O Maior Cemitério de Aviões do Mundo

Quando eu era criança, lá pelos idos dos anos 70, costumava brincar em um cemitério de carros da extinta Sudene localizado no bairro da Mangueira, zona oeste do Recife. Era absolutamente fascinante.  Fico imaginando como aquela criança da década de 70 se sentiria em Davis-Monthan, o maior cemitério de aviões do planeta. Localizado em Tucson, no Arizona, o espaço faz parte de uma base aérea. A escolha desse local para o repouso final dos gigantes aéreos levou em consideração as condições climáticas. Por ser uma região de semiárido, o volume de chuvas é bastante baixo o que ajuda a preservar as aeronaves.  A ideia inicial era que o local fosse tratado como um depósito e não um cemitério, ao longo dos anos, entretanto, os aviões foram se acumulando e quase todos foram esquecidos. Hoje em dia o local atrai a curiosidade dos visitantes que ficam maravilhados com a quantidade e o estado de conservações das aeronaves.
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Os Duzentos Anos da Revolução Pernambucana

Óleo sobre tela "Benção da bandeira" ( José Cláudio da Silva )

Hoje, por acaso, lembrei-me do comentário idiota feito pelo preconceituoso jornalista Diogo Mainardi, “o nordeste tem tradição bovina”, por ocasião da reeleição da presidenta Dilma. A grande quantidade de votos alcançada pela presidenta no Nordeste desagradou vários setores ligados à direita e testemunhamos uma enxurrada de mensagens agressivas contra os nordestinos. Durante esses tristes episódios, como de costume, retruquei as agressões e, para contestar a idiotice do Mainardi e de tantos outros, lembrei a importância da Revolução Pernambucana. Esse grandioso movimento hoje está completando duzentos anos. E por que propagar nas redes sociais os ideais desses revoltosos? Simples: A Revolução Pernambucana foi uma das mais importantes revoltas contra a opressão absolutista dos portugueses, importantes conquistas sociais e políticas foram iniciadas com esse movimento, só para citar os mais importantes: separação dos três poderes (legislativo, executivo e judiciário), a liberdade de culto, a liberdade de imprensa, a suspensão de impostos considerados injustos, e o crescimento do sentimento nativista. A Revolução Pernambucana inspirou, inclusive, outro grande movimento separatista, a Confederação do Equador, que aconteceria sete anos depois.  Dizer que o Nordeste tem “tradição bovina” é, antes de tudo, uma injustiça contra os que lutaram pela liberdade, inclusive, dos que escrevem essas asneiras.
Nesse breve texto deixo minha homenagem pela coragem desses pernambucanos!

Saiba mais sobre a Revolução Pernambucana aqui

Documentário Feminino Cangaço



Referências da obra:

O Centro de Estudos Euclydes da Cunha apresenta o documentário “FEMININO CANGAÇO” dirigido por Lucas Viana e Manoel Neto, propõe uma reflexão crítica sobre a entrada das mulheres no cangaço, suas motivações, as superstições em torno delas, seus papeis dentro dos bandos, seus costumes, crenças e dramas pessoais. Trata-se de melhor compreender a importância das mulheres na construção do que hoje entendemos como o fenômeno do cangaço e as destacar como sujeitos ativos desta história, mulheres que transgrediram os valores sociais de sua época e cuja força surpreende ainda nos dias atuais.


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Eu, Geógrafo

Na minha primeira aula na faculdade, no curso de Geografia, percebi que a maior qualidade dos geógrafos da UFPE era ser pedante. Assim falou o “professor” nos recepcionando: “Boa noite, eu sou o único PHD que dá aulas no básico, faço isso porque gosto”. E ele continuou a falar do seu currículo deixando escapar aqui e acolá o ódio que sentia pelos alunos que prestavam vestibular para geografia pensando em mudar depois para o curso de Direito. O tempo foi passando e a tal primeira aula resumiu-se a uma verbalização irritante de um currículo Lattes.

A tristeza maior foi perceber que a Geografia perdeu espaço para ela mesma. O mundo todo sempre estava errado, só os geógrafos estavam certos. Se um meteorologista aparecia falando sobre o tempo ou o clima, surgia em seguida um papa da geografia para apontar os erros dele. E era isso o tempo todo: o grande geógrafo apontando os erros no curso de Oceanografia, ou falando que faltava no curso de biologia uma biogeografia de verdade, que geografia era uma ciência da natureza, tinha outro que rosnava chamando (em tom pejorativo) Milton Santos de sociólogo e nessa pisada concluímos o curso: Licenciatura Em Análise de Equívocos Geográficos.

