RETROSPECTIVA 2011 - UM POST DE CADA MÊS


Janeiro: HISTÓRIAS DO ROCK PERNAMBUCANO

Fui testemunha ocular da cena pernambucana da década de 80. Nesse post, relato algumas histórias dessa época.


 Nesse post listei as dez primeira séries japonesas. Coisas do arco-da-velha.


Março: ERA UMA VEZ EM 95

Aqui, uma declaração de amor para minha filha mais nova, Thais. O ano de 2011 foi muito difícil para ela e para mim, por tabela.

Abril: OS BRINQUEDOS QUE EU NÃO TIVE

Uma tristonha lista de frustrações da minha infância. Aqueles brinquedos que sonhei e nunca consegui. Sem trauma!

Maio: A ESCOLA TRADICIONAL E OS “EFENÓLOGOS”

Uma breve crônica relacionando a fábula do "Efenólogo" e a escola tradicional.

Junho: GRIGORY PERELMAN, A MATEMÁTICA E O DESPREZO PELO DINHEIRO

Um post sobre o matemático russo que rejeitou um prêmio de um milhão de dólares.

Julho: ANDERS BEHRING BREIVIK, O ANJO XENÓFOBO DA MORTE

Post sobre o assassino lunático norueguês que usou o nome dos templários para destilar seu ódio xenófobo.

Agosto: AS BIBLIOTECAS E O GOOGLE

Uma comparação entre o modo de pesquisar de antigamente e o de hoje.

Setembro: OS SUICÍDIOS NO CFCH E A FALTA DE INFORMAÇÃO

Post sobre a sinistra lista de suicidas do CFHC, o prédio mais antigo da UFPE.

Outubro: PROFESSORES QUE ME MARCARAM

Nesse post, listei minhas lembranças de escola. Professores bons e ruins.


Novembro: UM BEATLE EM RECIFE

Relato de um sonho realizado: eu vi um beatle.

Dezembro: DEZ ANOS SEM O HÍBRIDO MUSICAL DE CÁSSIA ELLER

Post sobre os dez anos sem Cássia Eller.

RINGO EM RECIFE - EU E MEUS BONS AMIGOS

A ARTE NÃO SABE IMITAR A VIDA

Outro dia estava na Livraria Cultura, perambulando entre os devedês, quando, do meu lado, iniciou-se um diálogo entre uma atendente e um senhor que lhe perguntou algo sobre um programa de tevê. A mocinha, com um ar de soberba inacreditável, respondeu ao cliente: “Não sei, eu não vejo tevê aberta”. O Senhor insistiu: “Você não vê tevê?”. Ela foi mais clara: “Vejo sim, senhor, mas só tevê paga”. Os dois continuaram o diálogo e eu segui na minha busca por um filme clássico de infância. O danado é que eu continuei pensando na postura da atendente, notadamente, achando-se superior porque assistia apenas a tevê paga. Qualquer um – que esteja inserido na sociedade – pode ter tevê paga, esse serviço, por vias legais,  se popularizou há tempos.

Já em casa, vendo tevê – paga, mas sintonizada num canal aberto – deparei-me com outra realidade distorcida: a personagem Sarita (Sheron Menezzes), um advogada da novela “Aquele Beijo”, via pela tevê a notícia da prisão do seu namorado, o corrupto empresário Alberto. O que me chamou atenção foi o aparelho de tevê da moça (confira na foto que ilustra o post). Na casa de uma advogada de um grande escritório, uma tevê retrô daquelas. Que realidade é essa que a Globo está tentando imprimir? Esse é um exemplo claro de que a arte, muitas vezes, peca quando tenta imitar a vida. Na novela seguinte, a das nove, a Griselda ganha mais de 50 milhões na loteria e seu neto continua estudando na escolinha comunitária do bairro. Esse povo não tem medo de sequestro?

