O FEIJÃO E O SONHO

Lembrei-me do Campos Lara do Orígenes quando vi Nelson Mota falando sobre o tal “Tecnobrega”, em matéria do Jornal da Globo. Nelson assina uma coluna nesse telejornal. Acostumei-me a ver esse multifacetário jornalista falar sobre Bossa Nova, Tropicália, Chico Buarque, Ilha de Manhattan. Vê-lo descrevendo a cena musical do Pará, pareceu-me artificial. Pensei: Ao contrário do Campos Lara, ele optou pelo feijão. Aí me veio à memória outro ótimo jornalista que, ao que parece, fez a mesma opção: Pedro Bial. Um desperdício esse grande jornalista comandando o Big Brother!

Quando era garoto queria ser cantor de rock e meu pai queria que eu fizesse um curso no SENAI. Quase fui. Vi um anúncio no jornal que listava os cursos dessa instituição, dentre eles estava o de “compositor”. Minha empolgação desmoronou quando li na descrição que o curso era de “compositor tipográfico”. Não me rendi e paguei um preço caro. Penei durante alguns anos atormentado por não poder viver do que gostava. Superei esse drama, apenas, depois dos trinta, quando me encontrei profissionalmente e aprendi a lidar com a dureza do cotidiano.

Sei que cada um sabe o que é o melhor pra si, mas fico triste quando vejo, por exemplo, um gigante da música popular brasileira, Roberto Carlos, preso a um contrato, com uma emissora de tevê, que o impede de aparecer em outros canais e o obriga a lançar um disco todo ano, mesmo que vazio. Sei, esse contrato sedimentou sua condição de “rei”, mas desde o final da década de 70, o que vemos é um rei triste, um canário do império dentro de uma gaiola de ouro. Como se vê, nem sempre a opção do dindin é a melhor. Qual a sua opção?

Comments

5 Responses to “O FEIJÃO E O SONHO”

Gabriela disse...
28 de fevereiro de 2009 21:43

Oi!

Que bom ver um texto de qualidade em um blog.
Obrigada Senhor, a originalidade existe!!!

Bom... Gosto do Pedro Bial, acho realmente um cara inteligente etc e tal, mas comandar o BBB suja um pouco a ficha (hahaha), mas engorda o bolso. Faz tempo eu tomei uma antipatia do rei, pela mesmice, o cara não se recicla, eu não o vejo como um bom cantor, e sim mais um artista rotulado pela Globo de "bom", ele não é tão bom assim... Enfim... essa é minha humilde opinião.

Agora, qual a minha opção??? Não sei, sinceramente não sei, ninguém nunca me ofereceu 1 milhão para apresentar um programa medíocre, mas se me oferecessem, talvez eu aceitasse.

Abraço, gostei de verdade.

Bete Meira disse...
28 de fevereiro de 2009 23:06

Realmente Nélson e Bial estão deslocados,mas será por opção?Ou por falta dela?Creio que grana não é a questão,talvez faltem oportunidades. O mundo mudou,os valores mudaram e como!Nem sempre pra melhor,é vero.Como profissionais,às vezes não podem escolher muito,vão pra onde são escalados. Ed,quando entre o feijão e o sonho estamos sozinhos,é mais fácil optar pelo sonho... mas quando existem vidas dependentes dessa escolha?O peso da responsabilidade dói,sobrecarrega,mas como fugir?Quando escolhemos o sonho e sonhamos sozinhos?Nadamos e morremos na praia?O mundo real nos acorda e corremos atrás do feijão,deixando o sonho adormecido à espera de dias melhores que podem vir,ou não. Como fã de Roberto desde que abri os olhos,digo que ele é Rei porque é humano,sensível,humilde,tem o coração puro... veio de uma família pobre e cresceu com seu trabalho. Não tem uma grande voz mas seu timbre é agradável,compõe com o coração,linguagem simples,que o povo entende. Se está numa gaiola de ouro é por vontade,porque de dinheiro ele não precisa!Sua tristeza vem de uma prisão chamada toc e da saudade da sua Maria Rita,que quando se foi levou grande parte de seu core.
Minha opção não foi o feijão nem o sonho,na verdade. Fiz Letras por paixão,gosto de ensinar,mas o
salário ó!!!!!kkkkkk

"Uma antiga e sábia oração dos índios Sioux, roga a Deus o auxílio para nunca julgar o próximo antes de ter andado sete dias com as suas sandálias.
Isto quer dizer que, antes de criticar, julgar e condenar uma pessoa, devemos nos colocar no seu lugar e entender os seus sentimentos mais profundos."

ED CAVALCANTE disse...
1 de março de 2009 11:42

O problema, Bete, é que as vezes os sonhos adormecem e desaparecem. O bom é nunca deixar de sonhar. Quanto ao Roberto, acho que ele acomodou-se com a situação. Ganha milhões sem fazer esforço, virou rei,né? Mas compare um show dele agoro com um de 25 anos atrás. Ele ficou tritíssimo, mesmo antes da história (intragável) da Maria Rita. Que amor é esse? Nãoentendo.

Bete Meira disse...
1 de março de 2009 12:32

Deixar de sonhar jamais!Sonhos alimentam a alma,acalentam o core,ai de mim se não fosse uma sonhadora-mor!kkkkkkkk... Não podemos "calçar as sandálias " de Roberto,só ele pode dizer a verdade absoluta.Por que "intragável" história de Maria Rita?É uma história tristíssima e me surpreende alguém com sua sensibilidade se referir dessa forma a essa fatalidade.Posso falar dos shows antigos,no geraldão,porque fui a alguns. Quanto aos atuais,desconheço,falo de show ao vivo,porque pela tv,tudo é diferente.O repertório dele mudou totalmente,como eu disse,ele ficou cheio de manias,diz que se tratou do "toc",mas tenho dúvidas.Você não entende o amor de Roberto?Amor não se entende,sente-se!Não se escolhe,ele escolhe um core e se instala sem pedir licença!Ficou a saudade,o sentimento de impotência pois tanto dinheiro não poupou a vida da sua amada,talvez arrependimento por não haver enfrentado a família dela que proibiu o namoro quando a mesma era adolescente e atrasou em anos uma história que poderia ter sido tão diferente.Só lamento e desejo que ele ainda seja muito feliz!

saga dos martins disse...
2 de março de 2009 20:00

O Bial está deslocado, mas dentro do programa ainda tenta colocar poesia, crônicas, qd chega o dia do paredão, consegue fazer textos maravilhosos e profundos dentro do que é a personalidade dos emparedados.
Beijinhos!!
http://cgfilmes.blogspot.com/