A FÉ E OS CONCÍLIOS


Houve uma época em que os imperadores romanos eram adeptos dos cultos pagãos, que contemplavam a natureza como força suprema. A partir do imperador Constantino, em 325, tudo mudou. Seguindo o princípio de Maquiavel,"se você não pode vencer o inimigo, una-se a ele", esse imperador transformou Roma no centro do Cristianismo. 

Daí por diante essa doutrina se espalhou pelo mundo ocidental e ganhou hegemonia. Nesse mesmo ano, foi realizado o Primeiro Concílio de Nicéia, que decidiu sobre, acreditem, de que essência Jesus Cristo fora constituído,se ele era criação de Deus, como dizia a Doutrina de Arius, ou se ele era feito da mesma substância de Deus, como pregava a Doutrina de Atanásio, pai e filho seriam o mesmo ser. 

Os 300 bispos reunidos em Nicéia decidiram pela segunda doutrina, nascia assim a "Santíssima Trindade". Ainda nesse mesmo concílio foi definida a primeira versão da Bíblia Sagrada (que sofreria mudanças ao longo dos séculos). Segundo o bispo de Lyon, Irineu, uma forma, digamos, pitoresca foi usada para separar os quatro evangelhos canônicos que fariam parte do livro sagrado, dos apócrifos. Disse ele: "porque o Verbo nos obsequiou com quatro evangelhos .O evangelho é a coluna da Igreja, a Igreja está espalhada por todo o mundo, o mundo tem quatro regiões, e convém, portanto, que haja também quatro evangelhos. O evangelho é o sopro do vento divino da vida para os homens e, pois, como há quatro ventos cardeais, daí a necessidade de quatro evangelhos. (...) O Verbo criador do Universo reina e brilha sobre os querubins, os querubins têm quatro formas". 

Esse relato histórico, que trago à tona nessa postagem, tem como motivo uma verdade que sempre me inquietou: sempre relutei em depositar a minha fé em uma "verdade" nascida em concílios, em reuniões secretas. Como vou me render a um livro cuja constituição se deu a partir de critérios que desconheço e que, me diz a história, foram fortemente influenciados pelos interesses econômicos de quem construiu a Igreja Católica ? "Fé cega, faca amolada"
 
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Comments

22 Responses to “A FÉ E OS CONCÍLIOS”

Recife_Musica disse...
8 de outubro de 2007 14:01

Não quero nem pensar nisso agora, pois isso tudo que vc escreveu tem seu teor de verdade e que no fundo afeta diretamente a minha vida que tem esses principios tão bem introjetado na minha educação religiosa, desde de pequeno e quase toda minha adolescencia.
Isso meche muito comgio rapaz, não faz isso...

Teu blog tá espetacular, to adorando tudo isso aqui.
Mais uma vez, PARABÉNS!

