Padaria Imperatriz, uma resistência no centro do Recife.


A longeva Padaria Imperatriz (foi fundada em 1897) é uma resistência no decadente comércio da Rua da Imperatriz, centro do Recife. Outrora efervescente, a rua onde nasceu Joaquim Nabuco – bem perto da padaria, inclusive – experimenta uma inércia que fez várias lojas sucumbirem. Em um trecho da rua tem mais placas de “aluga-se” do que propaganda de loja. Frequento a padaria desde a adolescência quando eu ia com o meu pai levar bolsas para as lojas dali, lá se vão 40 anos. Hoje o que se vê é decadência e a irritante abordagem de vendedores oferecendo armações de óculos. Driblei todos e tomei o meu expresso sossegadamente, ainda deu tempo de fazer a narcisa selfie.

Há 20 anos morria Seu Lula, um gigante da cultura afro de Pernambuco

Não sei bem em que ano foi, só sei que foi na década de 70, lá no comecinho, eu era bem pequeno e fui com minha mãe visitar a queridíssima Tia Lena lá no terreiro de Seu Lula. No grande salão de celebrações havia uma foto imponente de uma negra vestida de rainha, perguntei a minha mãe “quem é essa?”, antes que ela falasse uma voz vinda lá da porta respondeu: “Essa é Dona Santa, a maior rainha de maracatu do mundo”. Me virei e vi um negão entrando na sala, era Seu Lula, uma lenda viva do bairro da Mangueira. Luiz de França Barros, o “Seu Lula", nasceu em Recife, no dia 15 de janeiro de 1919 e faleceu, coincidentemente, no dia do meu aniversário, 09 de maio, em 1999. Ele foi consagrado santo aos 27 anos por Dona Santa, a lendária rainha do Maracatu Elefante. Quando faleceu, era o último filho de santo vivo consagrado por Dona Santa e o babalorixá mais antigo do Brasil.

Seu Lula era uma referência religiosa e cultural de importância nacional, seu terreiro, fundado no dia 20 de abril de 1947, era ponto de encontro de muitas personalidades que entravam e saiam anônimas por conta da perseguição que as religiões afro sempre sofreram. A minha família, pelo lado paterno, tem uma ligação muito forte com a história de Seu Lula. Minha avó, Dona Isabel, era figura importante no terreiro, assim como Tia Lena, irmã do meu pai, que Seu Lula tratava como filha. Meu tio Lamartine e sua esposa Jurema também foram figuras marcantes na história dele.

Seu Lula não era importante apenas no universo religioso, ele foi figura presente no carnaval de Pernambuco desfilando em diversas agremiações tradicionais como Inocentes do Rosarinho, Inocentes de São José, Abanadores do Arruda, Gigante do Samba, Samarina e o Maracatu Leão Coroado. Ele foi, sem dúvida, uma das personalidades mais importante do bairro da Mangueira. Luz para ele!

PS: alguns detalhes da biografia do Seu Lula que não faziam parte das minhas lembranças descobri no ótimo trabalho de  Juliane de Lima Barros (filha do querido amigo Caçula) disponível aqui: