A SALA E A CELA

Nos últimos meses uma questão vem me tirando o sono: por que eu ainda sou professor? Esse dilema nada tem a ver com a questão salarial. O problema todo está na sala de aula. O quadro é absolutamente desolador. Os alunos não encaram mais a escola como algo importante. A sala de aula é uma arena de guerra. Constantemente o professor é interrompido por piadas, brincadeiras de mau gosto, todo tipo de insultos. O aluno sente-se no direito de desrespeitar o mestre e os poucos colegas que querem estudar. A escola está se transformando num imenso parque de diversões. O tempo vai passar e esses “alunos” que não compreendem a importância da escola, vão ficar pelo caminho. Pior, talvez sejam vencidos pela vida.

Fora dos muros da escola, o comportamento moleque da sala de aula é visto como comportamento marginal. O patrão não vai ter a paciência que o professor tem. O professor põe pra fora da sala, a polícia põe pra dentro da cela. Fora dos muros da escola o garoto que picha as paredes, que quebra as bancas, vai ser tratado como delinqüente. Repito, a vida é duríssima, não tolera a falta de seriedade. Você quer saber por que eu ainda sou professor? Bom, acho que é porque eu fui um aluno peralta que descobriu a tempo o valor da escola. A esperança de que meus alunos também descubram me faz insistir nesse duro ofício.

Comments

23 Responses to “A SALA E A CELA”

Denise Machado disse...
18 de junho de 2008 03:33

Ufa!! Estou a meia hora tentando abrir para comentar...
Bem... Instigante desabafo!
Mas,sabemos, ninguém que decide as 'LEIS'querem educação. Um país educado não votaria nos 'ninguém'. Como não somos unidos e alguns escritores, formadores de opinião e blogueiros, Ed) são se acham muito cult além de intelectuais, continuaremos no caos de agora, porque piorar, só fechando as porcarias de escolas que restam... Assim, estudam só os filhos daqueles ningém. Ou seriam Coronéis, em MAIUSCULO? Conheci professor que foi assassinado na sala de aula e médico que vende hot dog na praia. MERDA DE POVO.

Denise Machado disse...
18 de junho de 2008 03:40

PS.: Desculpe a ortografia, teclado novo e horrível de silicone.

18 de junho de 2008 10:53

A escola púplica infelizmente é assim pois existe o medo por parte do professor, a impunidade por parte da escola e a indiferença por parte do aluno no que diz respeito a tomar bronca quando chegar em casa.

Mas não desanime, você é um dos poucos agentes de mudança deste país.

http://processohumilhacaoseletivo.blogspot.com
http://runningbrazil.blogspot.com

Beline disse...
18 de junho de 2008 11:10

Ed, gostária de saber, embora imagino. Você leciona em escola pública? Minha mãe é professora de ensimo médio há 25 anos, neste periodo sempre trabalhou em escolas públicas, com uma exceção, quando por 5 meses foi professora em uma escola particular muito cara e conceituada de Curtiba. Desesperada ela voltou as decadentes instalações de sua antiga escola, pra ensinar a quem realmente precisa e quer, e não há muleques de prédio que acham que podem tudo por que estão pagando. Você sente essa diferença?

18 de junho de 2008 11:24

EXISTE DIFERENÇA APENAS NO MOTIVO PARA BAGUNÇAR. OS GAROTOS DA PERIFERIA NÃO SE ACEITAM COMO TAL, NÃO TÊM ESTÍMULO PARA ESTUDAR. OS GAROTOS DAS ESCOLAS CARAS, BAGUNÇAM PORQUE TÊM TUDO OU PORQUE SABEM QUE PAGANDO PASSAM. A QUESTÃO QUE EU LEVANTO É A DA VALORIZAÇÃO DO PROFESSOR. O RESPEITO SE FOI. NÃO QUERO A VOLTA DA PALMATÓRIA, CLARO. FALO EM COBRAR DO ALUNO UMA POSTURA, COMO SE FAZ, POR EXEMPLO, NAS ESCOLAS TRADICIONAIS DA SUIÇA. ~EU LECIONO EM DUAS ESCOLAS PÚBLICAS.

Katarina disse...
18 de junho de 2008 14:18

Quando eu estava no ginásio (olha meu palavreado denunciando minha idade!) e estudava no colégio onde minha avó lecionnou História e meu avô era diretor, a gente levantava sempre que o professor entrava na sala de aula e cantava o hino nacional inteirinho uma vez por semana... Os tempos mudaram.
Os jovens nao respeitam nem os proprios pais, que dirá respeitar os professores... Acho que o lance é mais de educação e simbolismo tb. Nao se respeita masi autoridade. O professor nao é mais autoridade. Não se respeita mais nada hoje em dia.
E o exemplo vem de cima... dos políticos.

Katarina disse...
18 de junho de 2008 14:20

Mas nao desista, ED!!
O importante é fazer nossa parte e exercer a máxima da brasilidade sem deixar a peteca cair...

Nassor disse...
18 de junho de 2008 21:24

Depois de mil tentativas!!
Foi o comentário!!
Muito bom o texto,copiei para ler coma mais calma depois ....
Mas o que eu pude entender,gostei muito,devemos entender que o melhor ensino é o exemplo!!

Alcione Torres disse...
18 de junho de 2008 22:04

Adorei esse texto! Bete já tinha me falado dele!

http://sarapateldecoruja.blogspot.com/

Marcelo disse...
18 de junho de 2008 22:15

Também fui um aluno peralta que descobriu o valor da escola. Também sou professor. Eu cheguei a uma conclusão que me assusta, mas, ao mesmo tempo, explica muito: se governo não se importa com a escola, se sociedade não se importa, se muitos profissionais de ensino não se importam...
Vem cá... por que o aluno haveria de se importar?
Uma pergunta retórica que me ocorre há alguns anos.
E me assusta...

