo: Raimundo Nonato Nepomuceno é um dedicado professor brasileiro que, apesar do baixo salário, esforça-se para educar seus inusitados alunos. Foi um dos primeiros personagens criados por Chico Anísio tendo sido apresentado, primeiramente, no rádio e depois na tevê. O sucesso do Professor Raimundo foi tão grande que ele acabou ganhando um programa próprio: “A Escolinha do Professor Raimundo”. Bordões: “É vapt-vupt!”, “Vai comendo, Raimundo” e “E o salário, ó!”.


Nazareno: Nazareno Luiz do Amor Divino é um funcionário público que vive a maltratar sua horrorosa esposa Sofia (Leila Miranda) e a paquerar sua gostosa empregada. Nazareno humilha Sofia utilizando ditados populares e frases de para-choque de caminhão. Bordões: “Calada!” e “Tá com pena? Leva pra tu”.


Painho: Ruy de Todos os Santos é um típico pai de santo baiano que atende a pessoas famosas para falar sobre o futuro. Ajudado por várias filhas de santo, Painho sempre implica com a menina Cunhã. Esse esquete sempre se encerra com Painho levando um rapaz (às vezes um convidado famoso) para o seu cafofo. Bordões: “Afe, tô morta!”, “Sou doido por essa neguinha”.

Alberto Roberto: o caricato ator, e apresentador de um talk show, fez história ao lado do diretor Da Júlia (Lúcio Mauro). Alberto Roberto é uma sátira àqueles artistas que endeusam a si próprios e perdem a humildade. Nesse esquete, Alberto Roberto recebe um convidado – normalmente um artista- e suas gafes acabam tirando do sério o Da Júlia e o entrevistado. Bordão; “Te cuida, (nome de alguém famoso)”.


Pantaleão: Pantaleão Pereira Peixoto é um aposentado especialista em causos. Leva a vida contando histórias sentado na sua cadeira de balanço sempre assistido por sua esposa Tertuliana “Terta” (Suely May) e seu ignaro filho Pedro Bó (Joe Lester - foto acima). O personagem Pantaleão é uma colagem de várias personalidades conhecidas. O rosto foi inspirado em Dom Pedro II, a voz e o sotaque eram uma homenagem a Luiz Gonzaga e o jeito de ser lembra os velhos coronéis nordestinos. Bordão: “É mentira Terta?”.

Bento Carneiro: Valdevino Bento Carneiro é um vampiro brasileiro e caipira. Anda sempre com seu ajudante Calunga (Lug de Paula - foto acima) e tem como principais características a falta de coragem e a incapacidade de assustar as pessoas. Bordões: “Não creu neu, se finou-se”, “Bento carneiro, o vampiro brasileiro, ptzzz!”, “Tomou, papudo” e “Minha vingança sará maligrina”.


Justo Veríssimo: Justo Veríssimo de Santo Cristo é uma escrachada sátira ao político corrupto. Com seu característico bigode vassourão, Justo destila sua ojeriza contra os pobres e tudo que possa beneficiá-los. Bordões: “Eu tenho horror a pobre!” e “Eu quero que o pobre se exploda”.


Azambuja: Paulo Maurício Azambuja é um típico malandro carioca. Ex-músico e ex-jogador de futebol, vive aplicando golpes ajudado pelo seu fiel escudeiro Linguiça (Wilson Grey). Quando o golpe dá errado, Azambuja se safa e Linguiça paga o pato. Bordões: “Tô contigo e não abro”, “Arrebenta a boca do balão” e “Tá dando, tá dando”.


Tavares: Altino Belo Tavares da Cunha é um malandro carioca que deu o golpe do baú. Casou-se com a horrenda Elizabeth (Zezé Macedo), “carinhosamente” chamada de Biscoito. Alcoólatra e descolado, Tavares vive dando em cima da empregada gostosona. Bordões: “Sou, mas quem não é?” e “Business, business”.

Tim Tones: Timothy da Silva é uma paródia ao fanático religioso Jim Jones, famoso por organizar um suicídio em massa nas Guianas. Tim Tones organizava cultos para arrecadar fundos para a sua “caridade”. Nesse esquete, Tim Tones é inquirido por pessoas da plateia e suas respostas, quase sempre, são críticas à realidade brasileira. Bordões: “Podem correr a sacolinha” e “Que a paz de Tim Tones esteja em todos os lares”.



