A TRISTE VIDA DAS PESSOAS PERFEITAS

Sim, elas existem, tenho observado de longe alguns exemplares de seleto grupo de seres que se dizem humanos. Falo assim porque os humanos de verdade, por vezes, falham, transgridem, isso faz parte da vida. O que diferencia os bons e os ruins, é a medida em que essas transgressões acontecem. Os de índoles maleáveis, claro, fazem parte do “lado negro da força” porque transgridem cotidianamente.

Em geral, o grupo dos perfeitos é composto por pessoas tristes e solitárias que parecem brigar com o mundo todos os dias. A perfeição os impede de se relacionarem bem com os outros. Como conviver com as falhas e as transgressões alheias sem se aborrecer? Impossível para eles. Para os outros também é difícil. Não sabemos, ao certo, como lidar com a “pureza” dessas pessoas. Na dúvida, melhor não arriscar. É por aí que nascem as barreiras, os campos minados e todos os biombos que separam o seleto grupo dos perfeitos do resto dos pobres mortais.

Os perfeitos jamais tomaram aquele porre homérico que você tomou na juventude, não correram na chuva por medo do resfriado, nunca pisaram na grama ou repetiram a sobremesa. Jamais, em hipótese alguma, tocaram a campainha e correram, nunca enfiaram o dedo no bolo, não jogaram aviãozinho de papel, não colaram chiclete embaixo da banca, nunca filaram. Até na Bíblia – Eclesiastes 3 – a variação de conduta é defendida, há tempo para tudo, mas as pessoas perfeitas ignoram isso. Como é difícil encontrar iguais, os poucos que existem quase não têm amigos porque ninguém suporta a chatice deles. Na certeza de que mudarão o mundo perdem o precioso tempo da vida franzindo a testa ostentando um ar de superioridade alegórico, feito de papel marchê. Algum dia quando, por descuido, tomarem aquela chuvarada, o cenário cairá e eles se arrependerão do tempo que perderam na utópica luta para serem perfeitos.

DESCOBRIRAM O RECIFE

Há bem pouco tempo, aqui mesmo nesse blog, o amigo Carlos Dornelas contribuía com um post reclamando que o Recife estava fora do circuito dos grandes shows. O pensamento era que estávamos “longe demais das capitais”. Recife é vista por muitos pernambucanos como “a maior cidade pequena do mundo”. Esse adorável paradoxo nasceu da mania de grandeza dos pernambucanos: "Temos o maior shopping e o maior conjunto residencial da América Latina, a maior avenida em linha reta, o maior teatro ao ar livre (sei, não fica em Recife, mas o povo fala como se Nova Jerusalém fosse logo ali na esquina) do mundo" e etc. Até que um belo dia alguém sentenciou: “Recife é a quarta pior cidade do mundo para se viver”. Ninguém concordou, claro.

Mas, enfim, parece que descobriram o Recife. Dois grandes shows do Iron Maiden – estive no primeiro - abriram a porteira para os grandes espetáculos e eventos. Nos últimos três anos vieram o A-Ha, Skorpions, Amy Winehouse, Cyndi Lauper, Ringo Starr e Paul McCartney, só para citar os mais importantes. Na próxima quinta-feira (26) é a vez da Campus Party Recife. O mega evento tecnológico-geek aporta no Recife, provando, definitivamente, que entramos na rota.

Não bastasse essa alternância de grandes shows e eventos, tem toda o frissom provocado pela realização da Copa do Mundo de Futebol, Recife será uma das sedes. Como acontece em todos os lugares que cediam jogos da Copa – espero que aqui não seja diferente – várias obras de infraestrutura estão em vias de serem realizadas. O que mais me anima é a promessa de um plano de mobilidade moderno e detalhado para o Recife que vive, atualmente, um caos no trânsito. A “maior cidade pequena do mundo” está voltando a ser uma grande metrópole brasileira.

