A VOLTA DE SARAMANDAIA

Pois então, que felicidade quando li em vários sites da rede que  “Saramandaia” ganharia um remake. Coincidentemente, voltará quase no mesmo horário que foi exibida no passado, às 23 horas.   Esse folhetim assinado por Dias Gomes foi a primeira experiência da tevê brasileira abordando a realidade fantástica.

  Lembro-me bem do frisson que a novela provocava na década de 70. Uma coleção de personagens bizarros e uma trilha sonora espetacular fizeram da novela um dos maiores sucesso da teledramaturgia brasileira.  Eu tinha apenas nove anos em 1976, época da primeira exibição, era um garoto medroso da murrinha. No dia em que Dona Redonda explodiu tive pesadelos com a cena da mão dela caindo no birô do prefeito.

Dentre os personagens esquisitos criados por Dias Gomes, destacavam-se:

*João Gibão (Juca de Oliveira): Homem alado
*Professor Aristóbulo (Ary Fontoura): Transformava-se em lobisomem.
Marcina (Sônia Braga): Tinha uma febre que o corpo pegava fogo.
*Coronel Zico Rosado (Castro Gonzaga): Tinha um formigueiro no nariz
*Dona Redonda (Wilza Carla): Comia compulsivamente e engordou até explodir
*Seu Cazuza (Rafael de Carvalho): O coração saia pela boca
*Dom Pedro I (Tarcísio Meira)
*Tiradentes (Francisco Cuoco)

A cena clássica do voo de João Gibão deu sentido aos versos da bela canção de Ednardo, “Pavão Mysterioso”. Depois que Carlito Prata e seus jagunços cercaram João em frente a um penhasco, ele alçou voo com a bela canção ao fundo cujo verso final dizia: “Eles são muitos mas não podem voar”. Inesquecível! Confira, abaixo, os vídeos com a cena original do voo do João Gibão e o teaser do remake que será exibido em junho:

Para mais informações sobre o remake, clique aqui e aqui



BREVE COMENTÁRIO SOBRE A SEMANA SANTA


Sou filho de uma católica daquelas que tem altar na sala e tudo mais. Dona Ivone, minha mãe, sempre seguiu à risca os ditames da religião. Antigamente, lembro-me bem, essa coisa de “semana santa” era levada muito a sério.  Não podia comer carne, só podia beber vinho, não podia dizer palavrão. Eu tinha medo até de pensar em palavrão. Minha mãe falava com aquela voz que só as mães têm: “Deus vai castigar”. Como eu tinha medo de Deus, meu Deus! Hoje em dia, percebo, a sexta-feira não é mais tão santa.  Ela está mais achocolatada, mais propagandeada, a santidade ficou apenas em alguns focos de resistência. 

Os costumes atrelados à Semana Santa também foram quase que deixados de lado. O dia de “serrar-velho” e a “malhação do judas” são dois ritos quase que extintos. A malhação do judas era o momento esperado, o ano todo, para execrar publicamente não o injustiçado apóstolo, mas alguma figura pernóstica do bairro. Colocavam um boneco feito de pano na porta do infeliz que só tomava ciência da “homenagem”, no dia seguinte, quando abria a porta.

Já o “serra-velho”, era uma espécie de loa noturna feita à porta de um velho que, segundo rezava a lenda, não estaria vivo no ano seguinte. Essa mórbida brincadeira era tratada com muita seriedade, tinha gente que passava a quarta-feira de trevas longe de casa para não correr o risco de ser serrado. Hoje em dia, dificilmente se vê manifestações como essas.
De qualquer forma, ao menos nesse período, a fraternidade entre as pessoas é clamada nos países cristãos. Que assim seja!