Tanto a mocinha da livraria, quanto os cenógrafos e autores de novelas, estão precisando atualizar seus conceitos sobre a vida real. Para piorar, lá vou eu me aventurar a assistir o inusitado triângulo (escaleno) musical composto por Caetano, Gil e Ivete, que herdou o lugar outrora ocupado por Gal. Bastou algumas canções para perceber que aquilo ali era uma festa privada. A Globo fez uma confraternização, convidou seus funcionários e o Talma resolveu gravar e transformar em especial. Se fosse só a Ivete cantando, passaria no horário nobre. Mas como tinha Caetano e Gil, jogaram pro fim de noite. Há quem aceite, passivamente, essas imposições. O chato, aqui, segue exercendo o sagrado direito de contestar.

“A FORÇA DA GRANA QUE ERGUE E DESTRÓI COISAS BELAS”

Pois é, em plenoo domingo, às sete da manhã, estava acordado esperando o embate anunciado como o “confronto entre Messi e Neymar”. O jogo começou e Neymar e o Santos ficaram olhando o Barça jogar. Que passeio! Pensei: “Cadê o confronto que a tevê (brasileira) estava alardeando?” Aí a ficha caiu. Que idiota eu fui, deixei-me levar pelo ufanismo dos brasileiros como se não tivesse opinião própria, comportamento típico dos imbecis.

Na verdade, não estavam em campo duas escolas de futebol, o que se viu foi o primo rico e o primo pobre. Sim, o Santos, que no Brasil paga o maior salário para um jogador de futebol, comparado ao Barcelona, é o primo pobre. E o pior: além da inferioridade monetária comportou-se com uma subserviência que irritou. A superioridade monetária do Barcelona é muito bem aplicada e transforma-se em superioridade de talentos. Em todas as posições eles têm um craque em campo e outro no banco. O Santos tem um craque e outro que dizem ser: Neymar e Ganso.

O abismo que o dinheiro criou entre nós e a Europa, é bem parecido – guardadas as devidas proporções – com a vala comum, existente no Brasil, que separa os times oriundos do “Clube dos 13”, do resto, alijados da grande fatia do bolo. Lembro-me da última vez em que o meu clube do coração, o Santa Cruz, ascendeu à primeira divisão. O Grêmio foi o campeão e o Santa, o vice. O time porto-alegrense manteve-se na Primeirona e o Santa desceu no ano seguinte. Um detalhe importante justifica as duas realidades: o Grêmio fazia parte do Clube dos 13, o Santa não. Para disputar a Primeira Divisão de 2006, o Santa recebeu 4 milhões de Reais, o Grêmio 35 milhões. Quase dez vezes mais. É a força da grana destruindo coisas belas. Assim como o Santa Cruz, vários times do futebol brasileiro mergulharam num buraco sem fundo porque foram segregados pela “Máfia dos 13”.

Quanto ao Barcelona, claro, seria muito injusto que um time desses não ganhasse o título de melhor do mundo. O dinheiro deles não vem de uma associação mafiosa como o “Clube dos 13”, eles são competentes no que fazem. O título é mais que legítimo! Parabéns ao Barça! Nesse caso, a força da grana ergueu uma coisa bela: o futebol arte!

MEU PRIMEIRO FILME E MEU PRIMEIRO ÔNIBUS

Há, exatos, trinta e quatro anos, eu entrava num cinema pela primeira vez. Que experiência! Não, apenas, pelo filme, mas por toda a aventura que foi essa minha tarde de diversão e descobertas. Lembro-me que num sábado, de manhã, estava com um grupo de amigos jogando futebol no “cercadinho”, um terreno baldio perto da minha casa. Jogávamos quase toda tarde depois da escola. No final da partida, combinamos de ir ao cinema. Um dos garoto falou que era a estreia do filme dos Trapalhões. Ninguém sabia o nome ao certo, mas se tinha o Didi, todo mundo queria assistir.

No grupo, apenas eu nunca havia ido ao cinema. Meus pais não tinham o hábito de nos levar para esse tipo de programa. Teria que convencer Dona Ivone – minha mãe – a me deixar ir sozinho com meus amigos. Tinha apenas doze anos, mas um detalhe estava a meu favor: o cine Eldorado, local onde o filme estava sendo exibido, ficava num bairro próximo. Dava até para ir caminhando. Bastou um breve papo e, surpreendentemente, minha mãe concordou. Meu pai me deu dinheiro e lá fui eu descobrir a magia da telona.