O que eu ensino nas escolas aprendi nos meus momentos de solidão na biblioteca do CFCH e na minha prática diária. Meus alunos me ensinaram (e ensinam) muito mais do que a universidade que de importante só me rendeu duas coisas: o diploma e alguns fraternos amigos.

Dica de hoje: Psicodelia Nordestina!


Carrie se foi e Leia está voltando!


Vi na TV Globo, há pouco, o correspondente de Nova York explicando os “porquês” de a Carrie Fisher detestar a Princesa Leia. A mesma matéria, entretanto, explicava que Carrie havia deixado gravada sua volta triunfal à saga Star Wars. Dá até para imaginar que o desaparecimento precoce dela seria mais uma daquelas sacadas geniais do George Lucas: a atriz morre e a personagem renasce. Seja como for, devo muito a Carrie Fisher e sua trupe, uma das lembranças mais remotas que tenho da minha relação com o cinema é de uma tarde qualquer - um domingo com certeza – do ano de 1977: eu vibrando de alegria no Cine Eldorado, no bairro de Afogados, imaginando como seria emocionante viajar pelo espaço. Meus respeitos!

Retrocesso

Imagem: internet

A cada sugestão de reforma do ensino cresce a minha convicção de que, no futuro, restarão apenas professores de português e matemática. Estão colocando a filosofia no canto escuro da gaveta e aquecendo os holofotes da matemática, uma manobra sem lógica já que a lógica filosófica é um dos pilares da matemática. De que adianta entender sobre a estrutura de um discurso se não existe conhecimento humanístico para tornar o discurso útil, transformador. Num futuro bem próximo formaremos processadores de dados e cuspidores de textos sem alma!

Netflix libera download de filmes e séries em dispositivos móveis

Finalmente a Netflix liberou parte do seu catálogo de filmes e séries para download. Inicialmente o serviço está disponível apenas para dispositivos móveis que utilizam Android (versão 4.4.2 ou superior) e iOS (8.0 ou superior). Mesmo rodando os sistemas operacionais compatíveis, o serviço de download só aparece se esses sistemas forem atualizados. O mais simples é desinstalar e reinstalar os mesmo.


Clique aqui e acesse um tutorial no site da Netflix

O tendencioso algoritmo do Google

O que é um algoritmo?

Por definição, um algoritmo é uma sequência finita de instruções bem definidas e não ambíguas, cada uma das quais devendo ser executadas mecânica ou eletronicamente em um intervalo de tempo finito e com uma quantidade de esforço finita. Por exemplo: você está assistindo a uma série na Netflix e por um motivo qualquer para na metade. Quando você acessa o site novamente e clica na série que estava assistindo, ela continua exatamente de onde você parou. Esse mecanismo inteligente é definido por um algoritmo. Os sites de busca utilizam esses mecanismos para ordenar links e padrões de informação.

Certa vez recebi pelo zap um print mostrando que, ao digitarmos no Google a pesquisa “Maior ladrão do mundo?”, o resultado era uma enxurrada de fotos e memes do ex-presidente Lula. A pessoa que me enviou – e tantas outras que compartilharam – reverberaram essa informação como sendo verdadeira e incontestável. Testei a informação e confirmei – veja no print abaixo – que o algoritmo do Google realmente produzia essa sequência de imagens.
Pois bem, resolvi fazer outra pesquisa, coloquei na janela de busca do Google: “Pessoas bonitas”. O resultado foi esse do print abaixo, uma enxurrada de pessoas brancas, de cabelos lisos e na grande maioria loiros. A inferência lógica é que o site de busca, do mesmo jeito que afirma que Lula é o maior ladrão do mundo, está afirmando que pessoas bonitas são pessoas brancas, de cabelos lisos e claros. Quem aceita e propaga uma dessas “verdades”, obrigatoriamente, tem que aceitar a outra.
Tire suas conclusões!