Mas nem todo mundo está comemorando. No meu deslocamento diário rumo ao trabalho, em Olinda, transito por algumas áreas que estão incluídas no plano de mobilidade. Numa delas, o bairro dos Aflitos, área nobre do Recife, vários grupos de moradores estão, como o nome do bairro, aflitos. Cartazes e mais cartazes estão espalhados maldizendo a mudança anunciada. Se fosse uma choradeira da periferia, sabemos, não daria em nada. Mas, como se trata de uma área nobre, possivelmente, o interesse de um pequeno grupo  interferirá no reordenamento da cidade. Seja como for, vejo com bons olhos o descobrimento do Recife.

MINHA RELAÇÃO COM O RÁDIO

Sempre adorei ouvir rádio por razões diversas, uma das memórias mais remotas que tenho da minha infância é o áudio de abertura da resenha esportiva da PRA-8 Rádio Clube de Pernambuco. Sempre associei a música à hora do almoço. A resenha da Clube começava às 12:30 e meu pai deixava o rádio ligado enquanto almoçávamos. Não bastasse essa referência familiar, tinha também o fato de eu ter nascido e morado parte da minha vida no bairro da Mangueira, bem próximo da lendária Fábrica de eletrônicos, ABC (foto abaixo).
Na frente da antiga fábrica, lá pela década de setenta, quando a tevê ainda era um artigo de luxo e não estava ao alcance de todos, colocavam uma tevê Canarinho ABC no centro da praça para o povo assistir. Naquela época, quase todo rádio, tevê e radiolas eram dessa marca. Na casa da minha avó materna tinha tudo isso e eu, claro, estava sempre por lá.

Em 1973 veio a grande revolução: a primeira rádio FM, a TransaméricaRecife. As FM's, nessa época, tinham um formato quase que universal: apresentavam blocos com três ou cinco músicas intercalados por pequenos flashs de notícias, normalmente relacionadas ao universo pop. Que coisa maravilhosa, pensávamos na época. E a qualidade do áudio? Era um sonho para quem curtia ouvir música. A única crítica que fazíamos é que tocavam, basicamente, música estrangeira. Duas rádios aqui do Recife até tentaram entrar nessa onda dos blocos de música: a Olinda e a Tamandaré. Não durou muito tempo porque o público da AM era bem diferente.

Na década de 80 eu ouvia muito rádio FM. Com o ressurgimento do rock brasileiro, tocavam muito esse estilo e podíamos ouvir por horas e horas sem grandes reclamações. Mas, o tempo passou e as rádios, aliás, a boa programação musical, sumiu. Tem também o fato do acesso às mídias ter se popularizado. O advento do MP3 – jáfalei em outro post – provocou uma revolução. Até a década de 90 as músicas eram gravadas diretamente das rádios, muitas vezes com vinhetas no meio ou a intromissão do apresentador antes da música acabar. Com a internet esse drama acabou.

As músicas começaram a ser baixadas e as pessoas passaram a fazer suas rádios de bolso. O MP3 no bolso carregado com listas e mais listas das preferidas fez com que muita gente que ouvia FM's abdicasse desse habito. Incluo-me nesse rol.

Não, não deixei de ouvir AM! Quem frequenta estádios de futebol tem o rádio como acessório indispensável. Fora isso, tenho o hábito de ouvir a Rádio Jornal pela manhã, só notícias, um vício que, certamente, levarei comigo para o túmulo. Por falar na Rádio Jornal, vale lembrar que essa emissora honra a riquíssima história da radiofonia pernambucana com uma programação de qualidade e equipamentos de última geração. Parabéns!

PLANEJANDO OS GASTOS E CHATEANDO A VIDA – BREVE COMENTÁRIO


Pois então, vendo na tevê um economista sabichão mostrar como é fácil controlar os gastos e organizar a vida financeira de qualquer um, acabei percebendo que dificilmente conseguirei entrar na linha nesse quesito. Excetuando-se alguns itens, a maioria das coisas que ele elencou como supérflas, não entraria na minha lista. Uma questão lógica: se as pessoas são diferentes o juízo de valor que fazem das coisas, obviamente, é muito diferente. Exemplo: eu respiro música desde a mais tenra idade, ouvir música para mim é tão importante quanto o arroz com feijão. No julgamento -absolutamente particular e subjetivo – do economista, comprar discos e ir a shows é supérfluo.

Diriam os cíticos: “Supérfluo é tudo aquilo que você consegue viver sem”. Se você “vive sem” e não se sente bem por isso, o item é de primeira necessidade, ora. “A gente não quer só comida, a gente que comida diversão e arte” já dizia aqueles versos do hit titânico. Penso o mesmo, vivo bem por isso. Logicamente essa é a minha fórmula, há quem se adeque aos ditames dos economistas sabichões, sei disso. A conversa tá boa, mas vou ali encomendar mais um box do Arquivo X, tô quase completando minha coleção!

BRINCADEIRA DO COPO - CUIDADO!




Zapeando pela rede, dei de cara com esse hilário vídeo da Midday Produções. A sinistra brincadeira do copo tratada com humor. Vale conferir!

RELIGIÃO E FUTEBOL, TUDO A VER

Sempre ouvi dizer que “não se deve discutir religião e futebol”. Contraditoriamente, esses dois assuntos, por natureza, fomentam uma boa discussão. Na verdade, o recado embutido na frase quer dizer que “não é prudente discutir esses dois assuntos”. O porquê todo mundo sabe, tanto o futebol quanto a religião lidam com  sentimentos humanos: paixão, fé, devoção e, as vezes, a razão.

Há pouco, quando postava numa rede social umas fotos antigas da época da faculdade, dei de cara com a imagem de um adorável professor: Jorge Santana(de óculos) . Das suas complexas aulas sobre como elaborar um projeto baseado na lógica, guardei um importante recado. Apontando uma espécie de linha do tempo que ordenava as etapas de um projeto, ele explicou: “Até essa fase aqui a elaboração do projeto segue sem grandes atropelos, a partir dessa outra etapa aqui começam a surgir os grandes problemas, tudo porque entram no projeto os seres humanos. Você vai ter que lidar com vaidades, desejos particulares, é muito difícil administrar isso”.

O que o Professor Jorge  explicou há décadas é exatamente o que tento transmitir nesse post. No caso da religião o problema ganha uma dimensão incomensurável porque muitos dedicam a vida - na Terra e num suposto plano superior – por essa causa. Se a religião pudesse ser discutida apenas no âmbito da razão, quase tudo que está escrito nos livros sagrados seria facilmente refutado. Como explicar a “Arca de Noé” e o “Sopro do Barro” caminhando na inflexível linha da lógica? Impossível. Pois bem, se o assunto não pode ser tratado com argumentos lógicos, não vale a pena discutir, no final prevalecerá o interesse e a crença de cada um.

Absolutamente tudo que foi dito no parágrafo anterior se aplica ao futebol. Tenho um amigo – vou preservar o nome, claro – que é formado em Física, se diz agnóstico mas, quando vai assistir a um jogo do Náutico, seu clube do coração, senta sempre no mesmo lugar. O argumento é dos mais esdrúxulos: “Da ultima vez que sentei num lugar diferente fui testemunha da triste Batalha dos Aflitos, culpo-me até hoje por isso”. O danado que ele fala sério, não é piada. Quando a paixão e a fé cega tomam conta da mente, o resultado é esse.

Mas, ao contrário do que imaginam meus desafetos – tenho alguns – eu acho a religião um negócio fantástico. Atualmente, enquanto você lê esse post, dezenas de guerras acontecem pelo mundo afora. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, 80% desses conflitos têm cunho religioso. Basta rebuscar um pouco a memória para lembrar dos últimos grandes conflitos e atentados ocorridos no planeta. Na década de noventa, teve a “Guerra dos Bálcãs”. Nesse embate – ocorrido por conta da dissolução da antiga Iugoslávia – os sérvios, cristãos ortodoxos, perseguiam os habitantes do território de Kossovo, na maioria muçulmanos de origem albanesa. A PrimeiraGuerra do Golfo confrontou os árabes, muçulmanos, com os cristãos comandados pelos Estados Unidos. Uma década depois, as torres do World Trade Center tombavam tornando-se os maiores símbolos desse conflito.

As torcidas organizadas experimentam, no futebol, o mesmo ódio que os fundamentalistas cristãos e islâmicos praticam na política internacional. Não estranhe o adjetivo “fundamentalista” associado ao cristianismo. O que os presidentes estadunidenses e os líderes políticos europeus ocidentais vêm praticando nas últimas décadas é o mesmo que os terroristas islâmicos fazem. Só que em escala muito maior e com muito mais liberdade.

