FRINGE EP 04x01 - NEITHER HERE NOR THERE

Spoilers abaixo

Fringe voltou com um ótimo episódio e algumas novidades. A principal, claro, a introdução de um "novo" personagem para preencher a lacuna deixada pela ausência – temporária – de Peter. O agente Lincoln Lee, um policial do FBI com cara de nerd (já conhecido do universo alternativo), acaba entrando para Divisão Fringe por força da sua insistência em descobrir o que realmente aconteceu com o seu parceiro. Durante uma investigação ele foi atacado por um transmorfo e acabou morrendo numa daquelas cenas bizarras tão comuns na série: ficou com o corpo translúcido e aspecto fantasmagórico.

Mais do episódio:

*Depois do desaparecimento – acho que posso usar esse termo – de Peter, os dois universos passaram a trabalhar juntos conectados por um portal. A cena de abertura do episódio mostra as duas Olivias numa pequena rusga, coisa de mulher. Ambas, entretanto, resolvem se aturar em nome da preservação dos dois universos.

*O Observador: o careca sinistro, ao que parece, está mudando de lado. O desfecho do episódio mostra ele descumprindo a ordem de desintegrar o Walter. Ao que parece, o coração – acho que ele tem um – do observador amoleceu pelas lembranças do Peter.

*As alucinações do Walter foi o único detalhe que não me disse nada. Não consigo encontrar uma conexão com o eixo da trama.

*NÃO CONFIO NO LINCOLN LEE, vejo uma nuvenzinha negra naquele olhar desconfiado dele. Sei não!

*A abertura mudou de cor, trocaram o azul pela cor de âmbar, uma referência ao universo alternativo.

Que bom que a série voltou!

Ficha Técnica

Escrito por: J.J. Abrams e Alex Kurtzman
Direção: Joe Chappelle
Exibição nos EUA: 23 de setembro de 2011

VOCÊ SABE O QUE É UM DOODLE?


A palavra "doodle" surgiu nos Estados Unidos, no final do século de XVII, para designar uma coisa sem muita importância, algo tolo. Na Inglaterra, por volta do século XVIII, a palavra ganhou outro sentido: “fazer de bobo”. Com o tempo, o termo ganhou variantes em outras línguas e chegou-se ao significado atual: esboço de um desenho feito despretensiosamente. Foi a partir de um doodle, por exemplo, que o designe Hans Donner criou o logotipo da Rede Globo. Segundo Donner, um esboço do desenho foi feito durante um voo, em um guardanapo. A Google popularizou o conceito doodle quando começou a homenagear pessoas, eventos e acontecimentos históricos customizandodo o seu logo como se fosse um esboço de desenho. Abaixo, alguns dos principais doodles - e suas respectivas referências -  publicados pela Google nos últimos tempos:
 Doodle Albert von Szent-Györgyi Nagyrápolt - 
Nobel de medicina em 1937
 Doodle Brazilian Day
Doodle Bruce Lee
 Doodle Burle Marx
 Doodle Jim Henson - Manipulador dos Mupetts
 Doodle dia de finados
Doodle dia dos pais
 Doodle festas juninas
Doodle 65 anos de Fred Mercury
 Doodle Jorge Luiz Borges - Escritor argentino
 Doodle Gregor Mendel - Botânico
Doodle Tarsila do Amaral
 Doodle redescoberta Matchu Pitchu
 Doodle Yuri Gagarin
 Doodle 50 anos dos Flintstones
Doodle Marine Day - Feriado japonês
 Doodle I Love Lucy
 Doodle Catedral de SãoBasílio - Moscou

TOP 5 PERSONAGENS DE LIVROS


Campos Lara – (O Fejião e o Sonho- Orígens Lessa).

Conheci o poeta Campos Lara antes de ler o livro, numa adaptação feita para a tevê em 1976. Cláudio Cavalcante interpretou brilhantemente o personagem na novela de Benedito Ruy Barbosa. Pouco depois tive que ler o livro na escola. Identifico-me com esse personagem porque vivi na pele o drama dele: optar entre o sonho da arte – no meu caso a música – e a sobrevivência. Campos Lara, um intelectual, vivia o drama de não poder manter sua família apenas escrevendo poemas. Enquanto isso, via seu cunhado, um homem de pouca instrução, ficar rico com o comércio. É um personagem inquietante, mora no meu imaginário.

Holden Caulfield – (O Apanhador No Campo de Centeio – J.D. Salinger).

