LP RESGATA CLÁSSICOS OBSCUROS DA JOVEM GUARDA E TRÊS SUCESSOS DE ROBERTO CARLOS


As fotos que ilustram esse post  mostram  capa e contracapa de um disco que, mesmo tendo sido lançado em 2010, já é um artigo raro. Trata-se do LP “Jovem Guarda – Golpe Final”. O disco traz a marca do selo “Maluco Beleza”, tem descrições em português, mas não foi oficialmente lançado no Brasil. Aparentemente  é de origem portuguesa.  Esta sendo vendido apenas pela internet em vários links estrangeiros (confira aqui ou aqui).

O disco apresenta doze faixas com gravações originais do período compreendido entre os anos de 1966 e 1973. Fazem parte da coletânea: Roberto Carlos, Jerry Adriani, Wandreley Cardoso, The Fivers, Os Incríveis e José Roberto. Esse último mais conhecido no Nordeste brasileiro onde fez um relativo sucesso.  O álbum traz um equívoco, certamente desconhecido dos organizadores (estrangeiros) do trabalho: a canção “Eu Te Amo Meu Brasil”, uma música feita de encomenda para a ditadura Médici. Absolutamente dispensável.

É um registro que já nasceu raro, difícil de ser adquirido. Uma boa pedida para os colecionadores. Abaixo é possível conferir todas as faixas através de links do youtube. São os mesmos fonogramas do disco.

LADO A

 LADO B

AINDA SOMOS HUMANOS


Quando se é jovem e inexperiente, um dos fardos mais pesados na vida é o medo de enfrentar o mundo real. A pouca experiência, via de regra, induz a caminhos ilusórios para fugir da dura realidade do cotidiano. Sonhar que os pais vão morrer bem velhinhos e dormindo, imaginar que num belo dia todos os sonhos se realizarão como num passe de mágica e por aí vai. O tempo passa e a experiência nos mostra que o mundo, de vez em quando, vira de cabeça para baixo e temos que ter força para encará-lo.

As aterrorizantes noticias que chegaram da cidade de Santa Maria no final de semana passado é um desses momentos. Você fica remoendo, remoendo e não consegue digerir. Não dá nem pra fugir da tristeza. Na era da interatividade total, as notícias chegam de tudo quanto é lado. Você lê a história do jovem que salvou a esposa e voltou para ajudar os outros e morreu. Muitos trocaram a sorte de terem se safado pelo risco de ajudar outras pessoas e acabaram morrendo também.  Seres humanos, afinal, eles existem, é por isso que o mundo ainda se mantém com uma certa ordem. Somos infinitamente mais humanos do que imaginamos.

Tenho que repetir o que escrevi acima agora com um grifo: vários jovens que tiveram a sorte de escapar da morte, voltaram para ajudar os amigos e acabaram morrendo também. Não eram bombeiros treinados, eram pessoas normais que se, eu ou você, tivéssemos a incumbência de descrevê-los, logicamente, não imaginaríamos que eles, frequentadores de baladas noturnas, namoradores, jamais dariam a vida por outros, mas deram.

Esse não é um texto escrito para lamentar a tragédia ou descrever o horror do acontecido. Como destaquei acima, estamos na era da interatividade e um turbilhão de notícias chega a toda hora. Escrevo pra celebrar a prova inconteste de que ainda somos humanos. Aos que pereceram, que encontrem a luz.

DISCOS FUNDAMENTAIS DO ROCK BRASILEIRO - PRIMEIRA PARTE

Dois– Legião Urbana (1986): esse é o melhor disco da Legião sem sombras de dúvida. As limitações do quarteto como músicos são compensadas com a excelência das canções desse álbum. Clássicos como “Tempo Perdido”, “Daniel Na Cova dos Leões”, “Fábrica”, “Eduardo e Mônica” e “Índios” fazem parte da obra. Renato Russo assina oito das doze canções e participa como coautor nas outras quatro. A força poética dele, com certeza, contribuiu enormemente para o êxito desse grande álbum.
Krig-ha,Bandolo! – Raul Seixas (1973): o disco de estreia do mestre Raul é uma das obras primas do rock nacional. Lançado numa época em que as músicas de protesto já haviam saído de cena e os hits do momento eram, basicamente, baladas adocicadas. O disco apimentou a cena brasileira. Letras fortes com bom humor, inteligência e muito conteúdo crítico. Erroneamente muita gente atribui o peso do conteúdo crítico do disco ao parceiro do Raul, Pulo Coelho. Entretanto, as quatro músicas mais importantes do álbum – ‘Mosca Na Sopa’, ‘Metamorfose Ambulante’, ‘Dentadura Postiça’ e ‘Ouro de Tolo’ – são de autoria de Raul. Outra coisa que muitos desconhecem: Raul, antes de se lançar como cantor, emplacou vários hits como compositor. Teve músicas gravadas por Jerry Adriani, Renato e Seus Blues Caps entre outros. Nessa época ele assinava “Raulzito”.
Gita– Raul Seixas (1974): outro grande disco do Mestre Raul e esse sim, com uma participação ativa do Paulo Colho no direcionamento do discurso para o lado místico. A essa altura, Raul Seixas já era o grande nome do rock brasileiro. O disco, que traz o super hit Gita, figura em todas as listas dos grandes discos do rock brasileiro.
 Da Lama Ao Caos – Chico Science e Nação Zumbi (1994): esse foi o álbum que apresentou a veia criativa e inovadora de Chico Science. Não é apenas um disco de rock, é uma aula de fusion criada por jovens da periferia de Olinda. Depois desse disco, o maracatu revigorou-se e ganhou o mundo. “Da Lama Ao Caos” ajudou a sedimentar o Movimento Mangue e criou escola. Para muitos, esse é o último bom disco do rock nacional. Realmente fundamental.
Selvagem– Os Paralamas do Sucesso (1986): esse é o álbum que deu identidade a banda. A partir dessa obra, Os Paralamas passaram a ter uma sonoridade própria e se desvincularam, de vez, do rótulo de ‘clone do Police’. Na época, Herbert Viana confessou que teve vergonha de mostrar a música “Alagados” aos companheiros da banda porque parecia um samba e não rock. O disco é considerado pela crítica um dos melhores da banda e um dos melhores do rock brasileiro. Mesmo tendo mudado vertiginosamente a sua sonoridade, Os Paralamas emplacaram vários hits nesse disco e sedimentaram sua carreira.
As Quatro Estações – Legião Urbana (1989): outro grande disco da Legião, diferentemente do álbum “Dois”, esse teve a participação ativa dos outros componentes da banda. A essa altura, a Legião já era um trio, Renato Rocha havia deixado o grupo. Mesmo com a mudança na forma de elaboração do disco, a qualidade foi mantida e o trabalho rendeu sete hits. Como no anterior, a força do trabalho estava na poesia de Renato Russo. Um grande disco.
Secos& Molhados – Secos & Molhados (1973): mais um grande clássico do rock nacional. Essa performática banda que em plena ditadura – anos de chumbo – propagava androgenia e letras e músicas fora do convencional. Foi o primeiro disco brasileiro lançado com encarte que trazia letras, autorias, ficha técnica, tudo que o fã tem direito.  O sucesso foi tanto que Os Secos & Molhados lotaram o Maracanãzinho. Um grande feito. O disco é um marco no pop rock brasileiro.
Correndo-o-Risco– Camisa de Vênus (1986): o grande disco do Camisa é um dos grandes discos do rock nacional. Visceral, boas letras e um pós-punk que conseguiu, inclusive, emplacar alguns hits. Das nove faixas, cinco tocaram bem nas rádios. Na faixa “A Ferro e Fogo” usaram uma orquestra. É realmente um disco fundamental do rock nacional.
EmRitmo de Aventura – Roberto Carlos (1968): esse álbum é um dos primeiros discos brasileiros a utilizar na sua estrutura uma linguagem de rock. Lançado no auge da Jovem Guarda, é um elo perdido do rock nacional.  Além do disco, o projeto contou com um filme com título homônimo (1967) de onde foram extraídos os clipes que divulgaram nos cinemas e na tevê o conteúdo do álbum. Outro detalhe importante dessa obra: O vídeo da música “Quando” foi gravado na cobertura do Edifício Copam, em São Paulo, sendo um projeto anterior ao famoso “Rooftop Concert”, dos Beatles, gravado nos mesmos moldes.
CabeçaDinossauro – Titãs (1986): é o disco mais celebrado dos Titãs e um dos mais celebrados do rock nacional. Absolutamente visceral, o cabeça tem um pouco de tudo: escatologia, poesia concreta, crítica social e muito rock. É o disco brasileiro que sempre figura nas cabeças das listas de melhores discos de rock.