"CRIANÇA É PRA BRILHAR"

Outro dia assistindo a um episódio da sexta temporada de Supernatural me deparei com um questionamento proposto pelo roteirista: ceifar vidas é um duro oficio até mesmo para a morte. Explico: Dean, um dos personagens principais do seriado, recebeu da Morte a seguinte incumbência:”Serás um ceifador por um dia, adianto que, antes que o dia termine, desistirás dessa missão”. Ele aceitou o desafio e foi à luta. Acompanhado de uma belíssima ajudante ele deparou-se com uma cena de assalto em que o bandido perderia a vida. Com um leve toque no corpo do rapaz, Dean ceifou-lhe a vida. Fácil e prazeroso, pensou inicialmente. A segunda morte, porém, baratinou a cabeça do rapaz. Tratava-se de uma criança com câncer, uma linda menina de 13 anos, que teria sua breve existência encerrada.

Dean não cumpriu sua missão, não teve coragem de levar à morte a criança e desencadeou uma série de acontecimentos ligados a essa sua recusa. Até mesmo na ficção, pensar em crianças morrendo, pareceu-lhe inaceitável. Foi exatamente assim que me senti quando vi as imagens do massacre de Realengo. Criança morrendo é inaceitável, criança morrendo daquela forma é algo inimaginável na vida real. Investigar os motivos dessa barbárie, do alto da minha leiguice, parece irrelevante. Como prever a insanidade ou um acesso repentino de fúria?

Dizem que cada sociedade tem suas neuras. Pela segunda vez no Brasil, um ceifador maluco com discurso póstumo misturando religião e psicose, promoveu uma chacina e nos aproximou da tenebrosa prática tão comum nos Estados Unidos. Já tem gente alertando que se levantarem o número de mortes ocorridas dentro de escolas pelo Brasil afora, um genocídio virá à tona. Seja como for, saber de crianças morrendo me provoca uma tristeza profunda.

OS BRINQUEDOS QUE EU NÃO TIVE



Quando eu era garoto, lá pela adolescência, um dos meus maiores sonhos era ter um Forte Apache. Hoje em dia, obviamente, o “politicamente correto” aniquilou quase todos os brinquedos que colocam os índios como vilões e os brancos como mocinhos. Nos anos setenta era diferente, ninguém ligava, todo garoto queria ter o danado do “Forte Apache”, supra-sumo do imperialismo ianque. Não realizei esse sonho, birncava com miniaturas de índios e cowboys que minha mãe comprava no Mercado de São José.


Outro ícone dos brinquedos setentistas que eu sonhei e não consegui foi o truculento “Falcon”. Por ser um personagem militar lançado em 1977, durante a ditadura brasileira, a Estrela, fábrica de brinquedos que criou e distribuiu o boneco, sofreu duras críticas por fazer apologia ao militarismo. Lógico que a garotada não tava nem aí, todos queriam ter um exemplar do boneco que tinha cabelo e barba de verdade. O Falcon fez tanto sucesso que a Estrela lançou mais duas versões do brinquedo: ambas com uma tonalidade de pele mais morena e um deles sem a famosa barba. Em 1982, o herói barbudo saiu de linha e virou peça de colecionador.

Na linha eletrônicos, o brinquedo que eu mais detestei não ter tido foi o clássico “Genius”. Um simples sequenciador de luzes coloridas e som que virou febre na década de oitenta. A brincadeira consistia em repetir com toques a sequencia de sons e cores produzidas, aleatoriamente, pelo brinquedo com cara de disco voador. O sucesso foi tanto que a ideia virou um conceito repetido por vários games e brinquedos produzidos a partir de então. Ainda em catálogo, o brinquedo foi rebatizado de “Genius Simon”. Ainda terei um!


É muito triste, sem que muitos terão pena de mim, mas eu não tive um Caloi. Todo mundo teve, menos eu. Cansei de deixar aqueles bilhetinhos infames espalhados pela casa, “Não esqueça a minha Caloi”, mas sempre esqueciam. Ao menos, na época, os órfãos dessa bicicleta (sim, bicicleta, a Caloi não era uma 'bike') tinham as “garagens de locação”. Eu torrava minha mesada semanal alugando bicicletas, era muito divertido. Minha primeira e única bicicleta (que não era Caloi) ganhei num sorteio quando era funcionário de uma multinacional lá pelos meus vinte e cinco anos de idade.