Sammyra Santana disse...
18 de junho de 2008 22:36

Muito providencial sua cronica!
Sabe, fui professora e coordenadora de crianças durante sete anos e às vezes me questionava tb.
Mas aí num belo dia do professor,recebi, em minha casa, a visita de uma menininha que nem era mais aluna da escola q eu trabalhava e me trouxe o seguinte presente:
uma foto de nós duas e uns recortes de revista dizendo q eu podia decidir sobre meus alunos, se eles seguiriam pelo caminho do bem ou nao, bastava como seriam minhas aulas.
fiquei pensando nisso, e decidi q tava no lugasr certo!
bjo

Paulo Roberto disse...
19 de junho de 2008 10:47

Ed eu ainda peguei o tempo em q cantava-se o hino, e levanta-ve quando o diretor ia na sala de aula.
Estudei na PArticular e na pública.
Na pública reinava a bagunça, mas ainda sim tinhamos um bom coordenador que impunhava medo nos alunos, mas ainda existia desrespeito por alguns alunos diantes dos professores.
Te desejo força pra continuar, se essa for sua missão, vá em frente!
Abraço!

cottidie disse...
19 de junho de 2008 10:55

pois é, ed. Também me pergunto. e o pior: não sei ainda a resposta...

:'(

19 de junho de 2008 12:04

Mestre,
Talvez a forma como a aula é exposta esteja ultrapassada (não estou falando da tua forma de ensinar), mas de toda a estrutura.

Hoje a vida anda muito mais rápida do que antigamente, muito mais informação, e os jovens estão crescendo mais rápido, aprendendo mais rápido. Acredito que esse seja o problema. Agora, como mudar, já não é a minha área.

Sempre tratei meus professores com respeito devido. Mas a idéia de sentar em um cadeira e somente ouvir a aula, pra mim, é péssimo!

Bom, desculpe se causei uma péssima impressão, mas é como eu vejo.

Forte Abraço e boa sorte!

Tragicomicuzinho disse...
19 de junho de 2008 12:07

eu, como aluno, acho que ser professor é muito difícil...

vc dá aulas de que?

abraço

Veiga disse...
19 de junho de 2008 12:18

tô sabendo!

valeu.

=]

ED CAVALCANTE disse...
19 de junho de 2008 20:21

JÁ OUVI ESSE DISCURSO, FÁBIO. DE QUE A AULA TRADICIONAL NÃO É MAIS ADEQUADA. ENTÃO ME DIGA POR QUE AS ESCOLAS SUIÇAS FUNCIONAM ATÉ HOJE SENDO ULTRA SUPER TRADICIONAIS?. REGRAS RÍGIDAS SEGUIDAS SEM NENHUM DANO PARA O ALUNO. o CONSTRUTIVISMO SÓ SERVE PARA O TERCEIRO MUNDO?

Alcione Torres disse...
19 de junho de 2008 22:52

Infelizmente, muita gente só percebe a importância da educação e da escola depois que quebra a cara aí pela vida.
É incrível como, a cada dia que passa, estão dando menos importância à escola. Pais ausentes e que não pensam no futuro dos seus filhos; falta de vontade por parte de quem tem o poder de mudar o quadro em que a educação se encontra; professores desvalorizados, esculachados e ameaçados pela violência no ambiente escolar...
Não é à toa que muitos professores pensam em desistir e alguns desistem!
A coisa tá feia, meu amigo!

Bete Meira disse...
19 de junho de 2008 23:09
Este comentário foi removido pelo autor.
Bete Meira disse...
19 de junho de 2008 23:26

Ensino Português em escola estadual e a antiga terceira série em escola municipal.Faço minhas as palavras de Ed,sempre conversamos a respeito,desabafo com ele a tristeza e a decepção de aconselhar,orientar para o bem e não ser entendida nem ouvida;querer diversificar as aulas trazendo jornal,música e após um tempo escutar alguém dizer”:-professora,a senhora não vai dar aula não?” ou:”o que a gente vai aprender com isso?”;ser agredida com palavras,desrespeitada no exercício de minhas funções,por alunos meus e de outras salas que se acham no direito de "invadir" as salas com professor dentro,gritar na porta,soltar bombas no banheiro,gritar palavrões,fazer gestos obscenos,faltar e querer ter presença na caderneta e por aí vai.Apesar de amar o que faço,admirar essa profissão tão importante,essencial para a formação de todos os profissionais de qualquer área, só não abandonei a profissão ainda pela dificuldade de passar num concurso público em que eu exerça uma função produtiva,seja respeitada,que me pague decentemente pra que eu tenha um só emprego e tenha o direito a algum lazer com minha família em vez de trabalhar os 3 horários para tentar pagar as contas,correr de uma escola pra outra,alimentação deficiente pelo curto espaço de tempo entre uma e outra,risco de acidentes no trânsito,voando pra não me atrasar,etc,etc,etc... "Fico triste quando alguém me ofende, mas,com certeza,eu ficaria mais triste se fosse eu o ofensor... Magoar alguém é terrível! " Ed,a luta continua!!!!!!!

22 de junho de 2008 02:11

Cara ser professor é uma profissão com uma coisa que nem eu sei explicar!
Minha tia por exemplo, ja tem tempo de serviço pra se aposentar e nao quer parar de dar aula!!!

http://www.avidanobeco.com/

27 de junho de 2008 00:22

Pois é, mais uma vez a questão da educação volta a tona. O método de ensino mudou muito de antigamente para os dias de hoje.

molly disse...
29 de junho de 2008 11:17

legal teu blog, adorei!!!!
visitem o meu qdo puder, bjs