SER PROFESSOR EM PERNAMBUCO É ESTAR NO FIM DA FILA

Sou professor da Rede Estadual de Pernambuco desde 1998. Em pouco mais de dez anos, tenho visto com bastante tristeza a decadência dessa (outrora) nobre profissão aqui em Pernambuco. A questão salarial, numa analogia bem simples, lembra um nadador que se esforça em dar braçadas enquanto alguém lhe segura as pernas. Dessa forma, o quadro de docentes do estado de Pernambuco vem amargando a última colocação no ranking de salários no Brasil, que já não é grande coisa.

O que mais irrita os profissionais de educação em Pernambuco, é a hipocrisia com que o Governo do Estado trata essa questão. Propagandas veiculam a imagem de uma escola que não existe. Reformas de prédios, kits para os alunos e achatamento salarial para os professores. O principal articulador do processo de educação, o professor, é tratado como um detalhe sem importância nessa grande ilha da fantasia. A escola das propagandas não trata das agruras dos docentes.

A maioria dos professores da Rede Estadual de Pernambuco tem o seguinte perfil:

*Sobrevive com o salário comprometido por vários empréstimos consignados.

*Acumula vários vínculos empregatícios para tentar viver com um pouco mais de dignidade.

*Tem a saúde comprometida por acumular vários vínculos empregatícios. Vive estressado, sem voz e sem tempo para a família.

*Não consegue ministrar uma aula de qualidade porque lhe falta tempo para prepará-las.

*Trabalha sob pressão porque o acúmulo de atividades toma muito tempo impedindo que as suas atividades sejam cumpridas nas datas estabelecidas pela escola. Para agravar mais essa situação a Secretaria de Educação elaborou um diário de classe com muitos detalhes, só adequado à realidade do professor que trabalha em jornada única.

*Tem baixa autoestima porque não é respeitado na sala e é tratado pela imprensa como um derrotado.

Sou professor, trabalho num país que paga salários baixos. Esse país que paga salários baixos é dividido em estados. Eu trabalho no estado que paga o salário mais baixo. Eu estou no fim da fila.

Professor Edvaldo Cavalcante de Oliveira

Comments

2 Responses to “SER PROFESSOR EM PERNAMBUCO É ESTAR NO FIM DA FILA”

Anônimo disse...
2 de abril de 2010 12:18

Sinto o mesmo meu velho.
E após as conversas do "sindicato" com o governo e aquela oferta ridícula de aumento que se diminui o salário, tenho que ouvir o governador ainda dizer que está de coração partido.
Estou de coração, cabeça e bolso também partidos.
É, estamos não só no fim da fila mas também no fundo do poço.
Edgar José

Professorhb disse...
3 de abril de 2010 18:48

Pior de tudo é ver que o futuro reflete o presente, sem grandes perspectivas , sem grandes novidades e a mesma falácia de sempre. É uma lástima.
Seu ponto de vista não difere muito do meu http://professorhb.wordpress.com/2010/03/28/politica-falacia-e-porrete-no-meu-pais-educacao-se-faz-assim/