NOS TEMPOS DA ROZENBLIT

--> -->
Eu cresci ouvindo discos de frevo, sempre gostei dos clássicos: Claudionor Germano, Capiba, Nelson Ferreira. Viciado em música e nos detalhes das gravações, sempre lia com atenção a ficha técnica. Invariavelmente, via o nome da Fábrica de Discos Rozemblit, dona do lendário selo Mocambo. A fábrica, aliás, localizava-se perto da minha casa. Descobri a importância da Rozenblit ainda garoto. O pai de um amigo meu era funcionário da gráfica da gravadora e trazia um monte de folhetos para a gente brincar. Tinha até ficha de inscrição de artistas. Preenchíamos tudo sonhando com o estrelato no futuro. Coisas de criança.
A Rozenblit não foi uma simples gravadora, foi o maior empreendimento no ramo fonográfico fora do eixo Rio-São Paulo. O grupo Rozenblit iniciou suas atividades com a comercialização de receptores de rádio. Como o estado de Pernambuco era pioneiro na radio difusão – a primeira rádio do Brasil, Rádio Clube de Pernambuco, foi fundada aqui em 1919 - esse era um mercado crescente na região. A loja da família Rozenblit diversificou os negócios passando a representar o selo RCA Victor.
A primeira criação - A loja Irmãos Rozenblit começou a importar toca-discos Garrard mas vendia o eletrodoméstico com uma adaptação: uma estrutura de móvel. Marceneiros contratados pela loja, copiavam e criavam móveis para as peças importadas. Um modelo que se tornaria popular, mais tarde, com a Fábrica ABC. A novidade agradou às famílias mais ricas e a loja vendeu bastante.
-->
José Rozenblit – Quando José Rozenblit passou a ter mais força no grupo, o sonho da fábrica de discos começou a ganhar força. Em Outubro de 1953, na Estrada dos Remédios, bairro de Afogados, foi fundada a Fábrica de Discos Rozenblit. Seguindo o modelo das grandes fábricas de discos, a Rozenblit criou o seu próprio selo, denominado “Mocambo”. Entre as décadas de 50 e 60 (século passado), a Rozenblit viveu sua era de ouro. Era detentora de 22% do mercado nacional e 50% do mercado regional de discos. A essa altura, tudo era feito no Recife: a prensagem do vinil, a parte gráfica e a distribuição.
Em 1966 uma grande enchente destruiu um terço das instalações da Rozenblit. A partir daí a fábrica entrou em processo de decadência. Duas outras enchentes - 1970 e 1975 – decretariam o fim da lendária fábrica de discos. Para se ter ideia da importância da Rozenblit, vale lembrar que faziam parte do cast da gravadora artistas como Jorge Ben, Johny Alf, Martinha, Bob de Carlo, Cartola, Monarco, Capiba, Nelson Ferreira, Zé Ramalho, entre outros. A história da produção fonográfica do Brasil tem na Fábrica de discos Rozenblit um dos mais importantes capítulos.

Comments

2 Responses to “NOS TEMPOS DA ROZENBLIT”

ED CAVALCANTE disse...
18 de dezembro de 2009 11:13

Obrigado, amigo. Volte Sempre!