Apesar de tudo, ainda troco umas ideias sobre futebol e religião com meus amigos e na sala de aula pois, lecionando história, o dever me obriga. Até brinco com meus alunos em dia de prova: “Não filem (colem) porque quem fila vai para o inferno”. Ao menos nesse momento, a punição eterna é tratada com um adorável desprezo. Ouço sempre alguém gritar: “Então estamos todos no inferno, professor”. Cabe ainda uma lembrança do futebol: quando vou ao estádio, a saída é sempre tensa porque a torcida organizada do meu clube, a Inferno Coral (junção do pior do futebol, a violência, com o pior da religião), promove a desordem. Se vivo, certamente, Karl Marx reformularia sua famosa citação: “A religião e o futebol são o ópio do povo”.

DEZENAS DE TUBARÕES DEVORANDO UMA BALEIA QUASE NA AREIA DA PRAIA



Uma jovem australiana chamada Rachel Campbell curtia um dia de sol numa praia da Austrália quando deu de cara com um grupo de tubarões – segundo ela, aproximadamente 100 – devorando uma baleia no finalzinho da arrebentação, quase na areia. A imagem virou um hit do youtube com mais de 280 mil acessos até a publicação desse post. 

O HUMOR BRASILEIRO ESTÁ EM CRISE?

Hoje li uma entrevista com o filho do Chico Anysio, o Bruno Mazzeo, em que ele abre artilharia contra o humor do tipo “stand-up”, um segmento em alta no Brasil atualmente. Para quem não conhece, trata-se daquelas apresentações solos em que um humorista narra fatos engraçados e se envolvem diretamente com o público. Nada de novo, Agildo Ribeiro, Jô Soares, Chico Anysio e José Vasconcelos, o maior nome do stand-up brasileiro de todos os tempos, criaram escola.

Bruno teceu duras críticas ao Rafinha Bastos que também o teria criticado, uma rusga declarada. Sobre o Rafinha, devo dizer, comungo com a opinião do filho do Chico. Além de xingamentos e polêmicas, não vejo nada mais que possa atrair a atenção do público nesse cidadão.

A matéria me trouxe à memória uma questão que já venho matutando há tempos: o humor brasileiro está em crise? Depois que os grandes humoristas (citei-os acima) saíram de cena, a tevê vem tentando uma renovação que esbarra, claramente, numa questão: faltam  nomes de peso. O último grande humorista surgido na tevê brasileira foi o Tom Cavalcante que, por ter saído da Globo, entrou numa lista negra – não declarada, claro – de artistas proibidos na emissora. Tom está sem contrato e teve sua volta cogitada na Vênus Platina. Houve um racha e a parte mais conservadora, que veta o nome dele, acabou ganhando.

O programa de humor de maior sucesso na tevê brasileira, atualmente, é o “Zorra Total”. Os mais antigos percebem, claramente, que a atração é uma reedição de um formato popularizado e eternizado com o inesquecível “Balança Mas Não Cai”. Vários programas da Globo copiaram essa fórmula com relativo sucesso. O problema é que o Zorra já dá sinais de cansaço e as renovações não vêm surtindo efeito. O programa vem revelando humoristas que viram febre, depois despencam do “Olimpo” com a mesma rapidez que subiram. Foi assim com o Rodrigo Fagundes que estourou com o “Patrick” e popularizou o bordão “olha a faca” e agora é mero coadjuvante. Depois teve a “Katiuscia Canoro” e sua “Lady Kate” que já perdeu o brilho.

Atualmente, a febre é a “Valéria Vasques”, do ótimo Rodrigo Sant'anna. O humorista começou fazendo ponta na turma do Didi e agora experimenta o estrelato. Depois do grande sucesso da Valéria, o Rodrigo emplacou outro hit: Adelaide. Com uma personificação bem caricata de uma pedinte, o humorista vem ganhando rasgados elogios. Mas o grande problema é que o Zorra tem vários quadros chatos e sem graça. Quem assiste, fica esperando, apenas, o sucesso do momento. Dá uma tristeza ver um humorista talentoso como o Pedro Bisrmack (Nerson da Capitinga) interpretando esquetes sem graça, visivelmente para tapar buracos.

