RECIFE, OLINDA E AS MINHAS LEMBRANÇAS

Vi hoje a belíssima homenagem que a Globo Nordeste prestou às cidades irmãs, Recife e Olinda. Senti-me homenageado, um sinal de que o programa acertou em cheio. A ideia, creio, era essa: fazer com que olindenses e recifenses se identificassem com as imagens e os depoimentos dos artistas.

Minha relação com essas duas cidades é íntima. Nasci no Recife e fui adotado por Olinda. Em 1970, com apenas cinco anos de idade, minha família se mudou para Olinda. Morei entre os bairros de Salgadinho e Sítio Novo, nos domínios do mestre Naná Vasconcelos. Eram tempos remotos, não existia o complexo viário. Ali, existiam enormes crateras resultantes da retirada de areia para construção. Inundadas pelas chuvas de inverno, essas crateras viravam piscinas que faziam a festa da garotada do local. Eu, claro, adorava. Até a praia de Ponta Del Chifres, hoje sitiada, era bem frequentada. Um lugar lindo, separado da área urbana em ritmo voraz de crescimento por um braço de maré.

Hoje em dia moro no Recife, minha cidade natal, mas continuo transitando por Olinda, trabalho por lá. O que mais me encanta na relação entre essas duas cidades é o sentimento de irmandade. Não existe bairrismo, não existem comparações, as duas cidades são uma só. Do centro do Recife até Olinda são apenas seis quilômetros. Meu lado geógrafo alerta que a “conurbação” transformou as duas cidades num único complexo urbano. A imagem que ilustra esse breve post é uma visão do Recife a partir do Alto da Sé, coração do sítio histórico de Olinda. Entre as duas cidades, a bela (e sitiada, repito) praia de Ponta Del Chifres, a que me referi acima.

Do Recife, minhas melhores lembranças são do Bairro de São José. A família do meu pai tinha um fábrica de bolsas na rua de São José, ao lado do mercado famoso. Todo final de semana eu ia para a fábrica com meu pai e ficava brincado pelas ruelas do velho bairro. São lembranças líricas. Vários personagens dessa época ainda povoam o meu imaginário. Já dediquei aqui um post inteiro a um deles, Liêdo Maranhão, o "escriba do povo". Se fosse falar de todos, teria que escrever um livro. Recife e Olinda contribuiram igualmente para minha formação. Meus respeitos a essas duas belas cidades.

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