O REVOLVER MUDOU MINHA VIDA

Por: Sidclay Pereira - Posso dizer que existe uma vida antes e depois o Revolver.

Eu já conhecia Beatles, claro! Help foi a música que marcou uma parte da minha infância, despertando meu interesse não apenas como apreciador, mas como um fã de música. A partir de Help eu comecei a buscar música e não apenas esperar que ela viesse até mim através do rádio ou TV, o que era de costume para a grande maioria das pessoas.

Em 1993 eu estudava num colégio no centro de Recife que ficava a cerca de 200 m de uma famosa loja de discos que misturava coisas novas com raridades (uma das poucas do gênero que ainda hoje existe). Era um oásis para colecionadores naquela época.

Fiquei durante três semanas visitando a loja, apreciando aquele amontoado de Lp´s, camisas e VHS, cd ainda era algo apenas para quem tinha muito dinheiro. Numa tarde de terça-feira fui lá para comprar o meu primeiro LP! De certa forma eu estava orgulhoso, saí de casa na certeza de comprar um disco!!! Havia juntado três semanas de mesada!

Eu não sei exatamente o porquê, mas naquele dia eu larguei mais cedo, fui até a loja e me direcionei à prateleira que continha os discos dos anos 60, lá estavam os lp´s dos Beatles entre outros nomes como Elvis, Rolling Stones, Credence Clearwater Revival e The Mamas & The Papas. Como eu já conhecia alguns discos dos Beatles, decidi comprar aquele que me pareceria mais desconhecido.

Olhei aquela capa em preto-e-branco com uma colagem de fotos misturadas a 4 desenhos que representavam John, Paul, George e Ringo. Eu conhecia apenas duas músicas: Yellow Submarine e Eleanor Rigby. Comprei o Revolver, paguei exatamente Czr. 14.000,00. Peguei o ônibus com aquele monte de gente subindo quase ao mesmo tempo enquanto eu tentava proteger o vinil para que não amassasse ou quebrasse.

Cheguei e fui logo colocando o bolachão pra tocar. O que aconteceu em seguida foi algo que eu simplesmente não consigo descrever.

Uma voz fazia uma contagem “one, two, three, four” e entrava uma batida de guitarra com uma voz firme e logo em seguida uma bateria seca e marcante e depois um backing vocal. As lembranças são bem fragmentadas, mas me recordo de uns acordes de um instrumento para mim totalmente estranho (Love You Too), um riff de guitarra totalmente desconcertante (She Said She Said), um naipe de metais (Got to Get You Into My Life), uma voz que parecia lamentar algo (For No One), uma música que parecia vir de longe e se materializar (I Want To Tell You) e, por fim, uma coisa tão estranha e fascinante que até hoje me faltam palavras pra descrever (Tomorrow Never Knows).

Lembro claramente da minha reação, eu ficava no terraço me perguntando o que é isso? Que banda é essa? Que instrumento é esse? Quem canta isso? Me parecia que essa não era a banda que eu já conhecia há alguns anos.

A partir daquele momento, despertei um interesse em conhecer música, em busca de coisas novas (mesmo que sejam antigas), de descobrir novos sons, melodias, vozes, arranjos. De certa forma, aquela tarde e o Revolver moldaram minha personalidade. Creio que até hoje procuro aquela sensação, cheguei perto algumas vezes, mas nenhuma com tanta intensidade. Se hoje eu tenho o costume de “garimpar” cd´s e dvd´s em todas as lojas e cidades que visito, de ter a coleção que tenho, isso aconteceu graças ao Revolver e aos Beatles e aquela tarde de 1993.

O Revolver mudou minha vida!

Comments

3 Responses to “O REVOLVER MUDOU MINHA VIDA”

ED CAVALCANTE disse...
6 de junho de 2010 23:03

Assustador esse título: “O Revolver Mudou Minha Vida”. Ainda bem que estamos falando da grande obra dos Beatles. Não tenho uma obra em particular que tenha causado uma catarse assim como o Revolver provocou em você, mas entendo perfeitamente o que falas. Senti algo assim quando ouvi pela primeira vez “In My Life”, já contei essa história aqui no blog. A boa música tem essa magia. Gosto muito do Revolver. As três primeiras músicas são acachapantes. Esse é o álbum de George, foi quando ele começou a soltar seus solos e fazer suas experiências. Grande momento dos Beatles.

Sidclay disse...
7 de junho de 2010 14:47

O título é pra chamar atenção mesmo, heheheh...
George aqui se apresenta muito mais consistente, principalmente pq o disco anterior, Rubber Soul, já apresentava dois clássicos de sua autoria.. infelizmente, o dois discos seguintes só vai ter uma música dele... George é meu beatle preferido!

11 de junho de 2010 07:16

Velhos amigos no meu caso foi algo bem parecido, claro que nesse interim conheci Led Zepellin e Egberto Gismonti, mas quando ouvi pela primeira vez o disco Revolver, lá pelo inicio dos anos 90, levei uma pancada, a partir dai fiquei interessado em saber o que eram arranjos, orquestração...She say she say, Dr. Robert, Taxman, começaram a preencher a minha tão vazia alma musical.