AINDA SOMOS HUMANOS


Quando se é jovem e inexperiente, um dos fardos mais pesados na vida é o medo de enfrentar o mundo real. A pouca experiência, via de regra, induz a caminhos ilusórios para fugir da dura realidade do cotidiano. Sonhar que os pais vão morrer bem velhinhos e dormindo, imaginar que num belo dia todos os sonhos se realizarão como num passe de mágica e por aí vai. O tempo passa e a experiência nos mostra que o mundo, de vez em quando, vira de cabeça para baixo e temos que ter força para encará-lo.

As aterrorizantes noticias que chegaram da cidade de Santa Maria no final de semana passado é um desses momentos. Você fica remoendo, remoendo e não consegue digerir. Não dá nem pra fugir da tristeza. Na era da interatividade total, as notícias chegam de tudo quanto é lado. Você lê a história do jovem que salvou a esposa e voltou para ajudar os outros e morreu. Muitos trocaram a sorte de terem se safado pelo risco de ajudar outras pessoas e acabaram morrendo também.  Seres humanos, afinal, eles existem, é por isso que o mundo ainda se mantém com uma certa ordem. Somos infinitamente mais humanos do que imaginamos.

Tenho que repetir o que escrevi acima agora com um grifo: vários jovens que tiveram a sorte de escapar da morte, voltaram para ajudar os amigos e acabaram morrendo também. Não eram bombeiros treinados, eram pessoas normais que se, eu ou você, tivéssemos a incumbência de descrevê-los, logicamente, não imaginaríamos que eles, frequentadores de baladas noturnas, namoradores, jamais dariam a vida por outros, mas deram.

Esse não é um texto escrito para lamentar a tragédia ou descrever o horror do acontecido. Como destaquei acima, estamos na era da interatividade e um turbilhão de notícias chega a toda hora. Escrevo pra celebrar a prova inconteste de que ainda somos humanos. Aos que pereceram, que encontrem a luz.

Comments

2 Responses to “AINDA SOMOS HUMANOS”

29 de janeiro de 2013 13:34

Em muitos existe a grandeza de ser humano.
Ótimo texto Ed.

Inaldo Filho disse...
30 de janeiro de 2013 15:06

Ressaltastes o lado bonito em uma estória tão triste: A solidariedade humana.