Ao chegar no ponto de encontro com a galera, uma triste surpresa. A mãe de um dos meus amigos informou que o grupo já havia saído, decidiram ir mais cedo porque iam caminhando. Perguntei a ela: “Qual o ônibus que eu pego para chegar ao cinema?” Ela, surpresa, indagou: “Você vai sozinho?” Disse que sim e ela me falou que pegasse qualquer ônibus na direção de Afogados, o bairro onde o cinema estava localizado. Respirei fundo e fui!

A história narrada parece grande cosia, mas, na verdade, ir de ônibus do bairro da Mangueira – onde eu morava – até Afogados era percorrer uma linha reta de aproximadamente uns quatro quilômetros.  Eu tinha apenas doze anos, mas por ter estatura elevada, aparentava ter uns dezesseis. Foi a primeira vez que andei sozinho de ônibus. O mais interessante é que cheguei primeiro que a turma. Quando eles chegaram, eu estava no meio da quilométrica fila e acabei comprando as entradas de todos. Estava tão feliz com o passeio que nem reclamei por terem me esquecido.

O filme daquela tarde mora até hoje no meu imaginário: “O Trapalhão Nas Minas do Rei Salomão”. Nessa época, Zacarias ainda não participava, os Trapalhões do cinema eram um trio. Lembro-me que fiquei fascinado com o tamanho da tela. Achei o som (acho até hoje) muito alto. Depois desse dia tornei-me cinéfilo, quase todo final de semana estava no cinema.

Hoje comprei o devedê desse filme, está num local de honra da minha estante. É o único  dos Trapalhões que ainda vejo. Também não assisto mais aos programas da tevê. Não sei se  porque estou ficando velho ou porque Didi – um dos meus heróis de infância – perdeu o brilho. Abaixo, a famosa cena da ressurreição do cãozinho Lupa:

“O QUE FOI QUE ACONTECEU COM A MÚSICA POPULAR BRASILEIRA?”

Hoje postei na minha página do Face, uma bizarra – no meu subjetivo julgamento, claro – lista de artistas que disputam a eleição de melhor música do ano feita por um importante site. A bisonha lista segue os ditames mercadológicos das rádios e das gravadoras. A música massificada tem um propósito: vender. Obviamente, se alguém levantar essa questão em algum site ou veículo importante de comunicação, vai aparecer um monte de gente dizendo que esses músicos estão sendo injustiçados et cetera e tal.

O fato é que o Brasil, definitivamente, se rendeu à música efêmera. Isso piorou com as facilidades técnicas de hoje. Qualquer um pode gravar, reproduzir e divulgar seus cedês. Os carrinhos de som que infestam os bairros das periferias das grandes cidades ajudaram a criar os astros suburbanos que deitam e rolam vendendo esses excrementos musicais. Enquanto as “novinhas” lotam o bailes e soltam seus gritinhos estridentes, os “astros” do subúrbio enchem os bolsos, mudam-se para bairros chiques e esperam a nova moda chegar para embarcarem em mais uma levada do momento.

Assim caminha a cultura pop brasileira. A música mais elaborada, aquela que não se preocupa com critérios mercadológicos, fica restrita a guetos, projetos culturais e são segregadas  pelos meios de comunicação. A prova disso é essa eleição patrocinada por esse importante site. Que critérios eles usaram para formular essa lista? Será que a música sertaneja tem essa representatividade toda? A quem interessa toda essa propaganda? São muitas perguntas que, certamente, serão ignoradas porque estão sendo formuladas num site pouco comentado. E, a bem da verdade, buscar respostas não é a intenção desse blogueiro que vos escreve. A função desse post é mostrar a indignação – minha e de muitos – contra esse estado de coisas. Essa música que eles estão celebrando, definitivamente, não me representa.

O outro lado da moeda

Quero deixar registrado aqui, que também sou contra esses movimentos de contracultura que vez ou outra aparecem  na cena pernambucana. Não é porque uma banda ou cantor faz parte do underground que ele tem qualidade. Alguns movimentos – que não vou citar os nomes, claro – levantam bandeiras apresentando artistas de qualidade, muitas vezes, inferior aos farofas que transitam no meio comercial. Não basta ser do contra, tem que ter talento. Algumas bandas que gozam do status de mega star do underground, jamais sairão do subterrâneo. Sigo ouvindo Chico Science, Spok Frevo Orquestra, Lenine, a boa música me mantém vivo.