MINHAS LEMBRANÇAS DOS FESTIVAIS DE MÚSICA DA DÉCADA DE 80

Entre as lembranças remotas que tenho da tevê, os grandes festivais da Record estão presentes. Fui apresentado a esse maravilhoso mundo musical através das reprises que a tevê, em preto e branco, exibia na década de 70. Ficava maravilhado com as histórias de bastidores e com a incrível quantidade de talentos revelados naqueles festivais. Verdadeiramente, ali, a MPB foi sedimentada.

Em 1980, quando a Rede Globo começou a anunciar a realização de um grande festival de música, foi uma felicidade só. No meu grupo de amigos respirávamos música. No colégio, ficávamos horas e horas trocando ideias e falando sobre o assunto.  “O MPB 80” foi o primeiro que eu vi e vivi. Cheguei a inscrever uma música que não foi selecionada.

Esse festival foi maravilhoso. Teve a polêmica em torno da canção vencedora, “Agonia”, de Oswaldo Montenegro.  Muitos achavam a música chata e depressiva. Eu adorava mas torci muito pela vitória de Raimundo Sodré que defendeu “A Massa”. Ele acabou ficando em terceiro lugar. A vice-campeã foi Amelinha cantando “Foi Deus Quem Fez Você” de Luiz Ramalho. O festival revelou o grande intérprete Jessé com a clássica “Porto Solidão”, Sandra de Sá e seu “Demônio Colorido”, a suavidade de Fátima Guedes e as loucuras de Eduardo Dusek e seu “Nostradamus”.

Por falar em loucuras, não dá pra esquecer Baby & Pepeu cantando “O Mal é o QueSai da Boca do Homem”. Gerou uma polêmica porque a dupla foi acusada de fazer apologia às drogas. Dizia o refrão: “Você pode fumar baseado, baseado em que você pode fazer quase tudo”.  Lembre-se que 1980 ainda era ditadura, agonizando, mas era. Merecem destaque, ainda, Quinteto Violado com “Rio Capibaribe”, Joyce com “Clareana” e o Exportasamba com “Reunião de Bacanas” o samba que eternizou o refrão “Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão” e uma canção que virou hit: “Rasta-pé” com a dupla baiana Jorge Alfredo & Chico Evangelista. Muito massa!

O MPB 80 fez tanto sucesso que a Rede Globo organizou mais duas edições: o MPB Shell 81 e 82. No MPB Shell 81, mais uma vez houve uma grande polêmica com o anúncio da canção vencedora, “Purpurina”. A canção escrita por Jerônimo Jardim, brilhantemente interpretada por Lucinha Lins, conseguiu a proeza de vencer a favoritíssima – torci muito – “Planeta Água”, de Guilherme Arantes.  Lucinha, merecidamente, ganhou também um prêmio de melhor intérprete.  Depois do anúncio da vitória, ela voltou ao palco para cantar novamente a canção e recebeu uma das maiores vaias da história dos festivais (confira aqui).  Chorou muito e foi, inclusive, apoiada por Guilherme Arantes, o preferido do público.

Como era costume na época, a Rede Globo lançou um LP reunindo as principais canções do festival. Purpurina entrou no álbum como faixa três e Planeta Água veio na faixa um, mostrando que a preferência do público, ao menos no disco, surtiu algum efeito. Desse festival, merecem destaque também: “Estrelas”, de Oswaldo Montenegro, brilhantemente interpretada por José Alexandre e “EstrelaReticente” eternizada no vozeirão do cantor Jessé.

Em 1982, o MPB Shell teve sua segunda edição e começou a perder o brilho. O nível das canções foi muito abaixo das edições anteriores, tanto que nem houve a costumeira polêmica em torno da canção vencedora, “Pelo Amor de Deus”, interpretada por Emílio Santiago. A vice-campeã foi “Fruto do Suor”, um canto latino-americano interpretado pelo grupo Raízes de América. Merece destaque a belíssima “Quero Mais” brilhantemente defendida pelo Quinteto Violado e que ficou em quarto lugar. Só!

O último grande festival realizado pela Rede Globo foi o “Festival dos Festivais”. Realizado em 1985 por ocasião das comemorações dos vinte anos da emissora, tinha uma proposta mais democrática do que os anteriores. Teve eliminatórias realizadas em várias cidades do Brasil, inclusive Recife.  Estive nessa eliminatória realizada no Geraldão lotado. Nesse dia, um grupo infantil chamado “Abelhudos”, brilhou interpretando a irônica “O Dono da Terra”.

O Festival dos Festivais foi diferente dos anteriores, nele, a canção preferida do público, “Escrito Nas Estrelas”, interpretada pela gasguita Tetê Espíndola, foi a campeã.  1985 era, ainda, um tempo de inocência.  A palavra “tesão” presente em um dos versos da canção fazia a plateia delirar.

Outros destaques desse festival:

* Mira Ira, a bela canção ecológica de Lula Barbosa, ficou em segundo lugar e teve uma interpretação marcante do grupo Tarancón.

* Verde”, a terceira colocada, lançou Leila Pinheiro que se firmou no cenário nacional como uma grande intérprete da MPB.

* A Última Voz do Brasil, eleita a melhor letra do festival, foi a última apresentação em festivais da lendária banda “Joelho de Porco” que tinha, entre os seus integrantes, o também lendário Zé Rodrix.

* “Condor”, canção de Oswaldo Montenegro, teve o apoio de um coral de vinte e cinco cantores negros. A Globo exibiu um making off mostrando os ensaios do grande coral que fez um enorme sucesso mas não ganhou nenhum prêmio.

* “Rastros e Riscos”, trouxe a cena o cantor Fernando Gama, ex-integrante do lendário grupo “Vímana” que reunia, entre outros, Ritchie, Lulu Santos e Lobão.  Nesse mesmo ano Fernando emplacaria o hit “Não Me Iluda” com a obscura banda de rock Cinema A Dois.

Esses quatro festivais foram muito importantes na minha formação contribuíram para minha inclinação musical. Ao longo da década de 80 falar de música tinha sempre algo a ver com os festivais. Inesquecível!

NA TERRA DE AMOR E ÓDIO - LEMBRANÇAS DE UM PASSADO RECENTE


Pois então, hoje à tarde, no descanso pós-almoço, assisti ao filme “Na Terra de Amor e Ódio” que retrata a guerra da Iugoslávia ocorrida há bem pouco tempo, na década de 90. O filme tem uma premissa bastante comum, mostra as atrocidades da guerra a pretexto de narrar uma historinha de amor envolvendo um casal, obviamente, composto por pessoas de lados opostos do conflito.

Lembro-me bem dessa época. Víamos pela tevê, perplexos, a reprodução dos horrores da Segunda Guerra – campos de concentração e genocídios – ocorrendo numa época em que, supúnhamos, seria impossível acontecer. Mais perplexidade causava a postura da comunidade internacional que deixava acontecer os massacres sem uma intervenção imediata. 
As críticas da época falavam, entre outras coisas, que a parcimônia da comunidade internacional – leia-se Estados Unidos – se dava porque os entreveros nos Bálcãs não envolviam nenhum grande interesse econômico. A vida humana, pura e simplesmente, aos olhos deles, não representava nada. A degradação humana na África descolonizada, bem antes, já provara isso.

O que é mais contraditório nessa sanguinária história, é o fato dos europeus terem sempre se colocado como centro da civilização humana mesmo tendo, em vários momentos,  protagonizado episódios tristes como esses. A guerra da Iugoslávia era, antes de tudo, um conflito étnico-religiosa. Os Sérvios, cristãos ortodoxos, tentavam reeditar na década de 90 do século XX, a sanha segregante de Adolf Hitler. Perseguiam os muçulmanos proclamando uma alegórica superioridade racial.