A última grande revelação do Zorra, sem dúvida, foi a dupla LeandroHassum e Marcius Melhem que despontaram para o sucesso e ganharam um programa próprio, “Os Caras de Pau”. Programas de sucesso como “Casseta & Planeta” e “A Grande Família”, passaram por reformulações não bem sucedidas. O Casseta, deixou de lado o humor escrachado e optou por um formato mais light. Ficou totalmente descaracterizado e perdeu o brilho. Já com “A Grande Família”, ao que parece, perceberam que a reformulação não foi positiva e, aos poucos, estão retornando ao formato antigo. Arranjaram até uma “nova Marilda”, a Kelly Aparecida (Katiuscia Canoro), para fazer dupla com Nenê.

O “Pânico Na Band” e o “CQC”, merecem um comentário à parte. O Pânico pratica um tipo de humor agressivo muito contestado por diversos segmentos da crítica e da sociedade. Seu público é composto, basicamente, pela faixa etária mais jovem. O programa ganha mais destaque pelas polêmicas que provoca do que mesmo pelo conteúdo humorístico. O CQC, tem uma proposta parecida, mas mistura humor com conteúdo jornalistico. Comandado pelo experiente Marcelo Tas, teve bons momentos mas sua fórmula já dá sinais de desgaste. O polêmico Rafinha Bastos é oriundo desse programa.

Não vou falar aqui da “Praça É Nossa” porque esse lendário programa, criado em 1957 pelo inesquecível Manuel da Nóbrega com o nome de “Praça da Alegria”, ainda está no ar por causa de uma dívida de gratidão de Sílvio Santos com Manuel. O velho comunicador foi o responsável pelo ingresso de Sílvio Santos no rádio, ou seja, foi seu benfeitor no início da carreira. O atual apresentador, Carlos Alberto da Nóbrega é filho de Manuel. Obviamente ninguém fala sobre esse assunto abertamente, mas todos têm essa compreensão. O humor praticado na Praça atual, com todo respeito, diminui a história desse importante programa.

A tevê brasileira, conclui-se, perdeu quase todos os humoristas de profissão, aqueles que praticavam apenas o humor: Costinha, JoséVasconcelos, Chico Anysio, Agildo Ribeiro, entre outros. O que temos atualmente são atores que enveredam pelo caminho do humor. Quando a fórmula fica saturada, ao invés de renová-la, eles partem para outros projetos, muitas vezes, longe da seara do humor. Foi assim com “Sai de Baixo”, “Sob Nova Direção”, “Os Aspones", "Minha Nada Mole Vida" e "Os Normais"só para citar alguns.Triste constatação!

A FESTA DO CORINTHIANS E A DURA REALIDADE DO FUTEBOL BRASILEIRO

Não é um post sobre futebol, claro. Quem transita por essa página já deve ter percebido que não costumo escrever sobre o assunto. Adoro futebol, mas  falta-me talento para escrever (bem) sobre o assunto. Falarei da grande conquista do  Corinthians por outro viés: o retorno econômico que o time proporciona aos seus patrocinadores.

A notícia que circula na rede é que a audiência da decisão bateu recordes. A agressiva propaganda implementada pela Globo para divulgar a “festa” - isso mesmo, festa, a tevê tratou assim a partida - surtiu o efeito desejado. Como sempre acontece quando alguma entidade é beneficiada por um grande veículo de massa, criou-se uma  torcida a favor da conquista e outra, na mesma intensidade, contra. Ainda tinha o grupo dos neutros que sempre escolhe um lado em eventos como esses, mas, dessa vez, viu-se numa sinuca de bico: torcer pelo Corinthians, o time mais paparicado pela imprensa e mais beneficiado pelos “erros” dos árbitros, ou torcer pelos  argentinos?. Como diria o slogan daquela bebida:”Que dureza!”.

A festa protagonizada pela torcida do Corinthians foi linda. Lembrei-me do Santa Cruz numa comparação literal sem aquela costumeira ressalva, “guardadas as devidas proporções”. O Corinthians é grande, mas a torcida do Santa – a maior média de público doBrasil nos últimos quatro anos – também é gigantesca e mostra força mesmo com o time no limbo. Depois de ver a emocionante festa da Fiel, fiquei com a certeza que times de massa têm a obrigação de ganhar títulos. Se não for sempre – até porque assim fica chato – que seja de vez em quando.

A ojeriza de grande parte do Brasil para com essa conquista deve-se, em parte, a dois fatores: o primeiro, já citei acima, é que o Corinthians tem o apoio irrestrito da poderosa mídia brasileira e dos sobrenaturais “erros” dos árbitros. O outro detalhe é o fato do time representar uma imensa massa de pobres. O preconceito contra times cuja torcida é pejorativamente tachada de “povão” é latente. Mais uma vez lembrei-me do Santa. Ao final do Pernambucano desse ano, corri para ver os comentários nas redes sociais e li na página de um amigo rubro-negro: “Vou sair, agora, deixa os pobres se divertirem”. Um pobre referindo-se aos outros como se fosse superior. Empáfia de perdedor. Ouvi o mesmo sobre o Corinthians na quarta-feira passada.

Essa superexposição do corinthiana na tevê é uma injustiça para com os outros clubes? Do ponto de vista da competição, claro que sim. Um clube ganhar cem milhões e outro apenas cinco, é um despautério. Aliás, essa dura realidade é a reprodução da maior chaga da sociedade brasileira, a concentração de renda. Por outro lado, se  sou um executivo da tevê e tenho um produto – o Corinthians – que me dá mais retorno, logicamente é natural que invista pesado nele. O ruim dessa história é que estamos caminhando para a realidade espanhola em que apenas dois clubes disputam, realmente, o título. Ainda existe o agravante do Brasil ter dimensões continentais e uma quantidade de clubes muito maior. Enquanto os alijados não reagirem, o funil continuará se formando.