RELICÁRIO VOL.15: OS PROGRAMAS DE AUDITÓRIO DA TV JORNAL

ASSIM É O MUNDO


OS DELÍRIOS DE MYRIAM RIOS TORNARAM-SE LEI NO RIO DE JANEIRO

Um dos assuntos mais comentados na rede, nos últimos dias, foi a aprovação, no Rio de Janeiro, do tal “Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”. Mais uma bizarrice protagonizada pela ex-atriz  Myrian Rios. Em tempos de interatividade, o rechaço foi imediato e em grande estilo: os internautas despejaram fotos antigas de uma Myriam bem menospudorosa – e muito mais legal, diga-se de passagem – do que a de hoje.

Depois que abandonou a carreira a artística e separou-se do Rei Roberto Carlos, Myrian enveredou na carreira política e conseguiu eleger-se deputada estadual pelo Rio de Janeiro. A partir de então ela caiu no esquecimento do grande público. O semianonimato seria quebrado em 2011 quando a Deputada deixou escapar seu preconceito contraos homossexuais.  Trocando em miúdos, Mirian deixou a entender que acreditava que  homossexualismo e pedofilia eram a mesma coisa.

Mesmo entendendo as declarações dela como algo absurdo partindo de uma pessoa, em tese, esclarecida, houve quem dissesse que ela tinha o direito de pensar assim. Pensar desse jeito não constitui crime algum, propagar esse pensamento equivocado é que foi o erro. Agora, ela ressurge das cinzas com mais uma bizarrice: conseguiu aproar na Câmara Estadual do Rio de Janeiro uma lei que já assusta pelo nome: “Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais”.

Se ela entende que homossexualismo e pedofilia são a mesma coisa, o “resgate dos valores morais”, por exemplo, implicaria em proibir que homossexuais trabalhassem com crianças.  E o resgate dos valores sociais? Diante da imensa subjetividade do termo, quem poderia determinar os parâmetros que norteariam esses valores? E mesmo que alguém – ou um grupo – se atrevesse a determinar se “isso” ou “aquilo” fere os valores sociais, seria o pensamento de uma minoria sendo imposto para a sociedade. Essa agressão, nos conta a história, serviu como justificativa para inúmeros genocídios.

O ponto mais inaceitável dessa lei é o "resgate dos valores espirituais". Partindo do princípio que a execução da lei será custeada com o dinheiro público, vale lembrar que entre os contribuintes estão pessoas de diferentes credos e muitos, inclusive, que não seguem credo algum. É no mínimo surreal um ateu pagar seus impostos e receber em troca   o  questionamento pelo fato dele não seguir nenhum credo.

Repito: que Myrian Rios tenha seus delírios, tudo bem, a cabeça é dela, mas delirar com o dinheiro público é um absurdo inominável. Mas, num pais em que pastores evangélicos recebem passaportes diplomáticos do governo, os delírios da nobre deputada soam como algo normal. Os que discordam, gritem, “não digam ‘tudo bem’ diante do inaceitável a fim de que este não passe por imutável”, sábias palavras de Bertolt Brecht.