Estudo vincula hábito de assistir maratonas de séries à depressão


Para quem é viciado em seriados de tevê, realizar maratonas para se atualizar em uma série é algo corriqueiro. Pois bem, um estudo da Universidade do Texas (EUA) vincula esse hábito à depressão e a solidão extrema. A pesquisa foi realizada com um grupo restrito de série maníacos com idades entre 19 e 29. O estudo apontou tendências depressivas nos jovens que, habitualmente, realizam maratonas de episódios. Alguns dos pesquisados afirmaram que as maratonas passaram a fazer parte do cotidiano sendo praticamente impossível viver sem esse entretenimento. Com a popularização do serviço de streaming como a Netflix, a maratona de episódio foi sedimentada. Como os seriados são disponibilizados completos, as pessoas – mesmo as que não assistiam vários episódios de uma vez – passaram a ver não apenas episódios e sim, temporadas completas. A indústria do entretenimento televisivo comemora o boom do seguimento! E você, curte esse tipo de diversão?

Por onde andam as musas das pornochanchadas?

Adele Fátima - Aos 62 anos, mora atualmente no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Casada há 35anos, dedica sua vida a questões ambientais.
Aldine Muller - Depois do período das pornochanchadas, conseguiu uma sólida carreira na TV participando de 21 novelas. Seu mais recente trabalho foi a personagem "Vera" da novela infantil "Chiquititas" (SBT) entre 2013 e 2015. No cinema fez mais de 40 filmes, seu trabalho mais recente foi “2 Coelhos” em 2012. Está atualmente com 62 anos.
Angelina Muniz - Conhecida como uma das mais lindas atrizes das pornochanchadas, migrou para a TV e construiu uma carreira sólida tendo participado de 21 novelas. Seu trabalho mais recente foi na TV Record, em 2015, interpretando a personagem "Tuya". Além de atriz, Angelina é formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes.
Helena Ramos - Foi uma das mais conhecidas musas das pornochanchadas. Entre 1974 e 1984 estrelou 41 filmes. Assim como outras atrizes da sua época migrou para a TV, mas não teve o mesmo sucesso, atuou em apenas cinco novelas. Seu último trabalho foi na novela da Globo Insensato Coração. Afastada da vida artística está atualmente com 60 anos.
Selma Egrei - Foi uma das poucas atrizes que conseguiu atuar na TV mesmo na época em que atuava nas pornochanchadas. Fez mais de 30 filmes e construiu uma carreira sólida também na TV tendo participado, entre 1970 e 2016, de mais de 30 novelas. Está no ar atualmente interpretando a personagem “Encarnação” na novela global “Velho Chico”.
Matilde Mastrangi - Afastada atualmente da vida artística, está casada com o também ator Oscar Magrini. Fez mais de 30 filmes na época de ouro das pornochanchadas. Tentou carreira TV, mas acabou desistindo da vida artística depois de atuar em apenas duas novelas. Está atualmente com 63 anos.
Nádia Lippi - Apesar de ter feito poucos filmes do gênero, ainda é reconhecida como uma atriz de pornochanchadas. Começou a carreira artística muito cedo, em 1968, com apenas 12 anos na novela “A Pequena Órfã” na extinta TV Excelsior. Apesar de ter uma carreira de sucesso na TV, tendo participado de mais de 30 novelas, abandonou a vida artística em 2007 para se dedicar a família. Recentemente, a atriz manifestou o desejo de voltar a atuar. Está atualmente com 60 anos.
Nicole Puzzi - Essa filha de fazendeiro paranaense chegou à “Boca do Lixo” pelas mãos do produtor português Jean Garret em 1975. Fez cerca de 20 filmes na época de ouro das pornochanchadas. Na TV participou de 13 novelas entre 1974 e 2011. Seu último trabalho foi no SBT na novela “Amor e Revolução”. Nicole é autora do livro “A Boca de São Paulo” que conta os bastidores das pornochanchadas. Atualmente, aos 58 anos,  apresenta o programa “Pornolândia” no Canal Brasil.
Sandra Bréa - Considerada por muitos uma das mais belas atrizes da TV brasileira, começou sua carreira em 1970. Em uma década atuando na TV e no cinema participou de 14 filmes e 22 novelas. Em 1993 a atriz revelou ser portadora do vírus da AIDS. Ela lutou contra a síndrome por sete anos. No dia 02 de maio do ano 2000, com apenas 47 anos, ela faleceu.
Vera Fischer- Mais uma atriz oriunda das pornochanchadas que conseguiu construir uma carreira sólida na TV. No cinema fez 23 filmes, muitos deles na época de ouro das pornochanchadas. Na TV participou de mais de 30 novelas, seu trabalho mais recente foi no humorístico “Tá No Ar: A TV Na TV”. Segundo os sites especializados em televisão, Vera Fischer está escalada para atuar em “A Flor da Pele”, novela global que irá ao ar em 2017.
Zaira Bueno - Entre 1975 e 1987 essa lindíssima atriz fez 20 filmes todos do gênero pornochanchada. Tentou carreira na TV mas não conseguiu se firmar, atuou em apenas seis novelas. Seu último trabalho foi em 1989 na minissérie “Colônia Cecília” da TV Bandeirantes. A atriz, que mora atualmente em Nova York, lançou recentemente sua autobiografia, “Um Banho de América”. Zaira Bueno está com 61 anos.
Zilda Mayo: Zilda é uma das atrizes que mais atuaram nas pornochanchadas, fez mais de 40 filmes. Atuou também em filmes de sexo explícito e, exatamente por isso, não teve oportunidade de atuar na TV. Atualmente, aos 63 anos, ganha a vida no teatro com o espetáculo “Stand Up Com Zilda Mayo”.