Inaldo disse...
16 de outubro de 2007 14:41

Sabe, sempre ao se discutir religião corre-se o risco de se levantar esta ou aquela bandeira em favor de uma "verdade" ou para tentar descontruir uma "verdade" ao lado, isto é fundamentalismo! É como torcer para um determinado time de futebol e defendê-lo com unhas e dentes, como se este ou aquele fosse o “melhor”, o “genuíno”, o “correto”, “o caminho”. Mas neste mundo em que vivemos cada vez mais obscuro, muitos são os que tentam encontrar respostas para sua existência e para o mundo. Não fosse isso, as atuais igrejas ou templos não se multiplicariam tanto, com variadas denominações, sempre atrás de incautos, desamparados, desesperados, gente sofrida, desiludida, machucada pela vida, que precisa de um “pai” que as ouça, as ajude e as compreenda. Dizem que os consultórios de psicanálise estão cada vez mais cheios proporcionalmente ao esvaziamento dos confessionários das igrejas. Estamos cercados, reféns, ou contaminados pelo desamor, egoísmo, violência, individualismo, consumismo.. O apelo do comércio que invade nos lares todos os dias pela TV. Os cartões de créditos que escravizam o homem. E neste mundo do “salve se quem puder”, onde quem come morre por quem tem fome, e onde a “felicidade” está a venda, o essencial passa desapercebido pela maioria das pessoas, pois é invisível a nossos olhos. Independente de ter ou não ter uma religião, em acreditar ou não acreditar em um ser maior onisciente, onipontente, onipresente; em fazer parte desta ou daquela religião.. o mais importante é ter saúde de alma. A sociedade está doente, depressiva, com síndrome do pânico, "em fuga" (através das drogas lícitas ou ilicitas)... Não se deve esperar muito das pessoas, do ser humano, dos governos, e da própria humanidade, pois todos são falhos, corrompem-se, uma vez lá "em cima" perde-se a noção do que está acontecendo aqui "em baixo" e somos todos apenas números em estatistícas, Idealizar algo ou alguem de carne e osso, humanos, é pôr literalmente a mão no fogo e queimar-se. Não existe pessoas 100 % boas ou 100% más, mas temos uma necessidade muito grande de personificar a bondade plena, o amor incondicional, a paz absoluta, o amparo partenal e maternal, em suma, as virtudes, os exemplos e a sabedoria de vida que nos falta enquanto ser imperfeitos que se atreve, por exemplo, a interpretar revelações divinas, evangelhos.. "quem somos nós, meras criaturas!!) Assim, acredito no que prega Jesus Cristo, acredito em um ser maior que todos nós, acredito numa mãe que nos ampara como Maria, nos santos como exemplos de vida.. pois norteiam e orientam a vida de quem se dispõe a aceitar que o mais importante na vida é o despreendimento, o amor, a paz, e a solidariedade entre as pessoas, isto sim é o que nos liberta de verdade, enfim, os ensinamentos de Jesus Cristo, a quem devemos tanto, por abrir nossos olhos, embora enquanto seres imperfeitos, custamos a abri-los.

Rharry Belloti disse...
22 de março de 2008 13:38

Olha, fui criada no catolicismo e respeito muito a religião [como qualquer outra]. Hoje, com 15 anos sigo um caminho que me apareceu como aquilo que eu sempre imaginei sobre os "mistérios cristãos", sinceramente, posso ser julgada por companheiros da mesma religião por dizer isso mas creio firmemente que Jesus fora um grande sábio e creio também que a bíblia seja um livro baseado em conveniências políticas e em poder. Não creio que seja o livro de Deus, a grande verdade, sinceramente acho que a Bíblia é um livro muito bem bolado com o intuito de manipular as pessoas e estabelecer poder a algumas outras pessoas, acho incrível como um livro desses ainda possa ter todo esse poder.

Beijo*

Rharry Belloti disse...
22 de março de 2008 14:44

Obrigada, adorei você ter dito que eu pareço ser madura...a verdade é que nessa questão religiosa eu fiquei muito indignada quando meu professor de história disse que ela não era 100% como realmente era [entendeu??]

Obrigada, beijo*

Vanessa disse...
22 de março de 2008 19:41

Pois é...
por muito em minha vida passei questionado ações do catolicismo.
ate perceber então que as pessoas alienadas nunca me dariam ouvido.
Parei.
Hoje eu só discuto religião com quem está aberta a aceitar e dividir conhecimentos.
Como um livro que passou por varias mãos, não seria modificado[julgando-se a prepotencia do homem] ?
Enfim...
no entanto, por motivos tais...
acho melhor não me aprofundar...
senão nós dois iriamos ter muito o que falar.
hahahaha

beijao

www.essencianoar.blogspot.com

blog disse...
22 de março de 2008 19:52

Essa discussão é antiga - e procedente.
Não creio nela nem em suas origens livrescas.
Opto pela fé, pura e simples. Dá menos trabalho e conforta mais.

Abraço.

Ψ Ŧéfi disse...
23 de março de 2008 10:55

Ótimo texto.
Uma outra observação é que a bíblia prega um modelo de família nuclear, que é característico, inicialmente, do início do século XVII.
Não acredito na Igreja. Há muitos dogmas vazios e doutrinas fúteis.
Crio, porém, em um criador (não alguém, mas algo[s]), energia, mistério. Afinal, sou fruto de uma sociedade ocidental, e ainda isso é muito para uma filha de família católica fervorosa. Quanto tenho de enfrentar para defender o que não acredito.
A física quântica hoje responde e explica muito. Não sigo a linha "cientificista", pois não sou capaz de seguir algo que estuda, descobre, produz, explica, etc., mas não é capaz de garantir a sobrevivência humana por muito mais tempo. A ciência é tão contraditória quanto a igreja.
Acredito no pensamento, e o sigo.

Quanto ao livro que citei em meu post, é sempre assim; ou a pessoa ama desde o começo, ou detesta. Nunca conversei com ninguém que tenha dito que "gostou mais ou menos".

Enfim, obrigada pelo comentário! Volte sempre!

Abraço

Daniel Leite disse...
23 de março de 2008 16:04

O melhor é respeitar o sincretismo religioso. Não é necessário também correr atrás de explicações para tudo o que é mistério. Coloquemos a fé em um patamar acima.

Até mais!

Só sei que nada sei

http://pordentrodomundodabola.blogspot.com

massacration disse...
24 de março de 2008 11:37

religiao e igual Cu...........fede


hehehehe



abraços

Johnny M. disse...
24 de março de 2008 11:38

A história e as religiões são escritas pelos vencedores.

Pam.! disse...
24 de março de 2008 12:21

Essas coisas a gnt nem discute!

Mas bom temaa! Polemico!
=D

Beeijo

http://blogdapaam.blogspot.com/

24 de março de 2008 13:19

Cara sinceramente não entendi nada!
Sobre evangelho e santissima trindade e nao sei o que!!!

Abraço

Rafael Zuchi disse...
24 de março de 2008 14:47

Dan Brown é meu unico deus! rsrsrs

Sinceramente é muito chato ficar discutindo um coisa que depende unicamente de fé, pq o que tem diz um coisa e defende e outro que num tem não sente aquilo e também defende com unhas e dentes... isso ai é um discussão que num leva a lugar algum.

Daniel Leite disse...
24 de março de 2008 22:16

Já comentei aqui. Mas vou reforçar: sincretismo religioso é a saída. Não há a necessidade de imposição de religião, em nenhuma circunstância.

Bom o teu blog, ótimo o tema!

Abraço!

Samilla Fonseca disse...
24 de março de 2008 22:38

Adorei teu blog. Vou adicionar no meu, mode eu visitá-lo mais vezes. =)
Concordo com tua opinião sobre religões e sobre o caráter político delas. Beijos.

Everaldo Ygor disse...
25 de março de 2008 17:54

Olá...
um bom blog por aqui...
Sempre faço o estudo comparado da religiões e filosofias...
Muito bom o texto...
Vou agora apreciar os demais posts...
Abraços
Everaldo Ygor
http://outrasandancas.blogspot.com/

úlima disse...
30 de março de 2008 13:00

blog bem legal...
esse assunto eh muito interessante
=T

beijinhos
;**

Ü

Bruno Vox disse...
1 de abril de 2008 10:58

Acho a hist�ria dos templarios unica. � muito interessante mergulhar nesse mundo.

bless disse...
15 de maio de 2008 23:26

Querido Ed,
Antes de qualquer coisa quero dizer que foi uma honra saber que esteve em nosso blog e pretende voltar.Comentando seu post , eu queria dizer que a fé não é católica nem apostólica nem romana.
Jesus é o autor e consumador da fé, e diante disso aconselho que vc tente se aproximar DELE e conhecê-lo como um amigo , pois Jesus não carrega glória de homens.

Grande abraço!!
Glauco/Bless

21 de agosto de 2008 21:52

Irmão, sou Espírita-Cristão. Nasci em família Católica, respeito profundamente a Igraja Católica, bem como todas as outras religiões Cristãs.
Mas sou, também, um combatente ferrenho de algumas de suas teologias e dogmas, tais como o da Santíssima Trindade, o da infalibilidade Papal, etc.
De fato, conforme você disse "Fé cega, faca afiada".
Eu digo: Fé raciocinada, faca guardada.
Não se preocupe com aceitar ou não dogmas, tradições, etc.
Pense apenas que em qualquer lugar que esteja, mesmo num deserto ou no meio do Pacífico, Deus está lá, te olhando e cuidando de você, torcendo para que pratique a Caridade com a Humildade sempre e em toda a situação, pois segundo o próprio Mestre Jesus, somente a Caridade com a Humildade salvam, e não a adesão à Religião "A", "B" ou "C".

Fique com Deus irmão, na Paz do Senhor.

INDICOESSE disse...
24 de março de 2009 10:15

Bem analisado,
como podemos acreditar em alguma coisa que nos foi importa por um Concílio!
Os outros evangelhos não seriam tb úteis! Como assim abandonar os outros, né!