Ao mestre Jackson do Pandeiro, cujo disco ilustra esse post, se vivo estivesse, lhe diria: “Tem jabaculê sim, Seu Jackson, a música brasileira vive disso”.

AS VÁRIAS FACES DA BRASILEIRA MORENA BACCARIN

Um dos destaques da série “V”, sem dúvida, foi a brasileira Morena Baccarin. Perfeita na pele da alienígena Anna, a atriz chamou a atenção dos fãs e da crítica. Em cartaz, atualmente, com a série “Homeland”, em que interpreta Jessica Brody, ela conseguiu firmar seu nome no primeiro time de atrizes dos seriados americanos. Nascida no Rio de Janeiro em 1979, Morena, que é filha da também atriz brasileiraVera Setta, está radicada nos Estados Unidos desde 1989. Morena Baccarin tornou-se conhecida no mundo das séries ao interpretar Inara Serra na série “Firefly”(2005). Teve aparições em The O. C. e Stargat SG-1 além de dublar o Canário Negro na série animada Liga da Justiça. Abaixo, imagens de Morena Baccarin em diferentes momentos da sua carreira:
Clique aqui e assista a entrevista
de Morena Baccarin no Programa do Jô.


DEZ ANOS SEM O HÍBRIDO MUSICAL DE CÁSSIA ELLER

Quando vi na tevê a notícia da morte de Cássia Eller, fiquei triste e revoltado. A tristeza, obviamente, pela perda do grande talento que ela representava, a revolta era contra a própria cantora. Pensei: “Ela não tinha o direito morrer desse jeito”. É mais ou menos o sentimento que as pessoas, digo, os fãs,  nutriram quando da morte de Amy Winehouse, ocorrida em condições semelhantes.

Cassia era uma cantora singular, ia do suave ao estridente com maestria. Tinha sempre um “toque beatle” no que fazia. Esse detalhe, talvez, tenha sido o primeiro ponto de atração da sua obra. No seu primeiro disco fez uma releitura do clássico “Eleanor Rigby” que virou, pasmem, um reaggae. Usou trechos de canções do Fab Four como música incidental em várias de duas gravações. A mais famosa, na releitura de “Por Enquanto” (Renato Russo, ela começa com “I'VGotta Feelinge ”.

 Cássia tinha momentos de diva da emepebê e estrela do rock. Viveria nessa fronteira até o final da sua vida. Fez versões brilhantes de clássicos do rock: “Hear My Train A Coming” (Hendrix), “If   Six Was Nine” (Hendrix), “Little Wing" (Hendrix) “Smells Like Teen Spirits” (Nirvana), “Try A Little Tenderness” (Otis Redding). Por outro lado, regravou medalhões da emepebê: “Na Cadência do Samba” (Ataúlfo Alves), “Pétala” (Djavan) e “Vila do Sossego” (Zé Ramalho).

Esse maravilhoso híbrido musical se perdeu, precocemente, no dia 29 de dezembro de 2001. Muito injusto. Se viva, Cassia faria hoje 49 anos hoje. Abaixo, selecionei dois grandes momentos dela. Um de rock: “Smells Like Teen Spiritis”, outro de emepebê: “Na Cadência do Samba”. Regozije-se:

Cássia Rock Cássia MPB

HOJE É DIA DE LENNON

Todo 08 de Dezembro eu fico pensando em algo novo para escrever aqui sobre a minha relação com  John Lennon. Já narrei como recebi a notícia da sua morte, relembrei a cobertura brasileira da tragédia, falei de como a descoberta do Lennon mudou minha vida, enfim, muitas histórias. O ano passado foi marcado pelos trinta anos do fato trágico e pela assustadora possibilidade de Mark Chapman ganhar liberdade. Felizmente, decidiram pela permanência do algoz de Lennon na prisão.

Como tudo – pelo menos eu que penso agora – já foi dito sobre o mito e suas influência na minha vida, resolvi elaborar um top 10 com as músicas dele que eu mais gosto.  Adianto que é um mero, e subjetivo, exercício de prazer musical. Para ouvir as canções clique nos títulos.