O NECESSÁRIO PARA A VIDA


Por esses dias estive viajando, revisitando um lugar que eu não via há vinte e cinco anos. Trata-se de uma cidadezinha litorânea, Maragogi, coladinha com Pernambuco, lá no litoral sul. Uma maravilha. Na minha estada anterior, no longínquo ano de 1988, fui a trabalho. Na verdade, era mais diversão do que labuta, eu era crooner de uma banda de baile e fui animar uma festa de padroeira.  Na época, Maragogi era apenas uma vila de pescadores que se estendia margeando a BR. Atualmente, a cidade ganhou equipamentos urbanos e oferece uma boa infraestrutura para atender os turistas que chegam diariamente para nadar na imensa barreira de corais.

Nos dias que passei por lá, além de me divertir bastante, fiquei observando o cotidiano da cidade, que segue um ritmo de vida bem menos frenético do que eu estou acostumado. Deu para perceber, claramente, que algumas pessoas sentiam-se extremamente felizes com a vida que levavam ali. Lembrei-me, então, de um amigo que sempre falava: “Meu pai precisa de pouco pra ser feliz, chega me irrita”. O que ele queria falar, na verdade, era que o pai não tinha ambições que fossem além do "pouco" que a vida lhe oferecia. Ele entendia aquela felicidade como conformismo.

Hoje, alguns anos mais velho, percebo que a felicidade não tem uma forma nem um tamanho definido. Que bom. Eu mesmo sou um exemplo disso. Houve uma época da minha vida que minha felicidade resumia-se a uma valise do tipo 007. Lá pela minha adolescência, eu era uma criança retraída que sonhava em ser cantor. Escrevia letras de músicas compulsivamente e as guardava dentro de uma valise preta que era o meu maior tesouro. Meus melhores momentos resumiam-se as várias noites de solidão com minha valise e meus textos que guardo até hoje. Até a solidão, um monstro que assusta  muita gente, era algo imperceptível diante da felicidade que eu tinha em escrever aqueles textos.

Esse modo de pensar foi levado ao pé da letra durante o movimento hippie em que pessoas se desfaziam do supérfluo para viver, apenas, com o necessário em harmonia com a natureza. Não cheguei a tanto, mas estive perto. O tempo foi passando e eu fui adicionando – ou deixando chegar – outros elementos que proporcionavam felicidade a minha vida. Um violão, um toca discos, um gravador, minha coleção de discos,  de revistas, meus livros, meus poucos amigos e meus muitos sonhos. Viver bem, ao final das contas, é o resultado das suas escolhas e da preservação do que realmente  traz felicidade.

OS 65 ANOS DE CARREIRA DE JOSÉ SANTA CRUZ

Quem me conhece sabe, adoro ver tevê, não tenho as costumeiras restrições que os “instruídos” adoram declarar contra a telinha. Vale, inclusive, ressaltar que quem é manipulado pela tevê, é manipulado pelo político, pelo padre, pelo pastor, pelo vizinho. Raulzito eternizou uma frase que resume essa polêmica: “É preciso cultura pra cuspir nas estruturas”.

Estou divagando, o tema desse post é outro. Como assisto a tevê desde criança, alguns ícones da rica história televisiva brasileira moram no meu imaginário.  Um deles é o lendário comediante, ator e dublador José Santa Cruz. Uma das memórias mais remotas que trago da tevê é um famoso esquete protagonizado por ele  no mitológico programa humorístico “Balança Mas Não Cai”. O quadro já foi copiado zilhões de vezes em diversos outros programas, sobretudo na Praça da Alegria e no remake “A Praça É Nossa”. José Santa Cruz e seu inesquecível “Jojoca” com o cabelo parecido com o o bigodinho do  Salvador Dali é uma referência da velha guarda do humor brasileiro.

