FELINHO E A REINVENÇÃO DE VASSOURINHAS

Não tem jeito, quase todo mundo que escuta uma gravação antiga  do frevo “Vassourinhas”, um ícone centenário do carnaval de Pernambuco, fica de queixo caído com as variações de um certo saxofonista quase desconhecido fora do ambiente dos músicos: Felinho. Foi no longínquo ano de 1944, quando o clássico frevo já contava 37 anos, que o músico  introduziu as famosas variações na regravação de “Vassourinhas” feita para a Rádio Clube de Pernambuco. Sobre esse emblemático momento escreveu, certa vez, o cronista Antônio Maria:

“A grande nota do carnaval não foi a fantasia do seu Abóbora, nem tampouco o Clube Limão de Cheiro... A melhor coisa  carnavalesca, em 1944, foi a gravação feita na PRA-8 (Rádio Clube de Pernambuco), da Marcha Nª1 de Vassouras, com suas estupendas variações, brilhantemente executadas por Felinho e a orquestra de Nelson Ferreira”. A partir de então, criou-se uma licença poética perene e, a cada execução, os solistas brincavam de improvisar.

O toque do genial músico acrescentou um “molho” ao hino do carnaval mais popular do mundo. Mas, quem era  Felinho? Felix Lins de Albuquerque nasceu na cidade de Bonito no dia 14 de dezembro de 1895. Discípulo do seu tio, João Archelau Lins de Albuquerque, que o orientou a ler música em todas as claves, Felinho, desde cedo, ganhou um suporte teórico que marcaria sua vida como músico. Com apenas quinze anos iniciou sua carreira de regente de bandas em diversas cidades do interior de Pernambuco.

Além da enorme contribuição como músico do carnaval, Felinho tem no seu currículo o mérito de ter inaugurado, tocando flauta, a Orquestra Sinfônica do Recife em 1931. Também era compositor. Suas principais obras foram os choros “Amoroso", "Apaixonado", "A Vida é um Choro" e as valsas "Olhos que Mentem", "Silêncio" e "Triste Consolo" e o frevo "Formigão".

Mais da sua obra:

"Formigueiro", "Pretensioso", "Meu Choro a São João", "Contemplando", "Venha para o Choro, seu Paiva", "Sacrifício por Amor", "A Saudade Vive Comigo", "Soluços", "Suave Tortura", "Delírio de Amor" e "Triste Consolo" (MPB - Compositores Pernambucanos - Coletânea - 1920-1995", Renato Phaelante da Câmara, Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massanga, 1997).

Felinho morreu pobre e esquecido, em Recife,  no dia 09 de janeiro de 1980. A pobreza a que me refiro, claro, é a material. A vasta obra musical deixada, como legado, por esse extraordinário músico é rica e serve como lastro para manter viva a magia do frevo e do carnaval pernambucano.  Abaixo, regozije-se ouvindo a obra reinventada:

Comments

3 Responses to “FELINHO E A REINVENÇÃO DE VASSOURINHAS”

Flávio de Souza disse...
14 de fevereiro de 2011 21:38

puxa, procuro tanto por essa versão de vassourinha. é difícil achar. vc tem?

ED CAVALCANTE disse...
16 de fevereiro de 2011 21:58

Flávio, tenho não, amigo. Achei esse vídeo depois de muita procura.

Paulo Roberto disse...
9 de janeiro de 2013 10:22

Salve Felinho e a música pernambucana, salve o frevo. Ed quero mais mémorias como estas.
Parabéns e sucesso!
São histórias como estas que me faz ainda mais ficar orgulhoso por nossa cultura.
Esse blog vai longe...