#9Dream:a música do refrão estranho - “Ah! böwakawa poussé, poussé” - eu conheci ouvindo a coletânea “Shaved Fish”. É uma canção que fala sobre sonhos e passa muita ternura. Gostei desde a primeira vez e ouço até hoje. O disco foi lançado em 1975, mas descobri a música em 1981, apenas.

Mother: a canção em que Lennon faz os apelos desesperados chamando sua mãe é um hit na minha vida. Adoro. No final, Lennon experimenta a “Teoria do Grito Primal”, de Arthur Janov, e aos gritos, pede para sua mãe – morta num atropelamento quando ele era ainda criança – e eu pai – que o abandonou – voltarem. Emocionante.

Instant Karma: Na década de 80 eu ouvia essa música todos os dias, era o meu mantra. Entrava em transe e esquecia as agruras da vida. Devo muito a ela “Well we all shine on”.

Could Turkey: Nas revistas de música e cifras, o título dessa canção vinha com a tradução literal  “Turquia Fria”. Nada a ver! A expressão nada mais é do que um gíria que se refere ao estado de abstinência de drogas. O próprio Lennon explicou esse detalhe em uma entrevista. Quanto a música,  mais um hit na minha vida.

Mind Games: outra que conheci no “Saved Fish”. Ouvia todos os dias e cheguei a fazer uma versão para tocar com minha banda de rock. Adoro e ouço até hoje!

Imagine: o grande clássico pacifista de Lennon, apesar de ter sido massificada, mora no meu imaginário porque é um tema recorrente que me remete ao universo Lennon. Clássico é clássico!

Jelous Guy: Lindíssima canção de amor. Fala de ciúme, insegurança, de lágrimas. É uma das mais belas canções escritas por um ex-beatle. Anda no meu mp3.

Woman: Mais um grande clássico que mora no meu imaginário. Nessa cancão, Lennon declara seu amor às mulheres. É um hino!

(Just Like) Starting Over: Ouço muito essa canção. No devedê “Legend”, criaram um vídeo que traduz absolutamente a beleza dessa música. Clique no título e assista ao vídeo.

Nobody Told Me: essa canção deveria entrar no “Double Fantasy”, mas sobrou. Acabou compondo o álbum póstumo “Milk And Honey”. Virou hit. Adoro essa canção!

FRINGE 4x07 - WALLFLOWER

 Spoilers Abaixo!

Fringe se despediu de 2011 com mais um ótimo episódio. Entretanto, alguns ajustes precisam ser feitos, isso é notório. Essa coisa do Walter resolver casos de dentro do laboratório saturou. Acredito que depois desse hiato de fim de ano, ele vai sair desse surto. A volta do Peter aconteceu com um grande impacto, mas está sendo explorada a toque de caixa. Acredito que esse detalhe também deve ser revisto na volta. Poderiam explorar, inclusive, o triangulo amoroso envolvendo ele, Olivia e o Agente Lee.

O episódio, como de praxe, foi aberto com um acontecimento Fringe. Um homem estava sendo seguido por algo que ele não sabia descrever. Ligou para a esposa informando, ela chamou a polícia, mas ele acabou sendo atacado ao entrar em casa por um vulto que sugou toda a pigmentação do seu corpo. Um policial, que chegou logo em seguida, percebeu o vulto e atirou. Depois confessaria a Olivia que pensava se tratar de um fantasma. O Agente Lee logo derrubaria essa hipótese ao achar sangue do suposto assassino que se feriu nos estilhaços da porta de vidro que o policial destruiu.

As investigações do DNA do suspeito levaram à um bebê nascido em 1989 e que morreu logo em seguida. Um breve papo dos agentes do FBI com a enfermeira que trabalhou no parto ligaram o sumiço do corpo do bebê com a Companhia Cyprox, a empresa que deu origem, claro, a Massive Dynamic. O bebê, na verdade, não havia morrido. Nina Sharp revelou à Olivia que ele era portador de uma anomalia que o transformou num “cromatófono”, um homem invisível. As mortes em série seriam, segundo uma avaliação inicial, para roubar a pigmentação das pessoas. O “Gemini Man Fringe” chamava-se “Eugene”.

