SAUDADES DA BIENAL

No dia 05 de outubro próximo passado, quando peguei os meus bônus para comprar livros ( os professores da rede estadual receberam R$ 200,00 e os do município de Olinda, R$ 50,00) um amigo me falou: "não vá a tarde, tem muita gente". Pensei: "muita gente numa feira de livros, esse cara tá louco!". Fui no dia seguinte, um sábado, á tarde. Tinha muita, muita gente! Do alto da minha incredulidade, voltei a pensar: "deve ter algum show, ou alguma estrela da tv desfilando por aqui". Nada disso, a multidão que lotava o Centro de Convenções estava a procura de livros. Bastou uma circulada na feira pra perceber que os livros de "auto-ajuda" eram a febre do evento. Augusto Cury, James C. Hunter, Lair Ribeiro, eram imbatíveis, as pessoas compravam coleções inteiras, não buscavam um título apenas. Mesmo não sendo apreciador desse tipo de literatura, confesso que fiquei feliz. Comprei 25 livros.

A felicidade não foi porque reabasteci minha prateleira, mas pela euforia em torno da literatura, a Bienal do livro de Recife foi um sucesso. No último dia da feira, quando já estava de saída, uma última surpresa: vi um livro abandonado numa cadeira da praça de alimentação, uma publicação de bolso reunindo "Um Artista da Fome" e a "Metamorfose", de Franz Kafka, peguei pra mim. Havia um selo colado na capa que dizia: "Este livro na lhe pertence, foi deixado aqui para que você leia. Pode levar.

Depois de ler, não guarde, deixe novamente em algum lugar público para que seja lido por outra pessoa. Caso queira dizer onde encontrou este exemplar pode enviar mensagem para: livroerrante@yahoo.com.br ou livrosemdono@hotmail.com - AGRADECEMOS E NÃO VAMOS PEDIR O LIVRO DE VOLTA, BOA LEITURA!". Sensacional essa ideia, e não conhecia, e eu ainda levei muita sorte, me deparei com o Kafka, que já foi "abandonado" num banco dos jardins da antiga (e belíssima) Faculdade de Direito do Recife. Coisas da Bienal!

Comments

2 Responses to “SAUDADES DA BIENAL”

Edgar José disse...
17 de dezembro de 2007 13:02

Vou mais uma vez fazer um comentário. Antes de começar gostaria de dizer que algumas pessoas não irão gostar (talvez por ser verdade).
A Bienal foi realmente um sucesso, recorde de público e $$$LUCROS$$$. Mas como chamou a atenção de Edvaldo a procura por livros de auto-ajuda, quando eu fui a Bienal, me chamou a atenção "a falta de atenção" de algumas pessoas, na verdade muitas, que estavam ali apenas para "gastar" o bônus recebido pelo Governo ou pela Prefeitura. Parecia um Mercado Persa, onde não existia interesse pela cultura da leitura, não vi mesas redondas discussões a respeito de temas expostos em livros (ah, onde estavam ou autores?), muitos tratavam os livros como se fossem tomates na feira livre, retiravam da estante, davam uma "apertadinha pra ver se estava maduro" e dispensavem com uma bolinha de papel. Não tive a sorte de presenciar muito interesse pelos livros.
O espaço foi apertado para a quantidade de pessoas, talvez pelo fluxo, para mim inimaginável, de pessoas.
Luovável a intenção dos governantes de valorizar um pouco a cultura dos docentes do estado, porém fica uma sugestão: que tal um bônus acumulável de R$ 100,00 mensalmente para cada professor, no mesmo modelo, ou um cartão como o de vale transporte, onde poderíamos ir nas (poucas) livrarias de nossa cidade aumentar nossas bibliotecas? Conhecimento não é algo mensurável e sim construído, pelo que a gente faz, pelo que a gente diz e pelos que a gente lê.
Vou parando por aqui que acho que já falei demais.
Fui...

Paulo Roberto disse...
26 de dezembro de 2007 17:22

Eu não fui, queria ter ido, mas infelismente nao deu...
Confesso ed que gosto de livros de auto ajuda.
Aquele que tem solução pra tudo.
hauhauhauha, eu gosto!