Katarina Real, uma apaixonada pela cultura pernambucana

Katarina Real - 1967
Foto: Acervo FUNDAJ

Por: Virginia Barbosa (Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)A pesquisadora e antropóloga norte-americana, Katherine Royal Cate, conhecida por Katarina Real, especialista no Carnaval do Recife, nasceu na cidade de Annapolis, em Maryland, no ano de 1927.

Seu primeiro contato com a capital pernambucana se deu no ano de 1927, ocasião em que estava a bordo do Cruzador Milwaukee da Marinha Americana, comandado por seu pai, o Almirante Forrest Betton Royal, que também foi adido naval dos Estados Unidos junto ao governo brasileiro.

Em 1949, formou-se em Artes e Estudos Luso-Brasileiros pela Stanford University. Foi nessa cidade que conheceu a obra Casa-grande & senzala, de Gilberto Freyre, traduzida por Samuel Putnam. Ficou impressionada com o que leu, principalmente os capítulos dedicados ao negro brasileiro e as influências africanas na cultura nordestina. O que aprendeu com a leitura do livro foi um dos motivos que a trouxe, alguns anos depois, para Pernambuco.

Casou-se no Recife, aos 24 anos, com Robert Cate, um norte-americano especialista em análise de solos que trabalhava para o Departamento de Estado, na Califórnia. Três anos depois, já na cidade de São Francisco da Califórnia, ela trabalhou como apresentadora de um programa da rádio de Stanford, denominado University of the Air. A emissora transmitia para toda a América Latina uma edição em espanhol e outra em português. Esta última destacava músicas regionais brasileiras e fazia entrevistas com personalidades advindas daquela região.

Nesse programa, Katarina Real entrevistou o jornalista pernambucano Luiz Beltrão que visitava os Estados Unidos realizando conferências e que terminava sua jornada naquela cidade. A amizade entre eles consolidou-se ao longo dos anos nos quais houve troca de correspondência e  envio, da parte de Beltrão, de informações, gravações de frevos, maracatus e ritmos pernambucanos para serem disseminados no programa comandado por Katarina.
Posse da antropóloga Katarina Real como Secretária Geral da 
Comissão Pernambucana do Folclore 1967 - Foto: FUNDAJ

Em 1956, Robert Cate foi contratado para trabalhar como gerente de escritório da Kaiser Alumínio do Brasil e o casal fixou residência na cidade de Belém, estado do Pará. Por serem também do seu interesse as manifestações folclóricas, Katarina começou a participar das reuniões da Comissão Paraense de Folclore e integrou a comitiva ao III Congresso Brasileiro de Folclore. Nesse período, o casal Cate veio ao Recife a passeio.

Voltou à capital pernambucana, em 1957, e hospedou-se na casa de Luiz Beltrão. Conheceu o carnaval recifense por intermédio da família do jornalista e ficou fascinada com a organização e participação de todos quando da chegada do período de Momo. Pode-se dizer que a sua inserção na sociedade recifense, nos círculos da intelectualidade e a trajetória como pesquisadora do carnaval se deve, também e principalmente, ao apoio e orientação dada por aquela família.