OS VINTE ROBÔS MAIS POPULARES DA TEVÊ E DO CINEMA

Robocop (Robocop, O Policial do Futuro - 1987) – Criado em 1987, o “Policial do Futuro” não é bem um robô, já que é um híbrido de organismo humano e cibernético. Entretanto, a criação de Paul Verhoeven entrou para a história como um dos robôs mais populares do cinema na década de 80. Recentemente foi anunciado que a trilogia ganhará um remake.
R2D2 (Star Wars - 1977) – Definido como “dróide automecânico”, esse simpático robozinho é um dos personagens mais famosos da clássica saga Star Wars. Formava dupla com o atrapalhado C3-PO. Os dois robôs foram os únicos personagens a participarem de todos os filmes da saga.
Andrew Martin (O Homem Bicentenário - 1999) – O simpático robô interpretado por Robin Williams reeditou a temática abordada no clássico Pinóquio: um ser mecânico que queria se tornar humano. O filme foi lançado em 1999 e teve direção de Chris Columbus.
Bender Rodrigues (Futurama- 1999) – Bender é um daqueles personagens baseados em clichês americanos. O robô foi criado no México e é uma espécie de anti-herói, aparece, costumeiramente, fumando e bebendo. É claramente um referência preconceituosa conta os mexicanos.
Gort (O Dia Em Que a Terra Parou - 1951) – Esse é um dos primeiros robôs do cinema. Criado em 1951, era uma espécie de jagunço cibernético do alienígena Klaatu. Tinha como principal poder emitir um raio com os olhos.
Johnny-5 (Short Circuit - 1986) – Esse simpático robô fez muito sucesso na década de 80. Além da simpatia era curioso. No filme, ele ganhou vida e autonomia depois de receber uma descarga elétrica em um experimento militar. Após ganhar autonomia, ele ouviu a música “Who's Johnny” e batizou a si próprio de “Johnny-5”.
Rodney Lataria (Robôs – 2005) – Mais um simpático robô. Rodney é uma espécie de sonhador que sai da sua cidade natal para realizar um grande sonho: conhecer o grande soldador. No Brasil, o robozinho foi dublado por Reinaldo Gianecchini.
Rose (Os Jatsons – 1962) – Era a empregada dos Jatsons sempre carinhosa e gentil com todo mundo. Em alguns episódios, a empregada cibernética era o centro da trama.
Sonny (Eu, Robô – 2004) – Na assustadora realidade de 2035, homens e máquinas povoam a Terra. Sonny, um robô NS5, é um dos protagonistas da trama. Acusado de ter assassinado seu criador, Dr. Alfred Lanning, ele, na verdade, foi programado para cometer o crime que fazia parte de um grande plano do Dr. Lanning. Sony, portanto, é uma espécie de “Judas cibernético”.
T-800 (O Exterminador do Futuro – 1984) – Essa é uma das várias versões de exterminadores da saga. Uma máquina programada para viajar no tempo e exterminar o grande redentor do planete Terra, John Connor, o líder da resistência. 
B9 (Pedidos No Espaço – 1965)– Um dos robôs mais populares de todos os tempos na tevê mundial, é também o campeão na venda de actions figures (miniaturas de personagens). Na série o B9 eternizou a mensagem de alerta “Perigo, perigo, meus controles não têm registros” que mora no imaginário de muita gente pelo mundo afora. Na trama, o hilário agente infiltrado Dr. Smith reprograma o B9 para ele danifica a nave da Família Robinson. O atrapalhado agente acaba ficando preso e decolando com a nave avariada. A dupla Dr. Smith e o robô B9 é um clássico das série de tevê.
Cameron Philps (Terminator:The Sarah Connor Chronicles– 2008) – Na versão para a tevê do Exterminador do Futuro, John Connor tem como anjo da guarda a linda Cameron Philpas, uma cyborg modelo TOK715 enviada do futuro (2027) para proteger o jovem John Connor. Na série, em vários momentos, John demonstra um excessivo carinho com a bela máquina.
David (A.I Inteligência Artificiall – 2001) – A história do pequeno andróide David Swinton, é uma releitura do clássico “Pinóquio”, uma máquina sonhando em se tornar gente de verdade. É mais uma ficção abordando o tema da convivência entre homens e máquinas.
Ed-2009 (Robocop, O Policial do Futuro – 1984) – Esse estranho robô foi um coadjuvante em um dos filmes da trilogia Robocop, mas imortalizou-se numa cena: ele é apresentado como um possível substituto do Robocop, mas sofre uma sabotagem e acaba matando um executivo durante sua apresentação.
Frankenstein Jr (Frankenstein Jr e Os Impossíveis – 1966) - A versão infantil do monstro “Frankenstein” foi ao ar pela primeira vez em 1966. Na trama o garoto cientista Buzz Conroy com a ajuda do seu pai, o Professor Conroy, criaram o robô para combater o crime. “Frankie” era acionado por um raio emitido pelo anel de Buzz. O desenho foi cancelado porque a conservadora sociedade americana classificava “Frankie” como violento.
O Homem de Aço (Gigantor – 1956) – Foi uma criação japonesa de 1956 exibida no Brasil no final da década de 60. Gigantor era um robô movido a propulsão por jatos em suas costas, controlado por um garoto de 12 anos chamado Jimmy Sparks (Carlos Centelha, na versão em português). O robô foi criado pelo Dr. Sparks, um cientista renomado, pai de Jimmy, para ajudar o inspetor Blooper e a polícia japonesa em sua guerra contra o crime. Anos depois essa série japonesa seria plagiada pelos estúdios Hanna-Barbera que criou o Frankenstein Jr nos mesmos moldes.
Optimus Prime (Transformers – 1984) - é o protagonista do universo Transformers. Ele é o lider dos Autobots, um grupo de robôs heróicos do planeta Cybertron, e detentor da Matriz da Liderança em quase todas as suas versões. Seu maior inimigo é Megatron, líder dos Decepticonss, que na maioria das séries já foi amigo de Optimus em Cybertron. Sua forma convencional é um caminhão.
Robô Gigante (Giant Robot – 1967) – Essa é mais uma criação nascida no rastro da pioneira série “Gigantor”. Criada por Mitsutero Yokoyama, a série mostrava um robô gigante que voava e combatia monstros gigantes que atacavam o Japão. O grande robô era acionado a distância por um garoto que usava um relógio que funcionava como um controle remoto.
C3PO– (Star Wars – 1977) – Inspirado no robô do filme “Metrópolis”, ganhou a simpatia dos fãs de Star Wars por ser atrapalhado e afeminado. C3PO é um dróide de comunicação, fala mais de 6 milhões de idiomas e dialetos. Assim como seu inseparável companheiro, R2D2, participou de todos os filmes da saga Star Wars.
Wall.E (Wall.E – 2008) – Wall.E ganhou elogios da crítica e do público. A apocalíptica história desse simpático robô se passa no longínquo ano de 2805. Com a Terra devastada e entulhada, Wall.E passa a atuar como zelado do planeta. O filme tem toques bíblicos, Wall.E e Eva ajudando a salvar e repovoa o mundo.

TIRINHA DO JORNÁLIA - Nº01

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RELICÁRIO VOL. 14: A VOLTA DE TINA CHARLES - 2008



Feels Like Sunday é o álbum mais recente de Tina Charles, uma das divas da disco music. O álbum foi lançado em 2008 quando a cantora retomou sua careira depois de mais de 20 anos afastada dos palcos. O disco é composto por regravações de medalhões da pop music e os principais hits da própria cantora. Atualmente, Tina roda a Europa fazendo apresentações junto com outros nomes do gênero. O vídeo abaixo traz trechos de todas as faixas do álbum. Relembre e compare:

O TALENTO SUPERA QUASE TUDO

Acredito piamente na frase que dá título a esse post. Admiro pessoas talentosas, mesmo aquelas que não conheceram o sucesso. Lembro-me de um quadro de um programa de tevê  em que grandes nomes do teatro interpretavam  uma fria lista telefônica. Um conglomerado de nomes e números ganhando vida e sentimento apenas – e tão somente – pelo talento dos atores.

Nessa mesma seara – e aproveitando a comemoração do seu centenário – veio à minha lembrança a história de vida do mestre Luiz Gonzaga. O menino pobre e de pouca instrução formal venceu o mundo mantendo-se firme na sua cultura e no seu modo de ser. Compôs um personagem baseado no tipo humano da sua região, foi morar no centro-sul e, contrariando o que seus conterrâneos sempre faziam, não absorveu a cultura de lá, divulgou a daqui. Esse feito mensurado na atual conjuntura, onde o poder da mídia está ao alcance de todos, parece pouco, mas Seu Lula venceu e convenceu numa época em que a informação era privilégio de poucos.

Outro exemplo claro de que o talento supera quase tudo é percebido num relato do grande guitarrista Jimmy Page (Led Zeppelin) explicando como o baterista Bonzo entrou no Led: “Já havíamos feito testes com dezenas de bateristas. Uma exigência que fazíamos era que o candidato tinha que tocar com o seu instrumento. Um belo dia chega um baterista gorducho com uma bateria velha com apenas um tan-tan. Quando ele começou a tocar, não acreditei que alguém podia tocar bateria daquele jeito”.

Mais uma do rock: depois da morte do lendário vocalista Bonn Scott, a banda australiana ACDC iniciou uma série de audições para escolher um novo vocalista. Brian Johnson que já havia cantado em bandas de rock, trabalhava como motorista do ACDC. Um fã da banda, de apenas 14 anos, escreveu uma carta citando o nome de Johnson como um grande vocalista. Ele foi convidado a fazer uma audição e acabou sendo aprovado com louvor. Johnson é vocalista do ACDC até hoje.

Mas, o talento não vence tudo, tem um “quase” na frase. Para esclarecer esse pormenor, criei a parábola do sucesso que encerra esse post:

A Parábola do Sucesso

O sucesso pode ser comparado à travessia de um rio. Em uma margem está o início da carreira, do outro lado, o sucesso. Alguns, que são bastante talentosos, nadam com facilidade e alcançam o outro lado. Outros, mesmo com talento, encontram um crocodilo durante a travessia e perecem. Existem ainda aqueles que não têm talento algum, mas durante a travessia se agarram a um tronco e alcançam a outra margem. Chegando lá não sabem o que fazer com a conquista e logo são esquecidos. Não basta apenas talento, tem que ter um pouco de sorte!