Mas ele se destacou também – talvez até mais – no campo da dublagem. Não é de se estranhar, já que iniciou sua longa carreira  na radiofonia. Trabalhou, inicialmente,  na Rádio Tabajara, na sua cidade natal, João Pessoa, em 1948. Transferiu-se, depois, para Recife onde trabalhou na Rádio Clube de Pernambuco. A voz do José Santa Cruz, segundo ele próprio, é mais conhecida do que o seu rosto. Sua lista de personagens dublados é extensa, são mais de 50 faces que se popularizaram no Brasil através do seu vozeirão. Abaixo, com o auxílio luxuoso do Wikipédia,  destaco os mais conhecidos e aproveito para dar os parabéns ao dono de uma das vozes mais marcantes  da minha infância. Meus respeitos, Santa Cruz.

PS: Não bastasse o talento, ainda tem esse belíssimo sobrenome. Perfeito!

Lista de Personagens Dublados 

·         Claude Akins  - Xerife Lobo
·         Senhor Omar - Todo Mundo Odeia o Chris;
·         Dino - Família Dinossauro;
·         Chefe - KND - A Turma do Bairro;
·         Mad Mod - Os Jovens Titãs;
·         Frederick - 101 Dálmatas
·         O Grande Soldador - Robôs.
·         August Gusteau - Ratatouille;
·         Devon Miles de A Super Máquina;
·         Megatron - Transformers G1 (O desenho clássico dos anos 80)
·          Magneto - X-Men: Animated SeriesX-Men Evolution e nos três filmes em live-action.
·         Magneto e Megatron - MAD.
·         General Li - Mulan;
·         Professor Potter - Tarzan;
·         Yar em Dinossauro;
·         Lyle Tiberius Rourke - Atlantis - O Reino Perdido;
·         Rei Randor - He-Man;
·         Rei Mondo - Power Rangers: Zeo;
·         Gato do Mato - Desenho animado homônimo;
·         Tiamat em Caverna do Dragão 
·         Galo Roy - Fazenda do Orson (Garfield);
·         Sr. Bickley - Mork & Mindy;
·         Virus - Corrector Yui;
·         Señor Senior Senior - Kim Possible;
·         Pete Fedido (Kelsey Grammer) - Toy Story 2;
·         Rúbeo Hagrid (Robbie Coltrane) nos filmes do Harry Potter;
·         Sargento Cosgrove - Freakazoid;
·         Paizão - Os Padrinhos Mágicos;
·         Diretor Voytek Dolinski - Te Pego Lá Fora;
·         Danny de Vito, em alguns filmes;
·         J. Jonah Jameson (J. K. Simmons) em Homem-AranhaHomem-Aranha 2 e Homem-Aranha 3;
·         J. Jonah Jameson no desenho clássico e na série dos anos 70 do Homem-Aranha;
·         Nestor (Josh Shrapnel) - Tróia;
·         Personagens secundários no desenho As Aventuras de Mickey e Donald (na dublagem original);
·         Tarukami - Yu Yu Hakusho (1ª dublagem);
·         Enma Daioh - Dragon Ball Z;
·         Um dos capangas de Curt Neilson no episódio Pesadelo (Nightmares), o 11º da 1ª temporada de Profissão Perigo (1985-1992);
·         Kosta "Gus" Portokalos (Michael Constantine), no filme Casamento Grego
·         Verme Espacial em Frango Robô
·         Watari Death Note
·         Homem de Lata (Jack Haley) em O Mágico de Oz.
·         M (Bernard Lee) em vários filmes de 007
·         Detetive Will Jeffries em Cold Case
·         Boris - Balto Wolfquest e Balto Wings of Change
·         Mel Dorado (Patrick Walker) em Carros 2
·         Lawrence Limburger em Biker Mice from Mars
·         Personagens Mordekaiser e Volibear do jogo de computador League of Legends
·         Mr. Johnson Vila Sésamo 2007

OS ENSINAMENTOS DO TREMENDÃO ERASMO CARLOS

Ontem, assistindo a tevê, vi um belo depoimento do Tremendão Erasmo Carlos.  Falou da vida com muita propriedade e segurança, mostrando-se satisfeito com as escolhas feitas ao longo do seu rico caminho. Como de costume, soltou algumas pérolas da sua filosofia urbana.  A certa altura, mandou essa: “O que mais aproxima agente de Deus é a música e o orgasmo”. Estou no céu, refleti.