O trabalho de Robert Cate não permitia fixar moradia por muito tempo. No Brasil, o casal esteve no Pará, Rio de Janeiro, Pernambuco e Brasília. Por onde passava, Katarina não perdia a oportunidade de registar as manifestações folclóricas do lugar. Em Pernambuco, dedicou-se também ao estudo da cultura das nações africanas.
Posse da antropóloga Katarina Real como Secretária Geral da 
Comissão Pernambucana do Folclore 1967 - Foto: FUNDAJ

Seduzida pelo seu objeto de estudo, Katherina Kate Royal se trona uma “gringa abrasileirada” que, paulatinamente, vai sendo reconhecida como “representante do folclore estadual” ao ponto de receber o título de Cidadã do Recife, quando ocupava o cargo de secretária geral da Comissão Pernambucana de Folclore, em meados da década de 1960.

Suas pesquisas permitiram que reunisse um extenso material que procurou preservar, documentar e divulgar. São textos, fotografias, gravações, entrevistas e palestras além de uma coleção de objetos de muito valor para o estudo da arte popular. No período em que residiu no Recife, Katarina manteve esse acervo no seu apartamento – conhecido como “A Torre do Frevo”. Empenhou-se em divulgar a arte brasileira nos Estados Unidos, em especial a pernambucana, promovendo exposições do seu acervo pessoal: em 1959, no Museu de Antropologia da Universidade da Carolina do Norte (Folkways of Northern Brazil); em 1978, no Mingei Museum of World Folk Art, na Califórnia (A Cultural Mosaic of Brazil), uma das primeiras exibições nos Estados Unidos sobre as artes, festas e tradições populares do Brasil; e em 1997, realizada pelo Museum of International Folk Art de Santa Fé no Novo México, que posteriormente foi acrescentada à exposição permanente desse Museu. 

Foi muito atuante em instituições que valorizavam o folclore e o carnaval, objetos de seu estudo. Dentre elas: a Comissão Nacional do Folclore do Rio de Janeiro; a Comissão Pernambucana de Folclore (1964-1968), ocasião em que promoveu uma campanha para a construção de um Museu do Carnaval;  a Comissão Organizadora do Carnaval do Recife, onde foi  presidente (1966-1968); o Museu do Homem do Nordeste, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no qual ajudou a organizar uma exposição sobre maracatu do baque virado. Para a Fundaj, Katarina doou um enorme acervo fotográfico.

A última vez que Katarina Real veio ao Recife, carnaval
de 1996 - Foto: Feranando de Souza

Nos anos 1980 e 1990, Katarina veio algumas vezes para o Recife, ora para adquirir peças ora para rever e fazer novas amizades.

A trejetória do estudo e da pesquisa antropológicos sobre o Carnaval do Recife levou Katarina a percorrer algumas cidades brasileiras e a se fixar na cidade do Recife nos anos 1960. O universo do Carnaval popular recifense a encantava ao ponto de integrar-se à própria cultura pernambucana. Escreveu livros, artigos, proferiu conferências, promoveu exposições, convertendo-se dessa forma, em divulgadora do folclore e do carnaval. Suas obras são referência para quem se dedica ao estudo da cultura popular brasileira.

Katarina Real faleceu no dia 6 de junho de 2006, na cidade de Tucson, no Arizona, Estados Unidos.

No ano de 2007, a Comissão Pernambucana de Folclore em parceria com a Fundação Joaquim Nabuco realizou, em homenagem a antropóloga e folclorista, a exposição Katarina Real: outros carnavais.
Suas obras:

Livros:
Folkways of Northern Brazil (1959)
O folclore no Carnaval do Recife (1967, 1990);
A Cultural Mosaic: the folk arts of Brazil (1978);
Eudes, o rei do maracatu (2001);

Artigos:

Os ursos no Carnaval (1967)
A ‘la ursa’: os ursos de carnaval do Recife (1991)
Vivências no Nordeste brasileiro: o folklore (1997).
A grande vitória: o carnaval de 1968 (2001)
Evoé: the Carnaval of Recife and Olinda in Pernambuco, Brazil (2004)