Para finalizar esse meu leque de frustrações de infância, dois dos maiores clássicos dos brinquedos de todos s tempos: “O “Autorama” e “Ferrorama”. O primeiro foi inventado em 1912 mas só chegou ao Brasil em 1963. Desde então povoa o imaginário de quase todos os garotos. Se os garotos gostam de brincar com carrinhos, imagine com carrinhos de corrida numa pista particular? Um sonho! E o Ferrorama, quem nunca sonhou em ter um? O brinquedo reinou no Brasil na década de oitenta mas acabou saindo de linha na década seguinte.


Os apaixonados pelo brinquedo, desde que a Estrela encerrou sua produção, criaram campanhas, comunidades que pediam a volta do Ferrorama. Houve um grupo de aficionados que criou um desafiou: Provar sua fé pelo Ferrorama fazendo o Caminho de Santiago. Um site foi criado para divulgar a saga dos loucos apaixonados pelo trenzinho. Em 2010, enfim, a Estrela anunciou a volta do brinquedo. Todos comemoraram e aguardaram, ansiosos, o relançamento. A frustração foi total. A estrela importou um trem fabricado na China e nominou de “Novo Ferrorama”. Diferentemente da versão original, bem acabada, com riqueza de detalhes, o brinquedo atual mais parece uma peça descartavel.

Essas frustrações de infância, aparentemente, não deixaram sequelas, a tristeza ficou para trás e não passa de lembranças... buááááááááááááááááááááááááááááááááá!

A IMPORTÂNCIA DE SE PRESERVAR A MEMÓRIA


Outro dia, num desses momentos de reflexão, lembrei-me dos bons tempos de escola, dos amigos (sobretudo dos que não tenho mais contato), das farras, da inconsequência, enfim, desse mundo efêmero que, invariavelmente, para todos, se perde no tempo. Dessa época feliz da minha vida, além das lembranças, restou-me uma foto clicada em 1986 que ilustra esse post.

Pois bem, o resultado dessa minha viagem ao passado foi uma ideia: institur a foto oficial da turma. Claro, essa é uma prática antiga e tradicional em muitas escolas pelo mundo afora, mas nas redes públicas de ensino aqui em Pernambuco, esse importante registro escapa. Diriam os críticos derrotistas: “Em algumas escolas, sequer, eles tem o básico, que dirá foto oficial”. Indiferente a possibilidade de ouvir comentários como esses levei a ideia adiante que foi prontamente aceita pela coordenação e pela direção da escola.

Na base do improviso, fizemos quase todas as fotos. Os alunos das séries iniciais, da Alfa até o quito ano, trataram o evento como uma grande e importante novidade. Já com os adolescentes do sexto ao nono ano, com idades entre onze e quinze anos, os problemas começaram a aparecer. Aquela velha frase, “adolescente é complicado”, não saía da minha cabeça. Explicamos a importância daquele registro, que anos depois ele teriam um privilégio que não é comum nas escolas públicas de Pernambuco, relembrar através das fotos amigos, a escola, mas não adiantou. Alguns caminharam para o local da foto como se estivessem a caminho do cadafalso.

Os alunos do nono ano, os mais velhos, colocaram tantos obstáculos que resolvemos não fazer o registro. Numa breve análise da situação, facilmente, identificamos alguns indícios do porquê desse problema. Em algumas turmas pude perceber que o grupo foi contaminado por pequenos lideres que impuseram o seu pensamento de revolta contra uma atividade que vinha da instituição propagando a ideia de que a foto era “um mico”. Outros tantos não se identificam com a escola, não têm orgulho de estudar numa escola pública e não querem, portanto, eternizar esse período. Fora isso, tem o comportamento natural do adolescente de ser eternamente do contra.

Seja como for, fiquei, mais uma vez, triste com a falta de interesse dos alunos. Esse tipo de comportamento, aliás, inibe muitos profissionais de educação a buscar inovações. Sair do cotidiano da sala de aula, trabalhar com atividades voltadas para novas tecnologias, requer uma boa dose de paciência e perseverança para superar velhos hábitos. Muitos desistem pelo caminho.