O que veio depois de todas as atrocidades cometidas nesse conflito também parecia uma reedição do rescaldo da Segunda Guerra. Os criminosos se escondendo do mundo e sendo capturados, uma a um (destaquei em um post de 2008), ao longo dos anos. O mais temido, Slobodan Milosevic inclusive, morreu na prisão. Para quem quiser conferir a reprodução dessa triste história recomendo o filme (que pode ser assistido online aqui) em questão que foi escrito e dirigido pela atriz Angelina Jolie. Tem que ter estômago! Segue o trailer oficial:

BREVE COMENTÁRIO SOBRE O PASTOR MARCOS FELICIANO E A DISSEMINAÇÃO DO ÓDIO

Foto: O Globo
Por esses dias, ao saber da nomeação do pastor Marcos Feliciano para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados, lembrei-me de um lema iluminista: “As pessoas tornam-se verdadeiramente livres quando libertam-se das trevas da ignorância”. Pior do que as trevas da ignorância é a falsa luz.

Bastou digitar o nome do tal pastor no Google para a minha perplexidade aumentar. De cara um vídeo (assista aqui) mostrava o “religioso” exigindo a senha do cartão de um simplório fiel.  Depois li aquelas frases dele que a internet se encarregou de popularizar e, com asco, transcrevo abaixo:

 "A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição”.

"Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Isso é fato. O motivo da maldição é a polêmica. Não sejam irresponsáveis twitters rsss”.

A essa altura já estava com vontade de vomitar. Tenho postado no Facebook exemplos dessas barbaridades protagonizadas por Marcos Feliciano para ajudar – numa luta quase inglória, sei – a denunciar essa disseminação de ódio gratuito. Por uma esdrúxula composição política, ele foi indicado ao cargo apesar de ter um perfil absolutamente contrário a um dirigente de uma entidade voltada à promoção dos direitos humanos.

Com um histórico de radicalismo religioso que esse indivíduo tem, é um absurdo inominável sua presença nessa Comissão. Com o perdão do tosco trocadilho, chega a ser desumano. Aos que estão calados por conformismo ou por obediência ao seu pastor, vale lembrar que a semente do ódio germina e floresce até mesmo nos ambientes mais áridos.

DIVULGADO O TRAILER OFICIAL DE "SOMOS TÃO JOVENS", FILME QUE NARRA O INÍCIO DA CARREIRA DE RENATO RUSSO


Como mostra o cartaz acima, o esperado projeto sobre o início da carreira do Renato Russo já tem data marcada para estreia, 03 de maio. O filme é estrelado por Thiago Mendonça, perfeito na pele do genial Renato. 

Dirigido por Antônio Carlos Fontoura, o longa mostra a efervescência cultural da capital federal entre os anos de 1976 e 1982 quando surgiram as principais bandas do movimento de Brasília.  O filme traz a curiosa participação do guitarrista Nicolau Villa-Lobos que interpreta o papel do seu pai, Dado Villa-Lobos.  Conrado Godoy interpreta o baterista Marcelo Bonfá.
A produção, tratada como uma cinebiografia, teve seu primeiro trailer divulgado no último dia 04 de março. Confira abaixo:

Para acessar o site oficial do filme e conferir mais detalhes da produção, clique aqui

JUSTIÇA SE PRONUNCIA SOBRE A DISPUTA ENVOLVENDO A ORGANIZAÇÃO DA IX BIENAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO


JUSTIÇA DETERMINA QUE A EMPETUR DEVOLVA A RESERVA DO CENTRO DE CONVENÇÕES PARA A CIA DE EVENTOS REALIZAR A IX BIENAL DO LIVRO

A Justiça pernambucana concedeu nesta sexta-feira uma liminar favorável à Cia de Eventos, que recupera assim o direito sobre a reserva do pavilhão do Centro de Convenções no período de 04 a 13 de outubro para a realização da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.
Com esta decisão proferida pelo judiciário, fica determinado judicialmente que a reserva do Centro de Convenções seja retomada pela Cia de Eventos para que a realização da IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCO.

Recebido, via e-mail, enviado pela Cia de Eventos em 02 de março de 2013