O recluso Walter deu a ideia de usar luz ultravioleta para visualizar o invisível Eugene. Nada de novo, as grandes casas de shows usam esse artifício atualmente para identificar ingressos falsos. Mas o desfecho da história, ao menos, surpreendeu. Eugene, supunham os policiais do FBI, estava tentando se matar sugando os pigmentos alheios. Depois que  seu laboratório foi descoberto, perceberam, que ele estava numa luta desesperada para encontrar a cura para sua anomalia. Por que? Por causa de Julie (Jane McGregor), um lindíssima mulher que ele via todos os dias no elevador. Aliás, as mortes o deixavam visível por algumas horas, justamente para que Julie pudesse vê-lo, revelou o desfecho da historinha.

Como a série vai entrar em hiato e só volta no ano que vem, preparam um gancho cheio de mistérios. Olivia, que estava se preparando para ir ao encontro do Agente Lee, foi dopada por membros da Massive Dynamic que injetaram cortexiphan na cabeça da loirinha. Tudo aos olhos da sinistra Nina Sharp. Mistério que ficará para o dia 13 de janeiro.

Resta, ainda, decifrar o código deixado nas passagens de cena: D-A-V-I-D. Muitas teorias relacionadas ao significado do nome. Vou por outro caminho. Seguindo a ordem numérica do alfabeto, cada letra seria transformada em um número. Sendo assim, “David” passaria a ser: D(4ª letra), A(1ª letra), V(22ª letra), I(9ª letra) e D(4ª letra): 412294. Colocando esse número no oráculo Google, alguns resultados interessantes:

Um código que identifica tumores em células germinativas.

Código telefônico do condado de Allegheny,  Pensilvânia.

Corram atrás, queimem seus neurônios tentando decifrar. Mas lembrem-se, isso pode se apenas uma brincadeira da produção da série. Seja como for, descobrindo algo, comentem aqui!

Ficha
Escrito por: Matt Pitts e Justin Doble
Direção: Anthony Hemingway
Exibição(EUA): 18 de Novembro de 2011

108 ANOS DO PRIMEIRO FILME DE COWBOY E A LEI DO POLITICAMENTE CORRETO

Há exatos 108 anos, era lançado, nos Estados Unidos, o filme “The Great Train Robbery” (O Grande Roubo do Trem), considerado o primeiro western do cinema e um marco da sétima arte. O filme foi concebido e dirigido por Edwin S. Porter, um discípulo de Thomas Edison. Porter operava câmeras para o grande inventor e acabou tornando-se cineasta.

Essa rudimentar produção, de apenas doze minutos, acabou estabelecendo vários paradigmas usados até hoje tais como tiros que forçam um indivíduo a dançar de medo, perseguições a cavalo,  seguidas cenas de tiroteios, cenas de brigas em cima de um trem em movimento. Outro ponto de destaque é a incrível qualidade das cenas externas. As tomadas feitas de vários ângulos diferentes, muito avançado para a época, além de imortalizar a famosa cena final: um  tiro na direção do expectador (foto acima).

Mas, o que mudou nos filmes de cowboy depois de mais de um século? Hoje em dia o gênero está praticamente extinto, tudo “culpa” do “politicamente correto”. Pois é, antigamente, num passado bem recente, nos divertíamos vendo homens brancos matando índios e um estereótipo foi criado: o índio era sempre visto como o bandido. Numa total inversão de valores, achávamos normal ver os nativos serem dizimados pelo colonizador “bonzinho”. Na verdade, o homem branco era o invasor. Ele tomou as terras dos índios, dizimou várias nações e se autoproclamou herói.

Não interessa a indústria do cinema inverter esse paradigma, já que o público dos cinemas não é composto por índios. O último grande western, “Dança Com Lobos”, mostrou uma visão diferente – e mais próxima da realidade – da relação entre o colonizador e o índio. Desde então, pouco se produziu sobre o gênero que ressurge, vez ou outra, em remakes. Confira abaixo, na íntegra, o clássico “The Great Train Robbery”: