HÁ UM ANO DILMA ROUSSEF ENTRAVA PARA A HISTÓRIA COMO A PRIMEIRA MULHER ELEITA PRESIDENTA DO BRASIL

Estive na festa e na quase festa da Presidenta Dilma. A quase festa foi a frustração do primeiro turno. Acompanhamos o final da apuração no Marco Zero, coração do Recife. Quando anunciaram no serviço de som que teríamos segundo turno, uma certa tristeza – e um pouco de angustia – pairou no ar. Veio então o segundo turno e, enfim, a grande festa.

Lembro-me bem que toda a celebração pela ascensão daquela mulher de face carrancuda soou como um revival do movimento “Diretas Já”. O povo reunido em praça pública em nome da democracia. Obviamente, houve quem temesse pelo que viria com Dilma à frente da presidência. Hoje, um ano depois da eleição, muitos falam em afirmação. Aos poucos, a presidenta foi se livrando da sombra de Lula e impondo o seu estilo. Enfrentou seis quedas de ministros sem declinar da sua postura austera mostrando uma segurança de quem já estava acostumada com o poder.

Dilma, assim como Lula, está tendo um espaço importante na mídia internacional sendo aclamada como a terceira mulher mais poderosa do mundo, perdendo apenas para a chanceler alemã, Angela Merkel, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Mesmo enfrentando uma oposição ferrenha,  vem conseguindo manter a governabilidade num patamar aceitável. Além do mais, o bom momento econômico do Brasil vem rendendo ótimos índices de popularidade para ela.

O saldo desse quase um ano de governo é absolutamente positivo. Dilma tomou atitudes firmes para combater a corrupção instalada em vários segmentos do governo sem se render aos ataques da oposição. Implementou uma faxina política em diversos setores do governo sem fazer muito estardalhaço. O primeiro passo foi dado, mas o caminho ainda é longo. 

 

60 ANOS DA TELENOVELA BRASILEIRA


No dia 21 de dezembro de 1951, na extinta TV Tupi, estreava a primeira telenovela brasileira, “Sua Vida Me Pertence”, escrita e dirigida pelo ator Walter Foster. Todos que participaram desse empreendimento, não sabiam, mas começava ali uma trajetória de sucesso. A telenovela tornar-se-ia, anos mais tarde, um produto genuinamente brasileiro. O Brasil, sobretudo a partir da inauguração da TV Globo, viraria uma referência mundial no gênero.

O formato da primeira telenovela, obviamente, era bem diferente de hoje. Naquela época, a tevê brasileira também estava engatinhando. Foram produzidos apenas vinte capítulos, com duração média de quinze minutos, que eram apresentados duas vezes por semana. O grande diferencial, entretanto, era o fato dos capítulos serem exibidos ao vivo. Não existia o videotape, tudo funcionava como um teleteatro. Faziam parte do elenco: Vida Alves, Lia de Aguiar, Dionísio de Azevedo, Lima Duarte, além do próprio autor, Walter Forster. “Minha Vida Te Pertence” também é lembrada porque foi nessa novela que aconteceu o primeiro beijo da tevê brasileira. Walter Foster e Vida Alves protagonizaram a histórica cena.

O formato de exibição diária estreou com a telenovela "2-5499 Ocupado", uma produção da TV Excelcior protagonizada por Tarcísio Meira e Glória Menezes. Mas foi com a TV Tupi que o gênero se popularizou e ganhou força. A telenovela foi incorporada a vida do brasileiro como o futebol. Esse, talvez, seja também o grande problema do gênero. De tanto ser explorado, o formato ficou saturado e acabou tornando-se alvo de críticas. Muitos classificam a telenovela como veículo de alienação do povo, que precisa de “pão e circo” para suportar as agruras da vida. Como esse post não propõe fazer nenhuma análise filosófica ou social do gênero, apenas celebrar os 60 anos de história, segue abaixo alguns dos principais momentos das telenovelas brasileiras.


1- Sua vida Me Pertence (1951 - Walter Foster): não existem imagens, a novela era ao vivo, numa época em que não existia o videotape. Clique aqui e assista a um trecho do “Globo Reporter Especial” que relembrou a primeira novela.

2 – Beto Rockfeller ( 1968 – Cassiano Gabus Mende): um marco na teledramaturgia brasileira porque apresentou várias inovações: linguagem coloquial, incluindo gírias, trilha sonora com música pop e não peças sinfônicas. Inovou na fotografia usando tomadas aéreas e apresentou personagens intrigantes cujas identidades nunca foram reveladas. Clique aqui e assista a um trecho da novela.

3 – Selva de Pedra (1972 - Janete Clair): foi a única telenovela, até hoje, a alcançar os cem pontos de audiência e popularizou o gênero folhetim. Clique aqui e assista ao final da novela.

4 – Irmãos Coragem (1970 - Janete Clair): mais um grande de Janete Clair, um western a brasileira. Essa novela misturava futebol (um dos irmãos coragem era jogador, Duda), psicologia (a personagem Maria de Lara apresentava três personalidades: Lara, Diana e Márcia) e faroeste. Clique aqui e assista a clássica cena em que João Coragem quebra o diamante.

5 – O Rebu (1974 – Bráulio Pedroso): essa intrigante novela inovou no formato. Os 112 capítulos narravam uma história que se passava em apenas um dia. O formato seria, mais tarde, copiado pela série americana “24 Horas”. A trama girava em torno de uma assassinato que aconteceu durante uma festa. Clique aqui e assista ao especial “Almanaque Globo” que fez um resumo dessa inovadora telenovela.

6 – Saramandaia (1976 – Dias Gomes): foi a primeira novela a usar e abusar da realidade fantástica. Dias Gomes criou um universo bizarro em que vários fenômenos paranormais aconteciam. Uma mulher queimava roupas com sua febre, um coronel botava formiga pelo nariz, uma comilona explodiu, tinha até um homem pássaro, o João Gibão. Clique aqui e aqui e veja duas cenas clássicas dessa telenovela. A explosão de Dona Redonda e o voo de João Gibão.

7 – Pecado Capital (1975 – Janete Clair): a melhor novela do questionado galã Francisco Cuoco. Em 1998 essa clássica novela foi desrespeitada com um remake de quinta categoria assinado por Glória Perez. Da versão original, a cena mais marcante foi a morte de Carlão gravada no canteiro de obras do metrô de São Paulo. Clique aqui e assista.

8 – O Casarão (1976 – Lauro César Muniz): uma das mais belas novelas de época da tevê brasileira. O Casarão narrava três histórias em três épocas distintas: 1900, de 1926 a 1936 . O eixo da trama era o eterno amor de João Maciel e Carolina Galvão. Relembre a abertura e a cena final em que o casal se reencontra após 40 anos clicando aqui.

9 – Escrava Isaura (1976 – Gilberto Braga): foi a novela brasileira mais vista em todo mundo. Lucélia Santos que interpretou a escrava branca, Isaura, tornou-se mundialmente conhecida por esse papel. A novela é contestada por movimentos de cultura negra alegando conteúdo racista. Seja como for, é um marco da teledramaturgia brasileira. Clique aqui e relembre a abertura e o capítulo inicial.

10 – Vale Tudo (1988 – Gilberto Braga): foi uma novela inovadora. A partir dela, o quesito “sonoplastia” ganhou papel de destaque. Fora isso, teve o grande mistério do assassinato de Odete Roitiman e a banana do Marco Aurélio no final que chocou muita gente. Clique aqui e aqui e relembre. 


*Clique aqui e leia outros posts sobre telenovelas

HOMELAND, PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Spoilers Abaixo!

Só hoje conferi o piloto de “Homeland”, remake da minissérie israelense (?) “Prisoners of War" (Hatufim) , que tem como pano de fundo a guerra contra o terrorismo. Obviamente, sendo uma série criada na neura pós-Onze de Setembro, o estereótipo “todo árabe é terrorista” dá a tônica da produção. A atmosfera da série é muito parecida com “24Horas”, vários clichês utilizados na saga de Jack Bauer podem ser identificados já no piloto.

O Elenco: a sumida Claire Danes, que teve ótima participação em Terminator 3: Rise of the Machines (2003), interpretando a veterinári Kate Brewster, depois de várias pontas em diversas séries, reaparece como a protagonista “Carrie Mathison”, uma agente da CIA que investiga o fuzileiro Nicholas Brody, interpretado por Damian Lewis. A participação de Mandy Patinkin (Saul) foi pequena no piloto, ele interpreta o mentor de Claire, Saul – clichê de série americana normalmente interpretado por um ator negro – o cara que dá suporte as investigações da moça. A julgar por sua participação em Criminal Minds (Jason Gideon), a expectativa é grande.

Sobre os protagonistas, de cara percebe-se que Claire Danes e Damian Lewis encaixaram perfeitamente nos personagens, esse é um ponto alto da série. Outro destaque – já esperado – é Morena Baccarin (V, A batalha Final). Ela interpreta Jessica Brody, mulher do fuzileiro. Morena é uma atriz fascinante, carismática, grande candidata a estrela do primeiro time dos seriados americanos.

O Piloto

A série narra a história do fuzileiro americano Nicholas Brody que, depois de ser capturado pela Al-Qaeda, foi dado como morto. Anos depois Brody é resgatado por um grupamento americano e aclamado como herói. Claire Danes, uma agente da CIA, levantou suspeitas de que ele, durante o cativeiro, passou para o lado dos árabes. O perfil de agente duplo ficou tão exposto no episódio que soou óbvio demais. Os flashes de memória mostrando o Brody torturando um amigo até a morte e o fato dele ter mentido no debriefing, logo revelados no primeiro episódio, deixam uma certa dúvida sobre a real culpa do dele. O episódio deixou uma boa impressão.

Ficha
Direção: Michael Cuesta
Exibição (EUA): 02 de Outubro de 2011

O METRÔ DO RECIFE ESTÁ CAPENGANDO

Clique nas imagens para ampliar


Que o metrô do Recife anda capengando, todo mundo sabe, salta aos olhos. Nos horários de pico é um deus nos acuda. Trens lotados e as costumeiras paradas entre estações. A única melhoria que esse sistema de transporte apresentou, foi a climatização dos trens. Pouco. Hoje, mais uma vez, os trens apresentaram “problemas técnicos” e o caos se instalou. Na estação Joana Bezerra (fotos acima), uma composição ficou parada provocando  imenso tumulto e um grande desconforto para os usuários. Até quando teremos que aguentar isso?

RELICÁRIO VOL. 11- FINAL DO FESTIVAL DOS FESTIVAI - 1985

Hoje faz exatamente 26 anos que a gasguita Tetê Espíndola sagrou-se campeã do Festival dos Festivais interpretando a canção “Escrito Nas Estrelas” (C. Renó – A Black). Na época, a simples menção da palavra “Tesão” provocou uma euforia na plateia, vejam só.

105 ANOS DO VOO DE BAGATELLE


Foi num 23 de outubro, como hoje, que, em 1906, Alberto Santos Dumont entrou para história ao realizar um breve voo de 50 metros, a dois metros do chão, com o 14 Bis. Foi a primeira vez que uma aeronave mais pesada que o ar alçou voo usando, apenas, suas próprias forças. Pelo feito, o brasileiro ganhou a "Taça Archdeacon" e escreveu seu nome na gênesis da aviação mundial.

A importância histórica e científica desse feito é, deliberadamente, ignorada pelos Estados Unidos e parte da Europa. Para eles, os inventores do avião foram os Irmãos Wright que teriam realizado um voo com o “Flyer 1” antes do 14 Bis. A grande diferença, entretanto, é que a aeronave dos Irmãos Wright utilizou uma catapulta como forma de propulsão. Outra questionamento: o voo teria sido feito para um pequeno grupo de testemunhas. No caso do 14 Bis, o voo foi feito para um enorme público no Campo de Bagatelle, em Paris. Como quem tem poder é dono da verdade, eles sustentam a história deles. Apenas a França reconhece o grande feito do brasileiro Santos Dumont. 