Entretanto, o que mais me chamou atenção no breve relato do velho roqueiro – sim, ele é um dinossauro do rock brasileiro – foi a profunda mágoa, que ele deixou transparecer nas entrelinhas, que ainda sente contra o pessoal da Bossa Nova.  O preconceito contra os integrantes da Jovem Guarda sempre existiu, todo mundo sabe.  No auge do movimento diziam que eles eram alienados porque não faziam música de protesto. Com o passar dos anos foram taxados de bregas. Sempre foram contestados.

O discurso de Erasmo revelou a mágoa  quanto à segregação – musical e social – que existia no Rio de janeiro da década de 60. Ele, um jovem oriundo do bairro da Tijuca, passou a se enturmar com a o pessoal da Bossa Nova através do agitador cultural Carlos Imperial.  Passou a frequentar as coberturas da Barra e de Copacabana, mas tinha que seguir a risca as orientações do mestre Imperial: “Não fala pra ninguém que você canta rock, senão eles vão te crucificar”, revelou.

Erasmo franziu a testa para dizer que  os abastados da Bossa Nova  não se misturavam com a turma da Tijuca.  Dirão alguns: “Essa é uma realidade social atual”. Sim, é, mas os movimentos musicais da periferia e fora do que os donos da mídia acham correto, ganharam voz com a facilidade e a voracidade da circulação da informação. O jovem Erasmo Carlos, hoje em dia, não precisaria fingir, omitir sua origem e seus gostos. O abismo social continua, talvez tenha até aumentado, mas a música, ou qualquer outra manifestação artística, chega aonde quer hoje em dia.

Alvissaras, o velho roqueiro continua vivo, ensinando e declarando seu amor ao bom e também velho rock n roll, confira:

EU, PSICÓLOGO


Resolvi falar dos chatos nesse primeiro post do ano. É que ando observando e me divertindo muito com as neuras desse seleto grupo. Todo mundo tem um conhecido chato.  Você está num grupo de amigos, no trabalho ou num barzinho, aí faz um comentário sobre algo que viu na tevê. O chato se manifesta: “Eu não tenho tempo para ver tevê”. Normalmente quem ostenta esse discurso pré-fabricado faz apenas figuração. Assiste tevê mas adora tirar onda dizendo o contrário. Mais: diz que não gosta da telinha mas, contraditoriamente, tem assinatura de tevê paga.

Outra característica dos chatos atuais é se pronunciar contra a internet. “Não tenho tempo para essas besteiras”. Inexplicavelmente, todos eles têm perfis nas redes sociais, mas sempre falam que não sabem mexer, que nunca acessam. Se nunca acessa, por que diabos criou o perfil, ora?  É mais ou menos o mesmo discurso dos famosos: “Não tenho tempo pra namorar, trabalho muito” Até que um paparazzo qualquer, num clique, desmonta esse discurso fake.

Conviver com os chatos requer jogo de cintura, mas, mesmo para os pouco treinados, um alento: Cientistas da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, comprovaram, com uma pesquisa pra lá de interessante, que o córtex auditivo ignora o que acha chato (li a matéria aqui). Ou seja, nascemos com um antispam natural que filtra parte das chatices do cotidiano. Mesmo assim, é sabido, tem hora que o saco enche.
Para esse post não ficar chato, paro de escrever e reproduzo, abaixo, algumas frases sobre chatos, colhidas na rede:

"O maior chato é o chato perguntativo. Prefiro o chato discursivo ou narrativo, que se pode ouvir pensando noutra coisa” (Mário Quintana).

“Por necessidade de recolhimento livrei-me de Deus, desembaracei-me do último chato”. (Emil Cioran).

“Chato é aquele cara que você fala: “Aparece lá em casa de vez em quando” e ele aparece”. (Millôr Fernandes).