O personagem que fez o mundo enxergar a adolescência como uma fase importante e difícil. Identifico-me com ele, não só por esse aspecto mas, também, pela resistência ao envelhecimento. Caulfield sabia que estava envelhecendo mas queria conservar o lirismo da infância, coisa que normalmente é vista como desajuste entre as pessoas ditas normais. Holden Caulfield é meio Peterpan. Duvida? Como seria possível um personagem concebido há mais de sessenta anos ser tão atual. Maravilhosamente intrigante!

João Grilo – (Auto da Compadecida – Ariano Suassuna).

Esse personagem, sabidamente, não é criação de Ariano Suassuna, figurava nos cordéis que ele usou como base para construir sua famosa obra. Além do mais, João Grilo é um estereótipo: no interior, Pedro Malasarte, no meio urbano, o malandro. O fato é que Ariano deu um tratamento literário a esse adorável personagem e ele me encanta desde criança. É muito mais difícil ser um anti-herói do que um herói pura e simplesmente. O anti-herói tem que transitar nos dois lados, o da maldade e o da bondade. João Grilo percorre esse caminho sinuoso com uma naturalidade tão grande que todos nós aceitamos suas tramoias como coisa normal. Bom demais

Hercule Poirot – (Várias obras de Agatha Criste).

Tornei-me fã dele quando li “Morte Sobre o Nilo”, romance policial de Agatha Criste. Na verdade, durante a trama, Poirot se comporta como um velho chato e ranzinza, o tempo todo corrigindo as pessoas que, erroneamente, o tratam como um francês: “Não sou francês, eu sou belga”. Em Morte Sobre o Nilo, o momento em que o detetive desvenda o crime, com aqueles detalhes, falando da echarpe e tudo mais, mostra a grandeza do personagem. Não por acaso, ele aparece em várias outras obras da autora. Inesquecível!

Capitu – (Dom Casmurro – Machado de Assis).

Odiei Capitu por algum tempo, colocava-me na pele do Bentinho, um papel que todo homem, algum dia, já encenou. Hoje entendo a riqueza desse personagem, uma interessante criação do analista da alma humana, Machado de Assis. Capitu é quase tão importante quanto a obra, tem vida própria. As teorias sobre sua suposta traição, criaram no imaginário dos leitores, uma obra paralela. Isso não é pouco.

MANDA-CHUVA, UM CLÁSSICO DE HANNA-BARBERA, GANHA VERSÃO EM 3D PARA O CINEMA

Manda-Chuva” (Top Cat), um clássico das séries animadas ganhou uma versão cinematográfica em 3D. Pelo trailer abaixo, o filme promete. A versão original, da tevê, teve apenas uma temporada com trinta episódios. Foi exibida entre 27 de setembro de 1961 e 18 de abril de 1962. No Brasil a série foi reprisada durante anos sempre com muito sucesso. No quesito dubladores, a versão original tinha uma curiosidade: quem fazia as vozes de dois personagens – Manda-Chuva e Espeto – era o ator Lima Duarte.

O remake é uma coprodução méxico-argentina do Anima Estudios e Illusion Studios lançado oficialmente hoje no Brasil. A direção é de Alberto Mar, que em 2006 lançou a versão animada do seriado “Chaves”, e os roteiros de Kevin Seccia e Tim McKeon. O título espanhol da produção é “Don Gato y Su Pandilla”. Curta, abaixo, o trailer dublado:

RELICÁRIO VOL. 10 - JONNY QUEST - 1964


O clássico Jonny Quest era uma mistura de ficção científica e espionagem, dois temas absolutamente em voga no início da década de 60. O desenho estreou no final do ano de 1964 na CBS. Foi mais um grande sucesso nascido nos estúdios Hanna-Barbera. O grande diferencial nessa produção, era o fato dos personagens serem uma reprodução real dos seres humanos. A maioria dos desenhos, dessa época, apresentava animais falantes ou caricaturas de humanos. Jonny Quest mais parecia um filme de aventura transformado em desenho.
 
A reprodução da realidade, então, virou a marca registrada dessa série. Foi uma das primeiras séries animadas a mostrar pessoas morrendo de verdade, baleadas, de acidente, tudo muito realista. A realidade fantástica, tão explorada nas séries animadas, em que um personagem é esmagado e aparece refeito na série seguinte, deu lugar ao realismo.

Sinopse
A série mostrava as aventuras do garoto Jonny Quest, filho do cientista, Dr. Benton Quest, que acompanhava seu pai em missões secretas do governo americano. Além de Jonny e seu pai, a série contava com outros personagens fixos: Roger Race Bannon, o garoto indiano Hadji e o cão Bandit. 

Todos os temas ligados à Guerra Fria, foram explorados na série. Espionagem russa, terrorismo, venda de informações e atividades científicas secretas. Quase todas as aventuras começavam na ilha secreta do Dr. Benton Quest. Nesse local ele tinha vários equipamentos eletrônicos sofisticados (todos criados por ele mesmo) por onde recebia suas missões. O Dr. Quest também agia por conta própria. Quando percebia algo de estranho, investigava e dava início a mais uma aventura.

A série animada Jonny Quest tem uma particularidade: por ser um desenho com temática de adulto, muito diferente das produções infantis da época, não teve o sucesso esperado e por isso, erroneamente foi logo cancelada, teve apenas uma temporada de 26 episódios. Três anos depois da sua estreia, em 1967, a CBS resolveu reprisar a série e o sucesso foi estrondoso. Os 26 episódios foram reprisados em sucessivas temporadas até o início da década de 80. O grande sucesso instigou os Estúdios Hanna-Barbera a reeditar o desenho. Em 1986 foram produzidos mais 13 episódios mas o resultado não foi satisfatório. Em 1996 houve mais uma produção com resultado mais decepcionante ainda.


Ficha Técnica

Título: Jonny Quest

Criação: Doug Wildey

Produção: Hanna-Barbera

Ano: 1964

Tema de Abertura: Hoyt Curtin

Distribuição: Screen Gems

Quantidade de Episódios: 26

Formato: episódios de 24 minutos

Dublagem: A.I.C – São Paulo

Jonny Quest: Rafael Cortez Neto

Dr. Benton Quest: Amaury Costa 

Roger Race Bannon: Denis Carvalho (Hoje, diretor de novelas na Rede Globo)

 Hadji: Olney Cazarré

POR ONDE ANDAM OS ANTIGOS VJ'S DA MTV?


 Astrid Fontenelle: foi apresentadora da MTV entre os anos de 1990 e 1999. Teve passagens pela Rede Globo e TV Bandeirantes. Em 2007 passou a apresentar o programa Happy Hour, no canal GNT. Astrid passou um período afastada da tevê retornando em 2009 para apresentar o mesmo programa. No final de 2010 afastou-se mais uma vez e para dedicar-se ao mundo dos blogs. Atualmente apresenta o programa "Chegadas e Partidas" no GNT.
 Cuca Lazarotto: foi apresentadora do MTV entre os anos de 1990 e 1996. Durante quatro anos apresentou o “Disk MTV” onde fez muito sucesso, sobretudo, por sua beleza. Depois que saiu da MTV foi repórter do do programa “Domingão do Faustão”, na Rede Globo, apresentou o “Disney Planet” no Disney Channel e o programa “Metrópolis” na TV Cultura. Atualmente, Cuca Lazarotto encontra-se afastada da tevê.
 Zeca Camargo: é o ex-vj de maior sucesso atualmente. Na MTV, foi diretor de jornalismo e apresentou o programa “MTV No Ar” entre os anos de 1990 e 1993. Em 1994, apresentou o programa Fanzine na TV Cultura e mais tarde virou editor da revista Capricho. Em 1996, foi chamado pela Rede Globo para apresentar o quadro "Altos Papos", no Fantástico. Fez a série de reportagens "Aqui se Fala Português", e A Fantástica Volta ao Mundo, primeira série de reportagens totalmente gerada pela internet e não por satélite. Também no canal foi um dos criadores e apresentador do reality show No Limite. Atualmente é editor-chefe e apresentador do “Fantástico” e assina um blog no G1, duas vezes por semana. 
 Gastão Moreira: foi um dos melhores apresentadores da MTV. Entre os anos de 1992 e o ano 2000, comandou os programas: “Gastotal”, “Fúria Metal”, “Mochilão”, “Hit's MTV”, “Clássicos MTV” e “Hermanos”. Depois que saiu da MTV, Gastão passou pela TV Cultura, Rede Atlântida e Fashion TV, onde trabalha atualmente.

 Sabrina Parlatore: ex-modelo, foi apresentadora da MTV entre os anos de 1996 e o ano 1999. Apresentou os programas: “Non Stop”, “Disk MTV”, “Resposta MTV”, “Suor MTV” e “Luau MTV”. Passou também pela “TV Bandeirantes”, pela “TV Cultura” e pela “Glitz*” onde apresenta atualmente o programa “Update”.
Soninha Francine: formada em cinema, começou na MTV trabalhando por trás das câmeras. Foi assistente de produção e redatora. Em 1994 estreio como apresentadora substituindo os vj's em vários programas diferentes. Também teve passagens pela TV Cultura onde, no ano 2000, apresentou o programa “RG”, e pela ESPN onde era comentarista. Soninha Francine ingressou no mundo da política sendo eleita, em 2004, vereadora pela cidade de São Paulo. Nas últimas eleições presidenciais foi coordenadora da campanha de José Serra na internet. Desde fevereiro de 2011, assumiu a Superintendência do trabalho Artesanal nas Comunidades do estado de São Paulo.
 Marina Person: foi apresentadora da MTV entre os anos de 1994 e 2011 destacando-se na crítica de cinema. Apresentou os programas: “Cine MTV”, “Supernova”, “Piores Clipes do Mundo”, “Contato”, “Menina Veneno” e “Top, Top”. Atualmente apresenta o programa “Na Pegada” na Rádio Metropolitana FM, e foi contratada por duas emissoras de tevê: Cultura e Glitz*.
 Edgar Picoli: foi um dos mais tradicionais apresentadores da MTV, trabalhou entre os anos de 1992 e 2006. Apresentou diversos programas com destaque para o Palco MTV, Jornal da MTV, Ultrasom, Nação MTV e Fanático MTV. Durante o período que trabalhou na emissora, foi o principal entrevistador tendo nos seu cast entrevistas com Ozzy Osbourne, Red Hot Chilli Peppers, Pearl Jam, REM, Beck, Neil Young, Foo Fighters, White Stripes, Oasis, Beyoncé, Britney Spears, Mariah Carey, Cristina Aguilera, Alanis Morissette, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marisa Monte, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Skank, Lulu Santos, Jota Quest, Vanessa da Mata, Milton Nascimento, entre outras. Atualmente Edgar é apresentador da Rede Bandeirantes e está prestes a estrear o programa “Edgar a Tarde”.
 João Gordo: marcou época na MTV com o escrachado programa “Garganta e Torcicolor” a partir de 1996 queando estreou na emissora. Apresentou também: Suor, Gordo Pop Show, Gordo On Ice, Gordo a Go-Go, Piores Clipes do Mundo, Gordo Freak Show, Gordo a Bolonhesa, Fundão MTV, Gordoshop e Gordo Visita. Atualmente, apresenta um quadro no programa Legendários, da Rede Record que fala sobre política e problemas sociais.

 Kid Vinil: o polêmico apresentador ficou conhecido na década de 80 quando fez parte do grupo “Magazine”, mas Kid Vinil tem uma larga história na tevê brasileira apresentando programas musicais. Foi um dos apresentadores do lendário Som Pop da TV Cultura, no início da década de 80. Seu principal trabalho na MTV foi o programa Lado B em que apresentava clips de bandas undergrounds. Atualmente é colunista do Yahoo e viaja pelo Brasil fazendo shows temáticos dos anos 80.
 Fábio Massari: foi apresentador da MTV entre 1991 e 2000 e marcou época apresentando os programas Lado B e Clássicos MTV. Conhecido com “Reverendo”, especializou-se em rock alternativo sendo muito respeitado nesse segmento. Desde de 2010 é colunista do Yahoo.

Nota: Listei nesse post os vj's que eu mais gostava, portanto, a lista é absolutamente subetiva. 


OS LIVROS DO OUTRO BRASIL E AS BRINCADEIRAS DE FERNANDO PESSOA


No último dia 05 de setembro, acompanhei pela Rádio Jornal aqui de Recife, o ótimo debate intitulado o “Poder dos Livros”. Participaram do programa o publicitário José Nivaldo Júnior, o jurista José Paulo Cavalcanti Filho e o livreiro Tarciso Pereira, que foi dono da lendária “Livro 7”. O debate foi maravilhoso e muito instrutivo. A certa altura, o professor José Paulo Cavalcanti Filho socializou uma de suas muitas experiências com o maravilhoso universo de Fernando Pessoa:

Há um verso de Fernando Pessoa, um dos mais citados dele, que eu sempre achei que estava errado. O verso diz o seguinte: 'O poeta é um fingidor, e finge tão completamente que chega fingir que é dor a dor que deveras sente'. Eu sempre achei que o verso estava errado porque ninguém pode fingir que é dor a dor que deveras sente, uma dor que sente de verdade... você vai nos literatos, tem cinquenta páginas para explicar esse verso. 

Eu estava numa obra com um amigo meu e um pedreiro virou-se pro outro e disse: 'fulano traz a areia de fingir'... Eu contei os minutos e fui mais cedo para casa para ver nos meus dicionários de latim o significado do termo 'finger'. Descobri que além de fingir é também construir, outra acepção. Eu descobri a partir de um pedreiro que isso era apenas uma brincadeira de Pessoa, ele usou fingir no sentido de construir: 'O poeta é um fingidor (um construtor) e finge (constrói) tão completamente que chega a fingir que é dor (construir a dor) a dor que deveras sente'. É uma pequena descoberta”.

A experiência compartilhada pelo professor José Paulo mostra que o conhecimento está em toda parte sem, muitas vezes, ser percebido. Outro grande momento do debate foi a revelação feita pelo livreiro Tarciso Pereira sobre a segregação praticada pela CâmaraBrasileira do Livro quando seleciona os títulos que serão expostos nas diversas feiras pelo mundo afora. Disse ele:

Eu fui várias vezes as feiras de livros na Europa e fui mais a Frankfurt porque é a maior feira de livros do mundo. Chegando lá pela terceira vez, mais ou menos, eu procurei a comissão organizadora para mostrar para eles que o stande do Brasil, apesar de ser um stand de mais de trezentos metros, não tinha o Brasil num todo. A princípio eles acharam estranho porque quem organizava e organiza até hoje, é a Câmara Brasileira do Livro, mas eu mostrei para eles que existia um outro Brasil que não estava ali, o Brasil Norte-Nordeste. Eu conversei um pouco mais e eles pediram que eu mandasse um projeto dessa minha ideia. 

Chegando no Brasil eu não fiz nem um projeto, apenas uma lista mostrando a produção do Nordeste, os autores e enviei. Quinze dias depois veio a resposta. O governo alemão bancou toda a minha ida a Frankfurt, já tinha um espaço reservado e eu levei 150 títulos... Eu fiquei nesse stand na feira, expus 150 títulos nordestinos, desde Jorge Amado ao mais novo poeta. Começou a chegar brasileiros e estrangeiros achando estranho aquele stand não fazer parte do espaço brasileiro. Eu tive que explicar para eles que era um outro Brasil que estava ali”.

É assim que tem que ser, diante do que você acredita ser uma injustiça, lute para que esta não se perpetue. Se Tarciso silenciasse, fosse conformista, muitos autores do “outro Brasil”, não teriam direito a participar de um espaço tão importante que representa – ou deveria representar – o seu país. Termino esse post com mais uma contribuição do professor José Paulo sobre as brincadeiras de Fernando Pessoa. Crítico ferrenho do Salazar, escreveu o poeta: “Esse senhor Salazar, é feito de sal e azar, se um dia chove a água dissolve o sal e sob o céu fica só o azar, é natural”.

O LIVRO NÃO ESTÁ EM EXTINÇÃO, ELE CONTINUA MUDANDO


O Livro na Idade Antiga: Pergaminho

Feito, normalmente, de pele de caprinos, serviam para registrar o conhecimento e informações importantes de diversas sociedades passadas. O nome “pergaminho” vem de “Pérgamo”, cidade grega onde esse tipo de documento teria sido desenvolvido. O pergaminho tinha também uma versão mais delicada, chamada de “Velino”, feita de peles mais delicadas. As grandes bibliotecas dos primeiros mosteiros eram totalmente constituídas de pergaminhos, assim como a lendária biblioteca de Alexandria.
O Livro Na Idade Média: Manuscritos em Papel

Foi nesse período que os pergaminhos foram substituídos por manuscritos em papel. Durante a Idade Média, por conta do grande poder da Igreja, os manuscritos ficavam restritos quase que totalmente aos monastérios. Surge, então, a figura do “monge copista”, profissional da Igreja encarregado de registrar o conhecimento em blocos de texto. Nesse período os livros começaram a sofrer as primeiras formatações, como as margens em branco, índices sumários e elementos próprios para a sistematização do conhecimento.
O Livro na Idade Moderna: Textos Com Impressão Tipográfica

Essa versão do livro surgiu a partir da invenção da imprensa por Johannes Gutemberg. O primeiro livro impresso foi a Bíblia Sagrada em latim. A invenção de Gutemberg dinamizou a produção dos livros e extinguiu quase que totalmente o ofício do monge copista. O italiano Aldus Manutius aprimorou a técnica de impressão criando modificações próprias de um design gráfico. O livro impresso, entretanto, percorreu um longo caminho para ser aceito como veículo de conhecimento e entretenimento.
O Livro Atualmente: O Aprimoramento das Técnicas de Impressão e o Livro Digital

A impressão tipográfica evoluiu e, posteriormente, foi substituída pela impressão a laser. Atualmente, os livros digitais – chamados de e-books – surgem como uma nova concepção de registro de conhecimento. Assim como nas mudanças de formato anteriores, existe contestações e teorias apocalípticas sobre a extinção dos livros. Em geral, quem contesta os novos formatos, prende-se ao momento atual e esquece que a evolução – ou revolução – começou desde que o livro surgiu. Algumas críticas são pertinentes – os livros digitais com ilustrações animadas inibem a mágica viagem que o leitor realiza quando imagina uma cena descrita no papel – e têm que ser levadas em consideração. O mais importante é a certeza de que o livro, em qualquer que seja o formato, existirá sempre como um importante veículo de conhecimento e entretenimento.

OS SUICÍDIOS NO CFCH E A FALTA DE INFORMAÇÃO


Recebi hoje, em uma das escolas em que leciono, um ex-aluno meu que está se formando em Geografia pela UFPE. Entre outras coisas, ele me contou que mais um suicídio havia ocorrido no sinistro Centro de Filosofia e Ciências Humanas, conhecido como CFCH. Ele me falou, em tom de normalidade, que nos últimos três anos, quatro pessoas se mataram no citado espigão.

Conheço o CFCH muito bem, também estudei e perambulei por lá entre 1995 e 1999. Fui aluno do departamento de Ciências Geográficas. Nos quatro anos que frequentei o departamento, três pessoas se mataram. Não presenciei nenhuma dessas mortes, felizmente, mas ouvi vários relatos tenebrosos sobre essas fatalidades. Meu amigo Márcio, presenciou o suicídio de uma engenheira que trabalhou numa das inúmeras reformas ocorridas no prédio. Ouvir as pessoas falando sobre essas mortes sempre me deu calafrios.

O que sempre me espantou foi o fato da UFPE sempre conseguir abafar os suicídios. A imprensa sempre ignora as mortes ou publica notas discretas. Vasculhei a internet a procura de informações sobre essas mortes e não achei quase nada. As poucas informações tratavam de relatos de blogueiros sobre os casos mais conhecidos, como o do estudante húngaro Zoltan Venekey, que teria se jogado do prédio em 2007. Por estar completamente nu, muitos suspeitaram que ele teria sido assassinado. Essa versão nunca foi confirmada.

Seja como for, as notícias sobre mais essa fatalidade, evaporaram da rede. Viciado em seriados de tevê, lembrei do Arquivo X. Minha inglória investigação sobre os suicídios, lembraram os mistérios investigados pelo agente Fox Mulder. Aquela certeza de que o fato existe mas nada se pode provar. Muitos argumentam que a universidade abafa os suicídios porque a propaganda poderia incentivar novas mortes. A regularidade com que os acontecimentos vêm se sucedendo, desacreditam essa tese.

O pior de tudo é que essa aura macabra do prédio virou uma espécie de lenda urbana. Contraditoriamente, os fatos alimentaram a lenda. No período próximo do Sábado de Aleluia, grupos de alunos sobem até os últimos andares do prédio e jogam um “judas” ensopado de ketchup para assustar os transeuntes. Vi um boneco desses cair do meu lado, quase tive uma síncope.

Outra curiosidade do prédio: certa vez, durante uma aula noturna, num dia de chuva torrencial, lá no sexto andar, vi um cara descendo por uma corda fazendo rapel. Fui até a janela e vi um monte de soldados descendo pela fachada do prédio. Era um treinamento do exército. Como ninguém foi avisado, todo mundo ficou assustado.

O prédio do CFCH, erguido em 1950, foi o ponto de partida da UFPE. No seu entorno a universidade cresceu e se tornou o terceiro maior campus de federais do Brasil. Sua expansão se deu a partir de desapropriações. O grande espigão de quinze adares tornou-se uma espécie de “edifício Dakota” do campus. Os suicídios vão se sucedendo e a reitoria vai abafando os casos. Em 2011 duas pessoas já se mataram no prédio: uma em junho e outra em agosoto. Algum dia alguém vai ter coragem de falar sobre o assunto!