Confira, abaixo, o curta de André Ristum, protagonizado por Daniel de Oliveira, que conta esse fantástico episódio da história da aviação:

OS BONS TEMPOS DO ROCK BRASIL E A CULTURA DÉBIL ATUAL


Não sou do tipo que fala da juventude com saudade, como se quisesse voltar no tempo e viver tudo de novo. Não tenho esse tipo de sentimento. A razão é simples: minha vida era muito complicada. Uma das poucas coisas que me mantinham vivo era, sem dúvida, o rock. Lá pelos idos de 1985, época de ouro do rock Brasil, eu curava a tristeza e a falta de grana ouvindo e fazendo música. Nessa época não tínhamos internet, as fontes de informação eram as revistas, sobretudo a Bizz, que herdou da SomTrês, o posto de maior publicação de pop rock tupiniquim.

Tinha um grupo de amigos que se reunia, quase sempre, na minha casa. Ouvíamos música no rádio, acredite. No final da década de 80, tocavam muito pop e rock no rádio, não é como hoje. Lembro-me da grande celeuma provocada com o lançamento do elepê “Selvagem”, dos Paralamas, em 1986. Nos discos anteriores, acusavam o trio  brasiliense de copiar o “Police”. A bateria do João Barone , convenhamos, soava igualzinho a do Stewart Copeland. No Selvagem, o Paralamas buscou outras sonoridades, se aproximou do reggae e ritmos brasileiros. A partir de então, ganhou identidade própria. Quando ouvi “Alagados” pela primeira vez, confesso, foi estranhíssimo, achei parecido com carimbó.

É também de 1986 o celebrado – por questões técnicas – disco do RPM, “Rádio Pirata”. Um disco de rock brasileiro gravado com qualidade técnica idêntica aos dos americanos e europeus. A mixagem foi feita em Londres. O RPM, durante um breve período, gozou do status de mega banda de rock, com logo no avião e tudo mais. Passou. Particularmente, prefiro o “Revoluções Por Minuto”, um disco que lançou uma sonoridade diferente e forma bem peculiar de se fazer rock no Brasil.

Dentre todas as bandas com as quais convivi na década de 80, a que mais me marcou, sem dúvida, foi a “Legião Urbana”. Quando ouvi o álbum branco achei a voz do Renato parecida com a do Jerry Adriani. Decorei as onze músicas num piscar de olhos. Ouvia sem parar. No álbum “Dois”, tornei-me fã incondicional. Os acordes iniciais de “Tempo Perdido” funcionam como um start que me remete ao passado. Essa música é um dos hinos da minha geração. Com o lançamento do “As Quatro Estações” Renato Russo já era celebrado como grande poeta do rock nacional. Assisti ao show desse álbum aqui no Recife. Foi um grande momento da minha vida. Imagine: um show de quase duas horas em que você sabe cantar todas as músicas. Êxtase!

Ontem sintonizei na minha tevê o “WMB”, vi uns comentários no twitter e fui conferir. Lixo total, a celebração da cultura débil, não dá nem para falar. Uma pena que o rock nacional esteja na “fase B das ondas Kondratev”. Enquanto isso, os bons momentos são relembrados em documentários, confira abaixo:

FRINGE 4x04 – SUBJECT 9

Spoilers Abaixo

Os três primeiros episódios serviram para criar o ambiente necessário para reintrodução de Peter na trama. Tivemos que ler nas entrelinhas o que realmente os roteiristas estavam aprontando. “Subject 9” rebuscou o passado tortuoso envolvendo Olivia e as experiências do Walter com cortexiphan. Na cena inicial do episódio, como de praxe, um acontecimento bizarro. Enquanto Olivia dormia, uma concentração de energia tentava tomar forma em seu quarto atraindo corpos metálicos. Ela acordou e dissipou o fenômeno.

A interpretação inicial do Walter remeteu as experiências com cortexiphan. Um dos garotos usados como cobaia, o “número 9”, segundo o cientista, estaria usando suas habilidades numa espécie de projeção astral para afetar Olivia. Convencidos disso, seguiram para Nova York para interrogar Cameron James, suposto elo de ligação com o “número 9”.

A viagem de Olivia e Walter para Nova York revelou um detalhe que para muita gente – inclusive eu – passou desapercebido. Walter estava vivendo recluso em Havard havia três anos. Por isso, nos três primeiros episódios, ele resolvia os casos através de videoconferências. O velho cientista estava acometido de uma misofobia, aquela fobia sentida pelo detetive Monk que tem medo de sujeira, germes. Walter chegou a surtar no quarto do hotel vendo sujeira em todo canto. Foi contido por Olivia que conseguiu controlá-lo. Outro problema enfrentado por Walter era o medo de voltar para hospício. Olivia recebeu uma comunicação por escrito de um psiquiatra que pedia a opinião dela sobre um possível internamento do Walter. Ele chegou a ler o documento, ficou temeroso, mas Olivia vetou a internação.

O grande momento do episódio aconteceu numa subestação de energia. Depois de identificar o homem que que usava o o nome do pai – Cameron James – e tinha poderes sensitivos resultantes de experiências com cortexiphan, Walter o levou para a subestação por ser um local de grande concentração de energia para polarizar as forças e destruir a origem da energia supostamente maligna. Quando a grande energia começou a se manifestar, o sensitivo entrou em ação. Mas um rosto se formou nas ondas energéticas (foto acima). Era a silhueta do Peter que Olivia lembrava dos sonhos. Imediatamente ela sacou a arma atirou para cima e interrompeu o processo de destruição.

Peter Beshop acabou surgindo próximo da subestação, no Lago Reiden, de onde foi resgatado para um hospital. A grande surpresa é que ele não perdeu a consciência de sua existência. Sua memória não foi apagada na passagem o que intrigou Olivia e Broyles. Na cena em que Peter surge no meio do lago, deu para ver o Observador contemplando tudo. Foi um ótimo episódio que deixou todo mundo com aquela sensação de quero mais.

Ficha Técnica
Direção: Joe Chappelle
Exibição (EUA): 14 de outubro de 2011

PS: A série faz uma pausa de 15 dias e volta no dia 23 de outubro com o episódio “Novation” cujo promo disponibilizo abaixo:

FRINGE 4x03 – ALONE IN THE WORLD


Mais um intrigante episódio de Fringe. A história do garoto Aron foi uma espécie de paralelo com a história de Peter. O start do episódio foi a morte de dois garotos afetados por uma misteriosa mutação que, em questão de horas, decompôs os seus corpos. Quem é fã da série está acostumado com essas bizarrices. Aaron Sneddon, um garoto solitário, foi o personagem central da trama. O episódio foi construído como um paralelo entre a história desse menino e a de Peter.

Os surtos psicóticos do Walter revelaram mais um detalhe intrigante da temporada: ficou claro que a voz e as imagens que o velho cientista estava ouvindo e vendo, eram do Peter. Quando Walter estava sendo analisado pelo psiquiatra, viu o reflexo do filho na prancheta do médico. Na conversa com Olivia os dois descobriram que o homem que povoava os sonhos dela era o mesmo que Walter estava vendo. O detalhe é que nenhum dos dois reconheceram o Peter. A dedução lógica é que o Peter adulto, após o sacrifício feito para salvar os mundos, nunca existiu.

A série ainda não apresentou uma explicação didática para esse imbróglio, eu fiquei meio perdido, confesso. O fato é que os roteiristas criaram uma ramificação da história que pode não dar certo. Fico imaginando com o Peter será reintroduzido no contexto da trama. Irão voltar o tempo? Pouco provável. Acredito que a chave desse mistério está no mundo alternativo.

Mais do episódio

*A dobradinha Olivia/Agente Lee começa a ganhar força. Todo mundo elogiando, quero ver quando o Peter voltar. O policial com cara de Nerd encaixou perfeitamente na Divisão Fringe.

* Walter enfiando uma haste de metal no cérebro, convenhamos. Foi demais até mesmo para o universo Fringe. Olivia chega, retira a peça – na vida real um objeto introduzido assim só é retirado cirurgicamente – e tá tudo bem. Oi?


Ficha Técnica
Escrito por: David Fury
Direção: Miguel Sapochnik
Exibição EUA: 07 de Outubro de 2011

PROFESSORES QUE ME MARCARAM


Negativo – Professor Constantino (Matemática): era um terrorista, não era professor. Usava os números para oprimir. Fui perseguido por esse professor, na 5ª Série, porque tinha dificuldades com operações envolvendo divisão. Sobrevivi a ele. Tempos depois o vi pilotando trens do metrô, realmente, não era um professor.

Positivo - Professor Lidelmo (Matemática): foi o primeiro professor de matemática que conseguiu falar uma linguagem que eu, sempre avesso aos números, entendia. Entrou na escola como substituto e marcou época. Como bem disse Renato Russo, “os bons se vão cedo”. O professor Lidelmo morreu afogado depois de um ataque epilético. Ficaram as boas lembranças.

Positivo – Professora Laura (Geografia-História): quando eu fazia a 6ª série, tive um momento difícil na escola. Era um adolescente arredio e não queria estudar. A professora Laura, que enfrentava o mesmo problema com outros alunos, usou de sua criatividade e virou o jogo. Criou uma gincana de conhecimentos – que hoje utilizo na minha prática pedagógica – e todos nós recuperamos o gosto pelo estudo. Era divertidíssimo competir e estudar história e Geografia. Inesquecível!

Positivo – Professor Felinto (Literatura): era uma figuraça. Usava jaleco e uma bata branca, igual os médicos. Tinha uma memória privilegiada e conhecia muito sobre literatura brasileira. Por ser uma figura caricata, era visto pela maioria dos alunos de uma forma, digamos, folclórica. O velho professor Felinto, na verdade, era um grande professor de literatura, apaixonado pelo que fazia. Tenho boas lembranças das suas divertidas aulas. Inesquecível!

Positiva e Negativa – Professora Ilma (Português e Francês): As lembranças negativas que tenho dessa professora referem-se a postura dela na sala de aula, austera até o último fio de cabelo. Tinha tanto medo dela que nem tirava as minhas dúvidas. Assim como eu, muitos alunos foram prejudicados por esse excesso de autoritarismo. Mas ela tinha outro lado, dava aulas com muita paixão. Podíamos enxergar nos olhos dela que ela acreditava no que estava falando, tinha muita segurança. Por isso, sempre que me lembro dela, me perco nesse paradoxo.

Positivo – Professor Cavalcante (Biologia): o que me encantava nesse professor era o profundo respeito que ele tinha pelo aluno. Era um gentleman, tinha o domínio total da sala sem nunca, absolutamente nunca, levantar a voz. Suas aulas eram bastante produtivas por isso, estudávamos encantados pelo professor. Cavalcante, infelizmente, faleceu há alguns anos de causas naturais.

Positivo – Jorge Santana (Introdução as Ciências Geográficas – Planejamento): foi o melhor professor que tive na faculdade. A postura do professor Jorge, lembrava-me o professor Cavalcante que descrevi acima. Um professor que fala fácil, de uma forma apaixonante, traz luz à sala de aula. Até mesmo nas aulas de planejamento, que ele ministra baseado na lógica, mesmo com toda aquela abstração, tudo parecia muito fácil pelo poder do professor. Absolutamente inesquecível!

Positivo – Lucivânio Jatobá (Geomorfologia): foi meu professor na graduação e na pós. É um grande geomorfólogo, conhece muito do assunto. Fala fácil e tem paixão. É um grande mestre. Não bastasse isso, ainda é fã dos Beatles. Perfeito!

Como professor, procuro me espelhar nos bons exemplos e evitar os erros que cometeram comigo. Obviamente os tempos são outros, mas entendo que lecionar é um eterno exercício de reconstrução e troca de ideias. Parabéns a todos os professores!

15 ANOS SEM RENATO RUSSO


Hoje faz 15 anos que Renato Russo morreu. Como ele é um dos meus mais representativos ídolos e contribuiu enormemente para minha formação, pensei em escrever um texto em sua homenagem. Vasculhando os arquivos do Jornália, encontrei um post que escrevi no dia do aniversário de 50 anos dele. De uma forma sucinta, disse tudo que sentia sobre Renato. Se tentasse escrever outro texto, certamente, seria repetitivo. Portanto, faço minha reverência republicando o post escrito em 27 de março do ano passado. Meus respeitos, Renato!

RENATO RUSSO, 50 ANOS HOJE

Legião Urbana foi uma das principais referências da minha juventude. Acompanhei o nascimento, a vida e o final da banda. Eu era um daqueles fãs xiitas que compravam os discos (vinil) e se apressavam para decorar todas as letras. Logo no primeiro LP, o álbum branco, todo mundo percebeu que aquela banda de Brasília tinha um diferencial: as letras do Renato. Os textos dele eram tão mais importantes que as músicas que, em alguns casos, a melodia parecia não encaixar. Diziam que Renato imitava o estilo do Caetano, que acelerava o cantar para a letra se encaixar na melodia. Na música “Eclipse Oculto” temos um exemplo clássico desse artifício no trecho “Mas bem que nós fomos muito felizes só durante o prelúdio...” Caetano acelera para a letra caber na melodia. Renato fazia muito isso. Um claro indício da maior importância da letra.
 
Por ter cara de nerd, Renato ganhou fama de intelectual e passou a ser ridicularizado por eles. Sim, como ele virou um artista popular, diminuir a sua importância ou tratá-lo como um “mero objeto de adoração da juventude” passou a ser diversão entre a turma dita “cabeça”. Mas esse breve texto não tem a pretensão de levantar nenhuma bandeira em favor do Renato, ele não precisa. Vi nos últimos dias que o culto à sua memória e às suas canções continua fortíssimo e isso é o que importa. 
 
Devo muito a esse artista. Numa época dificílima da minha vida – Entre 1989 e 1992 – em que me sentia absolutamente perdido no mundo, vivia recluso, quase nunca saia de casa, uma coisa que ajudou a me manter vivo foi a música da Legião Urbana, sobretudo por causa dos textos do Renato. Isso não é pouco. No disco “Legião Dois” (o meu preferido) passamos a conviver com as metáforas e as entrelinhas dos discursos dele. A inquietação dele devido a problemas com a sua sexualidade, produziu canções antológicas. 
 
Em 1990 estive no inesquecível show realizado aqui no Recife, com o Geraldão lotado. Lembro-me das palavras do Renato na abertura: “Nós somos a Legião Urbana e vamos cantar algumas canções para vocês”. Em seguida a banda tocou “Há Tempos” e Renato jogou flores para a imensa plateia.

A Legião Urbana acabou para mim no disco “A Tempestade”, de 1996. A Partir daí, a melancolia tomou conta das letras do Renato. Preferi não assistir a essa triste caminhada para o fim. Lembro-me da profunda tristeza que senti quando ouvi a canção “Via Láctea” em que Renato canta, já com a voz arrastada, sua tristeza por estar doente. Ali ele explicitou a sua falta de esperança e o pedido para que o deixassem sozinho. Eu fiz o que ele pedia na canção, não ouvi mais os discos lançados depois de 1993.

O DISCURSO DE STEVE JOBS EM STANFORD


Emocionante as palavras de Jobs, falou um pouco de tudo. Criticou os exorbitantes preços cobrados pelas boas universidades americanas - “ingenuamente escolhi uma universidade quase tão cara quanto Stanford" – e revelou que o alto preço das mensalidades foi o motivo da sua saída. Falou da vida, da morte e de religião, a parte que mais me identifiquei. Por não ser seguidor de nenhum credo religioso, sempre fui criticado – de forma aberta ou velada – por alunos, amigos e até mesmo por pessoas com as quais eu não tenho intimidade alguma. O trecho do discurso que está  em negrito, expressa exatamente o que eu sinto sobre  o que é viver aprisionado por dogmas. Abaixo o discurso e, para quem preferir, o vídeo original, legendado, feito em Stanford. Meus respeitos, Jobs!

"Estou honrado por estar aqui com vocês em sua formatura por uma das melhores universidades do mundo. Eu mesmo não concluí a faculdade. Para ser franco, jamais havia estado tão perto de uma formatura, até hoje. Pretendo lhes contar três histórias sobre a minha vida, agora. Só isso. Nada demais. Apenas três histórias:

A primeira é sobre ligar os pontos.

Eu larguei o Reed College depois de um semestre, mas continuei assistindo a algumas aulas por mais 18 meses, antes de desistir de vez. Por que eu desisti?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era jovem e não era casada; estava fazendo o doutorado, e decidiu que me ofereceria para adoção. Ela estava determinada a encontrar pais adotivos que tivessem educação superior, e por isso, quando nasci, as coisas estavam armadas de forma a que eu fosse adotado por um advogado e sua mulher. Mas eles terminaram por decidir que preferiam uma menina. Assim, meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam um telefonema em plena madrugada "temos um menino inesperado aqui; vocês o querem?" Os dois responderam "claro que sim". Minha mãe biológica descobriu mais tarde que minha mãe adotiva não tinha diploma universitário e que meu pai nem mesmo tinha diploma de segundo grau. Por isso, se recusou a assinar o documento final de adoção durante alguns meses, e só mudou de ideia quando eles prometeram que eu faria um curso superior.

Assim, 17 anos mais tarde, foi o que fiz. Mas ingenuamente escolhi uma faculdade quase tão cara quanto Stanford, e por isso todas as economias dos meus pais, que não eram ricos, foram gastas para pagar meus estudos. Passados seis meses, eu não via valor em nada do que aprendia. Não sabia o que queria fazer da minha vida e não entendia como uma faculdade poderia me ajudar quanto a isso. E lá estava eu, gastando as economias de uma vida inteira. Por isso decidi desistir, confiando em que as coisas se ajeitariam. Admito que fiquei assustado, mas em retrospecto foi uma de minhas melhores decisões. Bastou largar o curso para que eu parasse de assistir às aulas chatas e só assistisse às que me interessavam.

Nem tudo era romântico. Eu não era aluno, e portanto não tinha quarto; dormia no chão dos quartos dos colegas; vendia garrafas vazias de refrigerante para conseguir dinheiro; e caminhava 11 quilômetros a cada noite de domingo porque um templo Hare Krishna oferecia uma refeição gratuita. Eu adorava minha vida, então. E boa parte daquilo em que tropecei seguindo minha curiosidade e intuição se provou valioso mais tarde. Vou oferecer um exemplo.

Na época, o Reed College talvez tivesse o melhor curso de caligrafia do país. Todos os cartazes e etiquetas do campus eram escritos em letra belíssima. Porque eu não tinha de assistir às aulas normais, decidi aprender caligrafia. Aprendi sobre tipos com e sem serifa, sobre as variações no espaço entre diferentes combinação de letras, sobre as características que definem a qualidade de uma tipografia. Era belo, histórico e sutilmente artístico de uma maneira inacessível à ciência. Fiquei fascinado.

Mas não havia nem esperança de aplicar aquilo em minha vida. No entanto, dez anos mais tarde, quando estávamos projetando o primeiro Macintosh, me lembrei de tudo aquilo. E o projeto do Mac incluía esse aprendizado. Foi o primeiro computador com uma bela tipografia. Sem aquele curso, o Mac não teria múltiplas fontes. E, porque o Windows era só uma cópia do Mac, talvez nenhum computador viesse a oferecê-las, sem aquele curso. É claro que conectar os pontos era impossível, na minha era de faculdade. Mas em retrospecto, dez anos mais tarde, tudo ficava bem claro.

Repito: os pontos só se conectam em retrospecto. Por isso, é preciso confiar em que estarão conectados, no futuro. É preciso confiar em algo - seu instinto, o destino, o karma. Não importa. Essa abordagem jamais me decepcionou, e mudou minha vida.


A segunda história é sobre amor e perda.

Tive sorte. Descobri o que amava bem cedo na vida. Woz e eu criamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhávamos muito, e em dez anos a empresa tinha crescido de duas pessoas e uma garagem a quatro mil pessoas e US$ 2 bilhões. Havíamos lançado nossa melhor criação - o Macintosh - um ano antes, e eu mal completara 30 anos.

Foi então que terminei despedido. Como alguém pode ser despedido da empresa que criou? Bem, à medida que a empresa crescia contratamos alguém supostamente muito talentoso para dirigir a Apple comigo, e por um ano as coisas foram bem. Mas nossas visões sobre o futuro começaram a divergir, e terminamos rompendo - mas o conselho ficou com ele. Por isso, aos 30 anos, eu estava desempregado. E de modo muito público. O foco de minha vida adulta havia desaparecido, e a dor foi devastadora.

Por alguns meses, eu não sabia o que fazer. Sentia que havia desapontado a geração anterior de empresários, derrubado o bastão que havia recebido. Desculpei-me diante de pessoas como David Packard e Rob Noyce. Meu fracasso foi muito divulgado, e pensei em sair do Vale do Silício. Mas logo percebi que eu amava o que fazia. O que acontecera na Apple não mudou esse amor. Apesar da rejeição, o amor permanecia, e por isso decidi recomeçar.

Não percebi, na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. O peso do sucesso foi substituído pela leveza do recomeço. Isso me libertou para um dos mais criativos períodos de minha vida.

Nos cinco anos seguintes, criei duas empresas, a NeXT e a Pixar, e me apaixonei por uma pessoa maravilhosa, que veio a ser minha mulher. A Pixar criou o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é hoje o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. E, estranhamente, a Apple comprou a NeXT, eu voltei à empresa e a tecnologia desenvolvida na NeXT é o cerne do atual renascimento da Apple. E eu e Laurene temos uma família maravilhosa.

Estou certo de que nada disso teria acontecido sem a demissão. O sabor do remédio era amargo, mas creio que o paciente precisava dele. Quando a vida jogar pedras, não se deixem abalar. Estou certo de que meu amor pelo que fazia é que me manteve ativo. É preciso encontrar aquilo que vocês amam - e isso se aplica ao trabalho tanto quanto à vida afetiva. Seu trabalho terá parte importante em sua vida, e a única maneira de sentir satisfação completa é amar o que vocês fazem. Caso ainda não tenham encontrado, continuem procurando. Não se acomodem. Como é comum nos assuntos do coração, quando encontrarem, vocês saberão. Tudo vai melhorar, com o tempo. Continuem procurando. Não se acomodem.


Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma citação que dizia algo como "se você viver cada dia como se fosse o último, um dia terá razão". Isso me impressionou, e nos 33 anos transcorridos sempre me olho no espelho pela manhã e pergunto, se hoje fosse o último dia de minha vida, eu desejaria mesmo estar fazendo o que faço? E se a resposta for "não" por muitos dias consecutivos, é preciso mudar alguma coisa.

Lembrar de que em breve estarei morto é a melhor ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo do fracasso - desaparece diante da morte, que só deixa aquilo que é importante. Lembrar de que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar armadilha de temer por aquilo que temos a perder. Não há motivo para não fazer o que dita o coração.

Cerca de um ano atrás, um exame revelou que eu tinha câncer. Uma ressonância às 7h30min mostrou claramente um tumor no meu pâncreas - e eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que era uma forma de câncer quase certamente incurável, e que minha expectativa de vida era de três a seis meses. O médico me aconselhou a ir para casa e organizar meus negócios, o que é jargão médico para "prepare-se, você vai morrer".

Significa tentar dizer aos seus filhos em alguns meses tudo que você imaginava que teria anos para lhes ensinar. Significa garantir que tudo esteja organizado para que sua família sofra o mínimo possível. Significa se despedir.

Eu passei o dia todo vivendo com aquele diagnóstico. Na mesma noite, uma biópsia permitiu a retirada de algumas células do tumor. Eu estava anestesiado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células ao microscópio começaram a chorar, porque se tratava de uma forma muito rara de câncer pancreático, tratável por cirurgia. Fiz a cirurgia, e agora estou bem.


Nunca havia chegado tão perto da morte, e espero que mais algumas décadas passem sem que a situação se repita. Tendo vivido a situação, posso lhes dizer o que direi com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito útil mas puramente intelectual.

Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que desejam ir para o céu prefeririam não morrer para fazê-lo. Mas a morte é o destino comum a todos. Ninguém conseguiu escapar a ela. E é certo que seja assim, porque a morte talvez seja a maior invenção da vida. É o agente de mudanças da vida. Remove o velho e abre caminho para o novo. Hoje, vocês são o novo, mas com o tempo envelhecerão e serão removidos. Não quero ser dramático, mas é uma verdade.

O tempo de que vocês dispõem é limitado, e por isso não deveriam desperdiçá-lo vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixem aprisionar por dogmas - isso significa viver sob os ditames do pensamento alheio. Não permitam que o ruído das outras vozes supere o sussurro de sua voz interior. E, acima de tudo, tenham a coragem de seguir seu coração e suas intuições, porque eles de alguma maneira já sabem o que vocês realmente desejam se tornar. Tudo mais é secundário.

Quando eu era jovem, havia uma publicação maravilhosa chamada The Whole Earth Catalog, uma das bíblias de minha geração. Foi criada por um sujeito chamado Stewart Brand, não longe daqui, em Menlo Park, e ele deu vida ao livro com um toque de poesia. Era o final dos anos 60, antes dos computadores pessoais e da editoração eletrônica, e por isso a produção era toda feita com máquinas de escrever, Polaroids e tesouras. Era como um Google em papel, 35 anos antes do Google - um projeto idealista e repleto de ferramentas e ideias magníficas.

Stewart e sua equipe publicaram diversas edições do The Whole Earth Catalog, e quando a idéia havia esgotado suas possibilidades, lançaram uma edição final. Estávamos na metade dos anos 70, e eu tinha a idade de vocês. Na quarta capa da edição final, havia uma foto de uma estrada rural em uma manhã, o tipo de estrada em que alguém gostaria de pegar carona. Abaixo da foto, estava escrito "Permaneçam famintos. Permaneçam tolos". Era a mensagem de despedida deles. Permaneçam famintos. Permaneçam tolos. Foi o que eu sempre desejei para mim mesmo. E é o que desejo a vocês em sua formatura e em seu novo começo.

Mantenham-se famintos. Mantenham-se tolos.
Muito obrigado a todos."

Fonte: site da Universidade de Stanford
Tradução: Paulo Migliacci ME
Via: Portal Terra


O QUE VI DO ROCK IN RIO

Terminado o espetáculo, ficam as lembranças e as polêmicas. Do pouco que vi do festival – acompanhei pela TV, transmissão do MultiShow – deu para perceber que os equívocos foram muitos. Começando, claro, pela polêmica protagonizada por Cláudia Leitte. Errou quem a colocou no palco e errou ela no seu queixume. Comparou os “roqueiros" que a vaiaram a Hitler?. Pera lá, roqueiros? Ela foi vaiada pelo público de Keshia e Rihanna, pop farofa, nada a ver com a turma de preto. Será que Cláudia não sabe o que é um roqueiro? Bom, seja como for, ela se vestiu de Britney Spears, fez aquelas coreografias “paulabdulianas” e pagou o pato.

Mas, afinal, só Cláudia Leitte merecia ser vaiada? Claro que não, quem viu os “shows” do Elton John e do Guns n Roses sabe que as vaias deveriam se estender a eles. O primeiro, veteraníssimo, pareciaaia uma tia velha, aposentada, sendo socorrido o tempo todo por um eficiente naipe de backin vocals que entrava em ação nas notas mais altas. Elton John agora canta pra dentro, faz um esforço danado para balbuciar suas músicas. O público, enebriado pela presença do ídolo, aplaudia o deplorável espetáculo. Merecia vaias. E o Guns? O que foi aquilo? Axl Rose inventou um jeito novo de cantar baseado na “separação silábica”. Sem fôlego, ele pronunciava as palavras de forma fragmentada – uma sílaba, uma respirada – protagonizando um dos piores shows de todos os tempos. Foi vaiado? Não, claro que não, foi ovacionado. Mas São Pedro nos vingou, mandou um toró daqueles, Axl Rose recebeu uma gongada dos céus.

Bom, mas o Rock n Rio teve momentos memoráveis. O Capital Inicial fez um dos melhores shows da sua longa carreira, fez o público delirar com uma apresentação impecável. Sou contemporâneo da banda e confesso que duvidei que ela brilhasse de novo. Enganei-me, que bom. Ao final da apresentação corri pro Facebook para elogiar a banda.

Mais do Melhor:

*Lenny Kravitz: show impecável, o cara tirou onda. A voz perfeita -  com uma potência de estúdio - e uma banda espetacular. Destaque para a ótima baixista, “Gail Ann Dorsey”, que conseguiu, em alguns momentos, ofuscar a excelente perfomance do astro principal. Lenny, entusiasmado com a grande apresentação, afirmou pouco depois: “Só falta eu aprender português para ser brasileiro”.

*Steve Wonder: Como era de se esperar, fez um grande show. E não foi só isso, deu um show de simpatia, brincou com o público, cantou – de novo – aquela canção de Antônio Carlos e Jocafi, ele gosta mesmo, sempre cantarola essa música. Nos apresentou sua linda filha, enfim, cumpriu o que se esperava dele.

*ColdPlay: apesar de não ter visto o show por completo – verei nas reprises – deu para perceber que seria uma apresentação apoteótica. É uma das grandes bandas da atualidade. Coldplay tem na gênesis a marca das grandes bandas: nasceram sem a pretenção do estrelato e foram asseitando essa condição a medida que o sucesso foi ficando incontrolável. Bom demais!

Tentei ver mas meu saquinho não aguentou:

Slipknot: parecia o Cirque Du Soleil homenageando as bandas pesadas. Muito trelelê para adolescente ver, como já passei da fase, abdiquei. Teve gente que aplaudiu de pé.

Jamiroquai: A voz do Jason Kay é massa, o cara canta pra ca... mas, depois da terceira música, parecia um disco arranhado. Falta alma à essa banda, o suingue é fake, não dá. Sei, tem gente que acha genial, o bom é isso, a subjetividade do gosto.

Jota Quest: Na primeira música deu pra ver que seria show de festival de verão e eu abdiquei.

Sitem Of A Down: inegavelmente eles são bons, muito bons no que fazem. Mais: são diferentes na postura e na indumentária. Serj Tankian, o vocalista, parece um pastor pregando. Com camisa de botão, totalmente descolado, canta como se estivesse brincando na garagem. Apesar, contudo, todavia, mas, porém, adversativamente falando, o som não é para mim. Respeito a excelência da banda, mas  passo.

Pronto, falei!

GOVERNO DE PERNAMBUCO LANÇA CAMPANHA COM CENAS CHOCANTES PARA PREVENIR ACIDENTES DE MOTOS

O Governo de Pernambuco lançou uma campanha para prevenir acidentes de trânsito envolvendo motocicletas. Os filmes mostram várias situações em que motociclistas acabam morrendo em acidentes chocantes. O realismo das cenas já está causando espanto em quem assiste aos filmes. Chocar para prevenir parece ser a palavra de ordem da campanha. Confira, abaixo, um dos filmes:

FRINGE 4x02 – ONE NIGHT IN OCTOBER

Atenção: Spoilers Abaixo!

Esse foi, sem dúvida, um episódio fora do convencional. Não bastasse a ausência de Peter, Walter também não teve participação ativa. Tomado por um surto ocasionado pelas vozes e pelas imagens que andou vendo nos espelhos, ele fechou-se no seu universo psicótico.

A caso usado como pano de fundo do episódio, como sempre, foi apresentado na cena inicial. A diferença é que só nas cenas seguintes descobrimos que a história se passava no universo alternativo. A figura central da trama, John Louis McClennan, era um psicótico assassino em série no universo paralelo e um renomado professor de psicologia no mundo real. O trabalho da Divisão Fringe era, aparentemente, simples: Levar o professor para o universo paralelo – sem que ele soubesse da travessia, claro – para tentar entender e ajudar a capturar o serial killer.

Essa história dos dois universos trabalhando em cooperação não está rendendo o esperado. Acredito que esse caminho foi um equívoco dos roteiristas. Perdeu-se muito do mistério que envolvia o mundo alternativo e o eixo da trama ficou morno. Outra coisa: episódios de Fringe sem Peter, tudo bem, tem o Lincoln aí para suprir. Agora, um episódio inteiro sem a participação ativa do Walter não dá pra engolir. Mancada. No final do episódio o Dr. Bishop reaparece surtando, de novo, ouvindo uma voz pedindo socorro. Pareceu-me o Peter, era um áudio distorcido mas dava para identificar.

Quanto aos dois John's McClennan: se o sobrevivente que foi trazido para o mundo real for mesmo o assassino em série, será mais uma mancada dos roteiristas. Essa coisa de troca de identidades é muito lugar-comum e já foi usado na temporada anterior quando a Olivia alternativa veio no lugar da original. No geral, o episódio ficou devendo. Saudades do Walter!

Ficha Técnica
Exibição nos EUA: 30 de setembro de 2011

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A BIENAL


Fiz, ontem, a minha terceira visita à Bienal do Livro de Pernambuco. Antes de mais nada, quero registrar minha extrema felicidade em ver uma multidão, engarrafamento homérico, um furdunço danado em torno dos livros. Bom, tenho a ilusão de que todo mundo que esteve ali tratará o livro com um pouco mais de respeito.

O que vi na Bienal

Positivo: Achei o evento muito bem organizado, mais do que na Bienal passada. Mesmo com um grande volume de pessoas transitando pelo centro de convenções, não registrei os tumultos vistos em eventos passados. Até os banheiros – grande problema dos mega eventos em Pernambuco – estavam limpos e funcionando bem.

Positivo:Ao contrário das duas últimas bienais, os livros ditos de autoajuda – não entendo esse termo já que quem lê segue conselhos de terceiros para se dar bem – não reinaram absolutos. A variedade nesse evento foi bem maior.

Negativo: Preços exorbitantes. Era visível a jogada das editoras: já que o evento tem uma participação maciça dos funcionários públicos que recebem cartões de bônus para compra de livros – que só valem na Bienal – a arapuca foi aramada: todos os lançamentos e os títulos mais procurados, estrategicamente, tiveram seus preços inflacionados. Exemplo: num stande de uma grande editora um livreto direcionado para educação de jovens e adultos (EJA) estava sendo vendido, pasmem, ao exorbitante preço de R$131,00.

Negativo: Praça de alimentação: do mesmo jeito que as editoras, as lanchonetes cobraram preços exorbitantes e prestaram um atendimento de quinta categoria. O mesmo espaço – uma tenda armada ao lado do pavilhão – era usado como arena de shows. Ruim demais!

Negativo: Vários estandes credenciados para participar do evento não estavam aceitando o bônus, apenas dinheiro e cartão de crédito. Esse detalhe deve ser corrigido para a próxima bienal, os organizadores deveriam condicionar o credenciamento a aceitação do bônus nas vendas.

Última observação: no início da Bienal, sobretudo no sábado, o tumulto foi grande. Paralelo ao evento estava sendo realizado um festival de pagode, um evento gospel e o parque de diversões ao lado do centro de convenções estava lotado. Vi muita gente falando que era um absurdo tantos eventos juntos. Na minha opinião, o poder público não tem muito o que fazer quanto a isso. Cada um dos citados eventos estava sendo realizado em espaços particulares, com registro de funcionamento em dia. A bem da verdade, tumulto mesmo, só houve no trânsito, dentro do Centro de Convenções, correu tudo bem. Falei!

CONHEÇA O INSTITUTO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRIOCO E GEOGRÁFICO DE PERNAMBUCO


Quem transita pela rua do hospício no corre-corre frenético do Recife, nem percebe que ali existe um dos museus mais importantes da cidade: O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. A epigrafe desse centro cultural resume os saberes contemplados na casa. Quem visita o local viaja pelo riquíssimo universo cultural pernambucano com os traços do passado materializados ali na sua frente.

Fundado em 1862, é uma das mais antigas e atuantes instituições culturais do país. É o Instituto Histórico estadual mais antigo, sendo superado em importância e acervo apenas pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. O local é uma importante fonte de pesquisa e de visitação para os pernambucanos e turistas que visitam o Recife. A visitação pública começou quatro anos após a fundação e formação do acervo da casa, em 1866, e se estendeu até os dias de hoje de forma initerrupta.

Deixo aqui essa dica: quando você passar pela rua do Hospício, próximo ao Teatro do Parque, visite esse importante centro cultural. Abaixo, assista ao vídeo e faça um passeio virtual pelo museu: